domingo, 8 de maio de 2022

Policiais interrompem a tiros batalha de rap com crianças e adolescentes no RJ

 

Policiais interrompem a tiros batalha de rap com crianças e adolescentes no RJ

© Chalabala / iStok


RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Policiais militares interromperam a tiros uma batalha de rap na última quinta-feira (5) na comunidade Manoel Corrêa, em Cabo Frio, na região dos Lagos do Rio de Janeiro. Imagens gravadas no momento da abordagem mostram os agentes disparando, enquanto crianças e adolescentes gritam.

Em depoimento à Polícia Civil, participantes da batalha afirmaram que o evento teve início às 20h e que, por volta das 22h40, os policiais chegaram ao local agindo com agressividade e atirando a esmo. A reportagem teve acesso aos termos de declaração, no entanto não identificará as testemunhas para preservá-las.


Ambos os depoentes afirmaram que os policiais dispararam contra o equipamento de som, pondo em risco as crianças que estavam perto dali. Os dois também disseram que tentaram dialogar com os agentes, mas que foram agredidos fisicamente.


Segundo um dos participantes, um dos policiais disse que, se alguém resistisse, ele atiraria na cabeça, que rap é coisa de vagabundo e que cultura é na escola, até as 18h.


Foram entregues à Polícia Civil 13 componentes de munição encontrados no local após os disparos.


Um dos participantes da batalha disse à reportagem que algumas pessoas chegaram a ser atingidas por estilhaços de projétil ou se machucaram na tentativa de fugir dos disparos. Segundo ele, todos os ferimentos foram leves.


Um dos policiais envolvidos na ocorrência, Carlos Eduardo Gonçalves Moreira, afirmou em sede policial que a guarnição recebeu uma "denúncia de um possível baile funk" na quadra da favela. Chegando lá, segundo ele, havia sete criminosos armados que efetuaram disparos contra os agentes.


De acordo com Moreira, os policiais revidaram e os suspeitos conseguiram se dispersar. Neste momento, ainda segundo o seu relato, as pessoas que estavam no local abordaram os agentes de forma hostil.


Mais uma vez, de acordo com o policial, a guarnição foi atacada pelos criminosos e, por isso, os agentes tiveram que revidar novamente para se defender.


Nas imagens gravadas no momento da abordagem não é possível observar ataques aos policiais, que chegam atirando entre crianças e adolescentes. Um dos participantes da batalha negou à Polícia Civil que houvesse pessoas armadas ou utilizando drogas no evento.
Em nota, a Polícia Militar disse que um procedimento interno foi instaurado para apurar a ocorrência.


Também em nota, a Prefeitura de Cabo Frio afirmou que "repudia de forma veemente" a ação dos policiais, que "contraria todos os esforços feitos pelo governo municipal para garantir o acesso da população jovem à cultura e ao lazer".


"A prefeitura apoia a manifestação artística e presta solidariedade aos participantes, que foram reprimidos de maneira covarde pelos agentes de segurança (...) As imagens demonstram uma atuação truculenta e violenta por parte daqueles que deveriam proteger a população."


A gestão municipal disse que está em contato com o comando do 25º Batalhão de Polícia Militar, "solicitando rigorosa apuração dos fatos ocorridos, para que os responsáveis sejam punidos e para garantir que tal violência não se repita no município".


"O disparo de tiros em um ambiente repleto de crianças é uma atitude irresponsável e que não pode ficar impune. O Estado deve garantir a liberdade dos cidadãos e preservar vidas, jamais atentar contra a sua própria população."

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