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sábado, 31 de janeiro de 2026

Cidade de SP vai na contramão do estado e registra alta de homicídios em 2025

Além da capital, cidades como Suzano, Lorena, Ubatuba e Itapetininga estão entre aquelas em que o número de homicídios dolosos -ou seja, com intenção cresceu no ano passado. No interior como um todo, o dado observado também foi de queda. No estado, os registros passaram de 2.630 vítimas para 2.527, o menor indicador da série histórica, iniciada em 2001.

Imagem de NestoR019 por Pixabay

PAULO EDUARDO DIAS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cidade de São Paulo registrou alta de 6% nos crimes de homicídios dolosos na comparação entre os anos de 2024 e 2025. A tendência ocorre na contramão do cenário observado no estado, que viu cair em 4% a quantidade de vítimas de assassinatos no mesmo período. Os dados da Secretaria da Segurança Pública foram divulgados nesta sexta-feira (30).

Além da capital, cidades como Suzano, Lorena, Ubatuba e Itapetininga estão entre aquelas em que o número de homicídios dolosos -ou seja, com intenção cresceu no ano passado. No interior como um todo, o dado observado também foi de queda. No estado, os registros passaram de 2.630 vítimas para 2.527, o menor indicador da série histórica, iniciada em 2001.

Na capital, boa parte dos 530 homicídios do ano passado esteve concentrada na zona sul, a mais populosa da cidade. Delegacias do Capão Redondo, Campo Limpo e Jardim das Imbuias viram as notificações de óbito crescer. Um exemplo é o caso do 37° DP (Campo Limpo), onde dobrou o número de pessoas assassinadas de um ano para o outro.

Lá, em 2023, 26 pessoas morreram. As investigações apontaram que algumas delas foram assassinadas após briga entre dois grupos rivais: membros do PCC e de uma organização local denominada Pés de Pato. O embate teve como motivo pontos de tráfico e o gatonet, nome dado a ligações clandestinas de TV a cabo.

Uma força-tarefa que reuniu policiais daquela delegacia e do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) identificou e prendeu suspeitos, o que resultou numa paz forçada, segundo um dos agentes ouvidos. Os assassinatos desabaram no ano seguinte, quando nove homicídios foram reportados. Entretanto, as mortes voltaram a subir em 2025, quando 18 ocorrências foram registradas.
Investigadores ouvidos descartam o retorno do conflito e apontam casos como brigas de bar, dívidas por drogas, atritos entre vizinhos. As cenas de crime espalhadas pela cidade, conforme um perito, geralmente são isoladas e preservadas para os trabalhos da perícia, algo importante na tentativa de esclarecimento do delito.

Em Suzano, na região metropolitana, o crescimento chegou a 93%, passando de 14 para 27 mortos. Em Lorena, cidade encravada no Vale do Paraíba, o número de vítimas subiu 35% (passou de 20 vítimas para 27).

Localizado na divisa com o Rio de Janeiro, o Vale do Paraíba concentra diversos municípios com alta na quantidade de vítimas de assassinato. Destaque para São José dos Campos onde houve dez mortes a mais e Ubatuba, com 11 assassinatos.

Algumas das mortes na região, conforme apurações do Ministério Público e da Polícia Militar, são investigadas como possível disputa entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). Entre essas ocorrências está a morte de dois homens em Ubatuba, em dezembro. Para a polícia, o conflito geolocalizado teria como pano de fundo o interesse estratégico pelo porto de São Sebastião.

Coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, Rafael Rocha diz que a tendência de recuo no estado é algo observado nos últimos anos, com algumas flutuações de alta na casa de 1%, não sendo algo inédito da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Para ele, a atual administração focou no policiamento ostensivo, contra os crimes patrimoniais, o que é necessário, mas que tal situação não possui um impacto tão grande nos assassinatos.

"O homicídio é um crime que muitas vezes não tem uma lógica econômica. O latrocínio [roubo seguido de morte] tem. Mas o homicídio pode ser um assassinato de pessoas próximas, um homicídio de proximidade, de um vizinho, uma briga de trânsito, pode ser algo relacionado ao crime, pode ser um desentendimento de uma briga aleatória de pessoas na rua, pode ser várias dinâmicas".

Conforme Rocha, o governo tem colocado a Polícia Civil num lugar de menor prestígio, ainda que o atual secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, que assumiu em dezembro passado, seja um delegado de carreira.

"Você tem uma gestão estadual da segurança pública que não preza pela investigação, e tem dinâmicas criminais diversas".
Empresário foi encontrado morto em Interlagos

Um exemplo de homicídio em 2025 foi a morte do empresário Adalberto Amarílio dos Santos Junior, 35. O corpo dele foi encontrado no dia 3 de junho em um buraco no autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo, um dos mais conhecidos do planeta.

Junior estava desaparecido desde o dia 30 de maio, quando foi ao local para acompanhar um evento de motocicletas. O caso é investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). A suspeita é que ele tenha sido morto após se envolver em uma confusão com seguranças terceirizados que trabalhavam naquele dia.

Fernanda Dandalo, 35, viúva de Adalberto, segue à espera de uma resposta que possa identificar o autor ou os autores e confortar a família. "Meu marido pagou por um evento e foi morto lá dentro, sem segurança nenhuma no local", afirma. Nada foi roubado. Carteira, dinheiro e cartões estavam com a vítima. O empresário foi encontrado sem calça e sem os calçados. Ele estava de pé, com um capacete colocado sobre a cabeça.

O laudo do Instituto Médico Legal apontou que Junior foi asfixiado, confirmando o homicídio. Naquele dia, cerca de 200 vigilantes atuaram no evento. "São quase oito meses de uma angústia sem fim. Reviver o dia 3 de junho de 2025 todos os dias tem sido cruel e injusto com a família. Sabemos do empenho da polícia, mas ainda não temos os culpados pagando pelo que fizeram", disse Fernanda.

"A indignação da família é a de cada brasileiro que sai de casa para um passeio e não volta mais. Sem motivo, sem qualquer explicação de ninguém. O maior estado do país sem garantir o mínimo de segurança ao cidadão honesto pagador de impostos."

Procurada, a SSP se limitou a dizer que as investigações seguem em andamento.

VIA… NOTÍCIAS AO MINUTO   

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