googlefc.controlledMessagingFunction

Páginas

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Uso de óleo de canabidiol por crianças autistas traz melhora na sociabilidade, mostra estudo

Estudo com crianças e adolescentes aponta redução da agitação e melhora da sociabilidade com uso de óleo de canabidiol, embora pesquisadores ressaltem a necessidade de pesquisas maiores para confirmar os efeitos e a segurança do tratamento.

© Pixabay

(FOLHAPRESS) – O filho da gastrônoma catarinense Fernanda Alves de Araújo, 44, tinha cerca de 1 ano quando parou de falar. A mudança no comportamento de Mariano, autista e hoje com 10 anos, acendeu um alerta na família, que decidiu participar de um estudo conduzido por duas universidades de Santa Catarina com óleo de canabidiol (CBD).

Segundo a mãe, Mariano voltou a falar por volta dos 4 anos, e ela acredita que a melhora esteja relacionada ao uso do extrato da Cannabis. “Antes, ele não olhava no nosso rosto. O CBD o ajudou a enxergar melhor, a ter mais estímulos sociais, a conversar”, diz.

O menino é um dos 30 pacientes com transtorno do espectro autista (TEA), com idades entre 2 e 15 anos, acompanhados ao longo de 24 semanas por pesquisadores da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) e da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

“A principal melhora observada pelos pais é a redução da agitação psicomotora. As crianças ficam mais calmas, tranquilas e receptivas para enfrentar aulas e terapias”, afirma o médico Alysson Madruga de Liz, autor principal do estudo. “Também há melhora na sociabilidade. É importante destacar que não existe nenhuma medicação aprovada que auxilie diretamente na sociabilidade de crianças autistas, o que torna esse resultado muito relevante para o progresso terapêutico”, completa.

Liz assina o trabalho ao lado dos neurocientistas Paulo Bitencourt, professor da UFSC, e Rafael Mariano de Bitencourt, do Laboratório de Neurociência Comportamental da Unisul, com colaboração de pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, e da Universidade de Chieti-Pescara, na Itália. O artigo foi publicado em 31 de outubro na revista científica Clinical Neuropsychopharmacology and Addiction, especializada em neuropsicofarmacologia.

O principal objetivo da pesquisa foi identificar possíveis efeitos adversos associados ao uso do óleo de CBD, utilizado na forma líquida, com proporção de 14 partes de canabidiol para 1 de THC (tetrahidrocanabinol), o principal composto psicoativo da Cannabis. Ou seja, o produto contém traços mínimos de THC e maior concentração de CBD, substância associada ao controle da irritabilidade, melhora do sono, alívio de dores crônicas e inflamações, além do auxílio em quadros de ansiedade.

O óleo rico em CBD utilizado pelos pacientes foi fornecido pela Associação Brasileira de Acesso à Cannabis Terapêutica (Abraflor), organização sem fins lucrativos, e aprovado para uso medicinal no Brasil. Dos 30 participantes, 16 reduziram ou interromperam o uso de outros medicamentos, como a risperidona, substituindo-os pelo óleo. Entre os efeitos adversos observados, houve apenas aumento do apetite e, em alguns casos, maior nervosismo.

Apesar dos resultados, Liz ressalta as limitações do estudo. “Ainda carecemos de pesquisas com um número maior de participantes. Trata-se de uma medicação que segue em fase de testes, embora existam resultados relevantes publicados, principalmente desde 2020”, afirma.

Um dos estudos de referência na área foi publicado em 2021 por pesquisadores israelenses, em sua maioria ligados ao Shaare Zedek Medical Center, em Jerusalém. O trabalho acompanhou 150 crianças e adolescentes com TEA, de 5 a 12 anos, divididos entre grupos que receberam placebo ou óleos à base de Cannabis. Segundo os resultados, 49% dos pacientes que usaram o medicamento apresentaram melhora nos sintomas relacionados ao autismo, percentual considerado expressivo diante da inexistência de tratamentos farmacológicos estabelecidos para os sintomas centrais do TEA.

De acordo com Liz, a ausência de terapias medicamentosas eficazes leva ele e outros médicos a prescreverem canabidiol para crianças autistas, sobretudo em casos nos quais outras abordagens não apresentaram resultados satisfatórios, especialmente quando há agitação e agressividade.

Diante da escassez de estudos de grande escala, Rafael Mariano de Bitencourt, coautor da pesquisa, destaca a importância de observar o que ocorre na prática. “Muitas famílias já utilizam produtos à base de canabidiol de forma empírica”, afirma.

É o caso dos pais de Mariano, o engenheiro eletricista João de Araújo, 45, e Fernanda Alves de Araújo. Quando os testes foram realizados, o menino tinha 4 anos, já que há um intervalo entre a condução dos experimentos, a análise dos dados e a publicação científica.

“Sempre gostei de ler estudos para ter evidências mais concretas na escolha dos tratamentos do meu filho, e por isso aceitamos participar da pesquisa”, relembra Fernanda. Mariano interrompeu inicialmente outros medicamentos ao iniciar o uso do óleo de Cannabis, mas, em um período, deixou de responder ao canabidiol e voltou a utilizar fármacos convencionais. Atualmente, retomou o uso do CBD e reduziu novamente outros remédios.

“Não é uma questão de escolher entre o natural e o químico. É preciso olhar para o meu filho e entender o que ele precisa em cada momento”, conclui a mãe.

VIA… NOTÍCIAS AO MINUTO   

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários são pessoais, é não representam a opinião deste blog.

Muito obrigado, Infonavweb!

Topo