O volume representará também um crescimento de 2,8% em relação a 2024, quando transitaram pelo porto 179,8 milhões de toneladas. A avaliação é que o número de navios atracados tenha sido, em 2025, superior aos 5.557 do ano anterior.
ALEX SABINO druckfuchs por Pixabay
SANTOS, SP (FOLHAPRESS) - A APS (Autoridade Portuária de Santos) estima que o porto de Santos bateu recorde de movimentação pelo nono ano consecutivo, com 185 milhões de toneladas movimentadas em 2025, de acordo com cálculos preliminares. Se confirmada, será a maior marca da história do principal complexo portuário da América Latina.
O volume representará também um crescimento de 2,8% em relação a 2024, quando transitaram pelo porto 179,8 milhões de toneladas. A avaliação é que o número de navios atracados tenha sido, em 2025, superior aos 5.557 do ano anterior.
A última vez que o porto de Santos viu um decréscimo no volume foi em 2016, quando recuou de 119,9 milhões para 113,8 milhões de toneladas.
Nos últimos cinco anos, o crescimento acumulado foi de 7%, afirma a APS.
Os recordes se repetem apesar das críticas de empresários do setor quanto a problemas de infraestrutura, vias de acesso deficientes, demora para atracação e a necessidade de aumentar a profundidade do canal.
São avaliações que o presidente da Autoridade, Anderson Pomini, considera pontuais e que não refletiriam a visão geral do porto.
"É algo exclusivamente setorial. Quem pesquisar todas as cargas, não terá esse sentimento. A reclamação de algumas empresas acontece porque o próprio mercado seleciona qual carga proporciona o maior retorno econômico", diz ele. O raciocínio é que as movimentações de menor valor agregado não encontram a mesma prioridade nos terminais.
Segundo Pomini, Santos uma estrutura diferente dos demais complexos portuários mais importantes do mundo por ser é multipropósito. Ou seja, não recebe apenas contêineres ou as chamadas "cargas soltas". O porto transporta e armazena tudo.
Ainda de acordo com a APS, em 2025 foram investidos R$ 2 bilhões em obras na região. A previsão é de mais R$ 9 bilhões entre 2026 e 2028.
INVESTIMENTOS
Em documento apresentado no final do ano passado, a APS listou os investimentos que devem ser realizados entre o final de 2026 e 2028. Entre eles, estão obras no acesso à margem direita do porto, dois novos viadutos, construção da avenida perimetral, na margem esquerda (Guarujá), incentivos para a descarbonização do setor, aprofundamento do canal para 16 metros, e leilão de novo terminal de granéis.
Apesar de não ser uma obra portuária, o túnel entre Santos e Guarujá vai ligar as duas margens do porto.
Há também planos, como publicado para a Folha, de fazer a concessão da usina de Itatinga para a produção de hidrogênio verde pela iniciativa privada.
"Nosso desafio é comprovar que um porto público pode ter a eficiência que o mercado tem", afirma Pomini.
Considerado a joia da coroa das concessões, o Tecon 10, o megaterminal no bairro do Saboó, em Santos, será leiloado em breve. Após a modelagem recomendada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), o governo federal espera realizar o certame em março deste ano.
O novo terminal deve entrar em operação em 2027. Quando atingir a capacidade máxima, em 2034, a previsão é que movimente 50% da da carga total do porto. Os planos iniciais para esta nova estrutura foram realizados em 2013.
A estimativa da entidade é que com a entrada em operação do megaterminal, o porto fique entre os 20 maiores do planeta na "Lloyd's list", uma das publicações portuárias mais antigas do mundo, lançada em 1734, e que analisa dados marítimos e portuários.
No ano passado, Santos subiu da 43ª para a 37ª posição. É a única estrutura portuária brasileira entre as 100 primeiras.
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