googlefc.controlledMessagingFunction

Páginas

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

70% dos países do 'Conselho da Paz' de Trump são autocracias ou ditaduras

O Conselho da Paz lançado por Donald Trump é uma tentativa de suplantar ONU; apesar de já lançada, estrutura da organização continua pouco clara

Imagem de Circe Denyer por Pixabay

SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (22) a criação do chamado Conselho da Paz, órgão que o governo americano espera utilizar para suplantar as Nações Unidas -embora o americano negue essa intenção.

Inicialmente pensado como instrumento para governar a Faixa de Gaza como parte do cessar-fogo na região, o conselho tem ganhado contornos mais amplos, movimento recebido com preocupação por países como França, Canadá, Reino Unido e Brasil.

"Este conselho tem a chance de ser um dos conselhos mais importantes já criados. É minha grande honra servir como presidente, fiquei muito honrado quando me pediram isso", disse Trump, embora seu governo tenha sido o idealizador e fundador do grupo.

A cerimônia de assinatura ocorreu às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça -evento já ofuscado pela investida tarifária e diplomática de Trump, ora suspensa, de anexar a Groenlândia. O anúncio teve a presença de alguns dos líderes que já aceitaram participar do conselho, como o argentino Javier Milei, o indonésio Prabowo Subianto e o húngaro Viktor Orbán.

Durante sua fala, Trump criticou a ONU e afirmou que a iniciativa sobre Gaza pode ser "algo único para o mundo", indicando sua pretensão de que o grupo criado não se limite a discutir o território palestino.

"Eu sempre disse que as Nações Unidas têm um potencial tremendo, mas não o usou", afirmou. "Eu acho que a combinação do Conselho da Paz, com o tipo de gente que temos aqui, junto com a ONU, pode ser algo muito único para o mundo. Isso é para o mundo, não é para os EUA."

Entre os 24 países que já aceitaram o convite de Trump, 17 têm regimes autocráticos ou ditatoriais, segundo o Instituto V-Dem, que monitora parâmetros democráticos anualmente. São os casos de Hungria, Qatar e Arábia Saudita, por exemplo, que mantêm relações próximas com o governo americano sob Trump.

Por outro lado, mesmo aquelas que são consideradas democracias plenas, como Argentina, Israel e Paraguai, têm governos que se mostram alinhados ao presidente republicano. Os líderes Javier Milei, Binyamin Netanyahu e Santiago Peña, nesses casos, adotam políticas conservadoras em seus respectivos países.

Em dado momento de seu discurso, Trump olhou para os líderes sentados em cadeiras no palco do evento e disse: "É, todos são meus amigos. Alguns... deixe-me ver, alguns que gosto, alguns que não gosto. Não, na verdade, desse grupo eu gosto de cada um deles, dá para acreditar? Às vezes tem dois ou três que não suporto, mas gosto de cada um deles."

O grupo nasce com a participação também de países como Israel, Arábia Saudita, Egito, Marrocos, Turquia e Vietnã, mas não está claro quais desses serão membros permanentes, uma vez que Trump pretende cobrar US$ 1 bilhão de quem desejar o assento.

A estrutura da organização também continua pouco clara. O conselho -cujo logo mostra o planeta Terra com os EUA no centro- será presidido por Trump, que terá, como chefe do grupo, preponderância sobre praticamente todas as decisões: da renovação de mandato dos membros e convocação de reuniões à definição do comitê executivo que deve gerir a reconstrução do território palestino. Além disso, Trump terá o voto de desempate em questões sem consenso.

Países europeus ainda analisam o convite. Alguns deles, como França, Reino Unido e Noruega já recusaram fazer parte do órgão em meio à tensão gerada pelas investidas de Trump sobre a Groenlândia, um território da Dinamarca.

Durante a cerimônia, Trump também voltou a louvar supostos feitos diplomáticos, ações militares e medidas econômicas do seu governo, como os conflitos que ele teria mediado e o fechamento da fronteira com o México. O republicano exaltou a operação de ataque a Caracas que capturou o então ditador do país, Nicolás Maduro.

O americano também voltou a criticar aliados da Otan, a aliança militar ocidental liderada pelos EUA que está no centro das rusgas recentes entre Washington e parceiros europeus.

O Brasil ainda avalia se participa do conselho. O trabalho da diplomacia brasileira desde que o presidente Lula recebeu o convite tem sido de conversar com países também convidados. Se por um lado a tradição diplomática brasileira busca equilíbrio e participação em espaços de diálogo internacional, por outro vê a iniciativa americana como uma tentativa de esvaziar a ONU como espaço legítimo de debate global.

Lula conversou por telefone na quarta-feira (21) com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que já aceitou participar do grupo. Segundo o Planalto, os líderes falaram sobre Gaza, mas não teriam abordado o tema do conselho de Trump.

Nesta quinta, o presidente brasileiro conversou por telefone com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, sobre a situação em Gaza.

VIA… NOTÍCIAS AO MINUTO   

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários são pessoais, é não representam a opinião deste blog.

Muito obrigado, Infonavweb!

Topo