Adquirido por Edir Macedo em 2020, o Digimais saiu do foco em financiamento de veículos para diversificar operações, mas passou a enfrentar dificuldades financeiras, registrou prejuízo milionário e se tornou alvo de investigações da Polícia Federal sobre supostas fraudes contábeis
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| © Reprodução/Redes |
Banco Digimais, alvo da Operação Miragem da Polícia Federal nesta terça-feira (23), foi adquirido pelo bispo Edir Macedo em 2020. Antes da mudança de controle, a instituição operava sob o nome Banco Renner e pertencia à família fundadora da tradicional rede varejista gaúcha.
Segundo pessoas próximas ao negócio, o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Record pretendia utilizar a instituição para concentrar parte das operações financeiras ligadas ao seu grupo empresarial e religioso.
Após a aquisição, o banco passou a se chamar Digimais, transferiu sua sede do Rio Grande do Sul para São Paulo e colocou o bispo João Luiz Urbaneja na presidência da instituição.
Na época, a principal atividade do banco era o financiamento de veículos. Sob a nova gestão, a estratégia foi ampliada para incluir a compra de carteiras de crédito e operações com títulos e valores mobiliários. Dados do Banco Central mostram que, em março de 2026, o Digimais possuía cerca de R$ 10 bilhões em ativos.
Mais recentemente, a instituição também passou a atuar no mercado de crédito consignado, incluindo contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo. Ainda assim, a maior parte da carteira de crédito, estimada em R$ 1,57 bilhão, continua concentrada no financiamento de veículos.
Apesar da expansão, os resultados financeiros passaram a mostrar sinais de deterioração. No primeiro trimestre de 2026, o banco registrou prejuízo líquido de R$ 108,3 milhões. Em 2025, havia reportado lucro de R$ 31 milhões.
Nos últimos anos, Edir Macedo precisou realizar aportes financeiros para sustentar a operação, ao mesmo tempo em que buscava alternativas para vender a instituição.
Um dos sinais das dificuldades enfrentadas pelo banco foi a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade de até 130% do CDI, percentual acima da média praticada pelo mercado e que despertou preocupação entre analistas.
Em janeiro de 2025, o empresário Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, chegou a anunciar a compra do Digimais. O acordo previa uma injeção de R$ 800 milhões na instituição, mas acabou sendo cancelado dois meses depois, em meio ao avanço das investigações envolvendo Quadrado.
Na tentativa de reorganizar o banco e facilitar uma futura venda, Macedo promoveu mudanças na administração. Desde o fim de 2025, a presidência executiva está sob o comando de Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras. Já João Luiz Urbaneja passou a presidir o conselho de administração.
Em abril deste ano, o BTG Pactual anunciou a assinatura de um acordo para aquisição do Digimais. A informação foi divulgada pelo banco em comunicado ao mercado. Procurado nesta terça-feira, o BTG informou que não comentaria o caso.
Segundo apurou a Folha de S.Paulo, a conclusão da operação depende de negociações adicionais, incluindo um possível apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para viabilizar a transação. Outras instituições financeiras também demonstraram interesse no Digimais e poderiam participar de um processo competitivo de venda.
No comunicado divulgado ao mercado, o BTG afirmou que a disputa tem como objetivo estabelecer um valor de referência para a alienação integral das ações do banco. A operação ainda depende de aprovações do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Nos bastidores do setor financeiro, a venda é vista como uma alternativa para evitar uma eventual liquidação do Digimais. Nesse cenário, o FGC teria de cobrir integralmente os depósitos garantidos. Com a aquisição por outra instituição, a expectativa é reduzir eventuais perdas para o fundo.
Raio-X do Digimais (1º trimestre de 2026)
• Fundação: 1981
• Prejuízo líquido: R$ 108,3 milhões
• Patrimônio líquido: R$ 804 milhões
• Principais concorrentes: Santander, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Nubank
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