O chanceler Abbas Araqchi afirmou que o país mantém a situação sob controle após protestos violentos, acusou declarações do presidente dos EUA de incentivar ataques e disse que o Irã está preparado tanto para um confronto militar quanto para negociações diplomáticas.
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Segundo Araqchi, advertências feitas pelo presidente norte-americano Donald Trump, que condicionou uma possível ação militar ao agravamento da repressão, teriam incentivado “terroristas” a promover ataques contra manifestantes e forças de segurança, numa tentativa de criar o cenário que justificaria uma intervenção externa. “Estamos prontos para a guerra, mas também para o diálogo”, afirmou o chanceler, ao sinalizar que Teerã não descarta negociações diplomáticas.
O ministro também informou que o serviço de internet, suspenso em grande parte do país desde a quinta-feira passada, será restabelecido gradualmente em coordenação com as autoridades de segurança. O bloqueio, segundo organizações independentes de monitoramento digital, já ultrapassa 80 horas e dificulta a verificação independente do número de mortos e presos.
Do lado norte-americano, Trump voltou a endurecer o discurso. Na sexta-feira (9), afirmou na Casa Branca que os EUA podem intervir caso o regime iraniano passe a “matar pessoas” durante os protestos. “Vamos atingi-los com muita força onde mais dói”, declarou, dizendo acompanhar de perto os desdobramentos no país. No sábado, o presidente reforçou as ameaças ao afirmar que o Irã “busca liberdade” e que os norte-americanos estariam “prontos para ajudar”.
No domingo (11), Trump acrescentou um novo elemento ao afirmar que Teerã teria procurado Washington para discutir um possível acordo nuclear, após a escalada da crise interna. Segundo ele, há conversas iniciais para marcar uma reunião, embora tenha alertado que uma ação pode ocorrer antes, diante do aumento de mortes e prisões. O chanceler iraniano, porém, não comentou essa possibilidade nas declarações desta segunda-feira.
A tensão ocorre em um contexto já marcado por disputas nucleares. Em 2017, Trump retirou os EUA do acordo que limitava o programa nuclear iraniano em troca do fim de sanções econômicas. Desde então, o Irã retomou o enriquecimento de urânio acima dos níveis necessários para geração de energia. Em junho de 2025, instalações de pesquisa nuclear iranianas foram bombardeadas pelos EUA, em meio ao conflito envolvendo Teerã e Israel.
Organizações de direitos humanos relatam um cenário grave no país. A HRANA, com sede nos Estados Unidos, estima ao menos 538 mortos, entre eles 490 manifestantes e 48 policiais, além de mais de 10,6 mil pessoas presas. Outras ONGs também denunciam o uso de munição real contra protestos. O governo iraniano não divulga balanços oficiais regulares e acusa Estados Unidos e Israel de se infiltrarem nos atos e fomentarem a violência.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian pediu que a população se afaste do que chamou de “terroristas e baderneiros” e afirmou estar disposto a ouvir reivindicações da sociedade, ao mesmo tempo em que acusou Washington e Tel Aviv de “semear o caos”. Já o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, advertiu que qualquer ataque ao Irã teria como resposta retaliações contra Israel e bases militares norte-americanas no Oriente Médio.
Nos bastidores, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiu o cenário iraniano com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, segundo a agência Reuters. Enquanto isso, a internet segue restrita no país, ampliando o isolamento do Irã em meio à maior onda de protestos desde 2009 e a um cenário de crescente risco de escalada internacional.
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