Salles foi alvo de busca e apreensão da PF em 2021 em uma investigação sobre crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando que teriam sido praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro
| Marcelo Camargo/Agência Brasil |
O ministro Alexandre de Moraes acolheu, em 27 de agosto, o pedido da PGR (Procuradoria-geral da República) e definiu a competência do Supremo para julgar Salles.
"Está configurada a competência do Supremo Tribunal Federal para processar e julgar os fatos objetos da ação penal, uma vez que as infrações foram praticadas durante a gestão de Ricardo de Aquino Salles, enquanto Ministro de Estado do Meio Ambiente, e guardam estrita relação com as funções desempenhadas", diz na decisão.
Salles é um dos 22 acusados na denúncia. Procurado pela reportagem, o ex-ministro apenas comentou que "a denúncia já tinha sido recebida em primeira instância, tendo sua competência sido deslocada para o STF em razão do novo entendimento acerca do foro, desde março deste ano".
No pedido aceito por Moraes, a PGR argumentou que Salles deveria ser julgado no Supremo, já que a nova jurisprudência do STF determina a manutenção da prerrogativa de foro mesmo após o afastamento do cargo.
A Justiça Federal no Pará já havia tornado réu o ex-ministro do Meio Ambiente, em 2023. Na época, Salles classificou a denúncia como absurda. "Ignora as provas e testemunhos colhidos pela PF no inquérito. Tenho certeza de que o Judiciário vai recolocar as coisas no seu devido lugar."
O relatório da Justiça afirmava que o grupo, segundo a denúncia, emitia "certidões e ofícios em desacordo com as orientações técnicas da equipe da instituição [Ibama], com o fito de liberar madeira apreendida nos Estados Unidos".
A gestão de Salles, de acordo com as investigações, praticou atos normativos "para dar ares de legalidade a exportações de madeira em desacordo com as instruções normativas vigentes".
Ele foi alvo de busca e apreensão da PF em 2021 em uma investigação sobre crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando que teriam sido praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.
Foi em meio às investigações por favorecimento ao setor madeireiro que Salles pediu demissão do cargo de ministro, em junho de 2021.
A atuação de Salles, de acordo com o documento, passava por nomear servidores para representar interesses privados e exonerar aqueles que tentavam combater a exportação ilegal.
Era ele quem, pela denúncia, se reunia com integrantes do setor e ordenava alterações em normas no âmbito do Ibama para permitir "a exportação de diversas cargas de madeira nativa sem autorização da autarquia ambiental".
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