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sábado, 13 de junho de 2026

Kid Abelha realiza sonhos em noite de estreia em estádio lotado no Rio

Toller subiu ao palco com uma roupa futurista rosa e vermelha e de óculos coloridos e abriu o show com "Lágrimas e chuva", clássico de 1985, dando o tom da viagem musical de idas e vindas de hits.

© Reprodução
MARIANA MOREIRA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Até onde o sonho de ser uma banda pode chegar? O Kid Abelha provou na noite desta sexta-feira (12), na Farmasi Arena, em Jacarepaguá, no Rio, que não há limites quando se tem um repertório seguro, cativante e certeiro, e que atravessa quatro décadas conquistando públicos de diferentes gerações. Era fácil identificar essa combinação de 'eras' em pais, filhos e, talvez, avôs e avós, além de casais lgbtqiapn+ na plateia reunida para prestigiar o primeiro show da turnê "Eu tive um sonho", retorno do grupo após um hiato de 13 anos fora dos palcos.

Sob a direção de arte de Gringo Cardia, o show reuniu a vocalista e compositora Paula Toller, o guitarrista Bruno Fortunato e o sax inconfundível de George Israel, que também acompanha Toller no vocais e toca violão e bandolim celebrou o retorno com um estética de cores vibrantes, alternadas conforme as eras musicais do trio. A banda de apoio seguiu a roupagem clássica das músicas, sem muitos riscos, e contou com Gustavo Camardella na guitarra, violão e vocais, Adal Fonseca na bateria, Pedro Dias no baixo e Gê Fonseca nos teclados.

Toller subiu ao palco com uma roupa futurista rosa e vermelha e de óculos coloridos e abriu o show com "Lágrimas e chuva", clássico de 1985, dando o tom da viagem musical de idas e vindas de hits. Ao fundo, ilustrações pop em referência ao artista Roy Lichtenstein acompanharam a canção. Em seguida, foi a vez de "Nada tanto assim", composição de 1984 de Bruno Fortunato e de Leoni, que fez parte da primeira formação da banda, entre os anos de 1981 e 1985.

Ainda na atmosfera dos clássicos que consagraram o Kid como a mais pop banda de rock da década de 1980 vieram "No meio da rua" (1987), do álbum "Tomate", quando a banda carregava na alcunha "Kid Abelha e os abóboras selvagens", e na sequência outro clássico foi cantado com emoção por Toller "Educação sentimental II", faixa título do disco de mesmo nome, lançado em 1985.

Já com o público embarcado na primeira década de sucessos, os telões de led se transformaram em uma grande floresta psicodélica com cogumelos, relógios, onças e gnomos para anunciar a aguardada balada "Na rua, na chuva, na fazenda", composição de Hyldon de 1975 e eternizada na voz de Toller em 1996.

A troca de roupa da cantora para um figurino dourado com lantejoulas azuis anunciou um novo set misturado de clássicos e canções do século XXI, conhecidas por outra geração da arena. O trio tocou a dançante "Alice" (1984) e depois aquietou o público com a singela e emocionante "Amanhã" (1987), outra canção de Tomate e primeira parceria de Toller e Israel. O trecho final do hit foi marcado por um solo vibrante da guitarra de Fortunato.

Outro arranjo que ganhou destaque foi "Nada por mim", escrita por Toller e Herbert Vianna na década de 1980, chamou a atenção dos fãs pela cadência de bossa nova.

Sentada em um banquinho em um clima mais acústico, o trio tocou "Deus (apareça na televisão)", de 1993, e "Peito aberto" (2005), canção escolhida por voto popular para integrar o repertório. Já de pé e dançando, veio o hits dos anos anos 2000 "Eu contra a noite" (2001) e no "No seu lugar", de 1991, esta última cantada em tom de suave protesto, acompanhada por mensagens no telão ironizando a pecha de "banda pop" e " banda erótica", que marcou boa parte da carreira do grupo por conta do repertório considerado ousado e íntimo para a época.

HOMENAGEM AO BATERISTA BENI BORJA

Após um interlúdio com destaque para a percussão de Fonseca, Toller, Fortunato e Israel cantaram em coro com o público a música que dá nome à turnê. A animada "Eu tive um sonho" (1993) foi seguida de "Como é que eu vou embora" (1996) e de "Maio", que Toller dedicou ao fundador e primeiro baterista do Kid Abelha Carlos Beni Carvalho de Oliveira Borja (Beni Borja), em um dos poucos momentos que a cantora deu explicações acerca das escolhas afetivas do repertório.

"Garotos" (1985), "Seu espião" (1984), "Nada sei" (2002), "Todo meu ouro" (1990), "Te amo pra sempre" (1996) criaram o clímax do segundo ato, encerrado por Toller por "Grand Hotel" (1987), dedicada ao marido da cantora, Lui Farias. Ao perguntar "prontos para dançar?" Toller deu início ao último bloco do show com a explosiva "Fixação" (1984) e fez uma pausa rápida já emendada no bis com as agitadas "Como eu quero" (1995), "Os outros" (1985), "Fórmula do amor" (1985), "Por que não eu?" (1985) e encerrou com o coro vibrante cantando em uníssono cada verso do sucesso "Pintura íntima" (1983).

A próxima parada da turnê será no Allianz Parque, em São Paulo, em 27 de junho e depois segue para a Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em Salvador, em 11 de julho. Também estão programados shows em Brasília, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Florianópolis.

Antes da saída derradeira, Paula Toller deu de presente para a plateia a notícia de que em janeiro o trio pretende estar de volta à cidade. A depender dos fãs, já estão à espera de mais um bis.

VIA… NOTÍCIAS AO MINUTO  

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