Agravamento da crise da Oi chega ao Palácio do Planalto
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| © Nacho Doce/Reuters |
É a segunda vez que uma crise na Oi vai parar na mesa do presidente da República desde o início de 2017, quando a deterioração do caixa da companhia já indicava que seria necessário tomar uma medida drástica com a retomada da telefonia fixa pela União.
Diante da resistência do Planalto e da maioria do conselho da Anatel, a Oi sobreviveu quase um ano sob a sombra da intervenção até entrar em recuperação judicial, no início de 2018, com uma dívida de R$ 64,5 bilhões.
Na semana passada, o fantasma da intervenção voltou a assombrar depois que o conselho da Anatel foi informado de que, mesmo com o plano de recuperação em curso, o caixa da companhia será suficiente até fevereiro de 2020.
Assessores presidenciais afirmam que o assunto foi discutido pelo ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações), em audiência com Jair Bolsonaro nesta terça (20).
Inicialmente, estava prevista a reunião do presidente com o ministro Pontes e os conselheiros da Anatel, mas o encontro foi cancelado para dar lugar a um jantar do presidente com os ministros do TCU (Tribunal de Contas da União).
O governo é contrário a uma intervenção porque essa medida, considerada extremada, deve atrapalhar planos de investimentos de gigantes das telecomunicações no país.
Um dos interessados é a AT&T. Em troca de um alinhamento com o Brasil, o presidente Donald Trump pediu que Bolsonaro ajudasse a empresa americana a conseguir aval da Anatel para a compra da Time Warner, um negócio de valor global de US$ 85 bilhões que envolveu 18 países e só depende do Brasil para ser finalizado.
No entanto, não há como a transação ser aprovada sem uma modificação radical na lei da TV paga. Desde 2011, a legislação restringe a participação acionária cruzada entre produtores de conteúdo (como a Time Warner) e distribuidores (teles como a AT&T). Nenhum pode deter o controle, direto ou indireto, do outro.
Há algumas semanas, o deputado Eduardo Bolsonaro publicou vídeo em rede social defendendo a revisão da lei para que o caso da AT&T fosse aprovado. Nesta semana, o deputado esteve com os conselheiros da Anatel batendo na mesma tecla. No entanto, a agência nada pode fazer sem a mudança legal. Além disso, para que a Oi seja viável para a AT&T, ou qualquer outra tele, como a Vivo ou a Claro, será também necessário mudar o marco regulatório das telecomunicações.
Pelo projeto que tramita no Senado, os contratos de concessão poderiam ser trocados por outros semelhantes ao da telefonia celular, que deixam os investimentos e a gestão de recursos mais flexíveis, reduzindo custos.
Essa saída é defendida pela maioria do conselho da Anatel. No entanto, o conselheiro Vicente Aquino, responsável pelo processo de acompanhamento da Oi na agência, defende a intervenção ou a abertura de um processo de caducidade.
Na apresentação do conselho de administração da Oi ao conselho da Anatel, a projeção de receitas e despesas indica que o caixa da companhia vai secar completamente em fevereiro de 2020, caso não seja concluída a venda de ativos, como as torres de celular ou sua subsidiária em Angola.
Hoje, o caixa registra cerca de R$ 4 bilhões, e a Oi precisa de algo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões a mais para superar essa fase de estrangulamento dentro de um ano.
No conselho de administração da tele, o alarde em torno dessa situação causou surpresa porque, segundo pessoas que participaram da reunião, o estrangulamento do caixa no curto prazo está previsto no plano de recuperação.
Logo que o plano passou a ser implementado, a companhia decidiu fazer investimentos na rede de fibra óptica, retomando desembolsos que não ocorriam desde 2017. Sem isso, haverá degradação da qualidade do serviço e atraso tecnológico.
Em fevereiro deste ano, os acionistas injetaram R$ 4 bilhões na companhia, investimento que só deve dar retorno depois de cinco anos.
Diante do atraso na venda de ativos, o que a companhia estuda é um novo desembolso de recursos pelos acionistas de até R$ 2,5 bilhões. O juiz da recuperação já deu autorização. Outra saída seria emissão de papéis de dívida, mas seria a última da fila.
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