Primeiro-ministro búlgaro minimiza problema em GPS após sites de aviação e redes sociais contestarem versão de sabotagem; porta-voz da UE afirma que sistema de navegação foi afetado, mas não repete sugestão de um ataque híbrido ordenado pelo Kremlin
| Valter Campanato/Agência Brasil |
Em quatro dias, ela visitou sete países que fazem fronteira ou estão na órbita de propalados ataques híbridos de Moscou. Foi a maior e mais ostensiva ofensiva diplomática de Von der Leyen desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 2022, dias depois da tentativa de mediação do conflito promovida pelo presidente americano, Donald Trump, mostrar-se um fracasso.
O incidente ocorreu no domingo (31), quando a aeronave fretada de Von der Leyen perdeu o sistema de navegação no ar e, segundo o relato do jornal britânico, teria apelado até a mapas de papel para conseguir pousar em Plovdiv, na Bulgária.
"Podemos confirmar que houve bloqueio do GPS, mas o avião pousou em segurança. Recebemos informações das autoridades búlgaras de que elas suspeitam que isso tenha sido causado por uma interferência flagrante da Rússia", declarou um porta-voz da União Europeia na esteira da publicação da notícia.
Sites de aviação e aplicativos que monitoram voos, porém, logo começaram a contestar a versão. Segundo dados divulgados pelo Flightradar24, o voo de Von der Leyen não teria perdido o sinal de GPS e seu atraso teria sido de apenas nove minutos, em forte contraste ao relato publicado pelo jornal britânico, segundo o qual o piloto circulou a região do aeroporto por uma hora antes de decidir pousar.
Autoridades búlgaras, que chegaram a confirmar o incidente na segunda, relataram depois que o controle de tráfego aéreo local ofereceu sistemas alternativos, segundo documento obtido pelo site Político. O primeiro-ministro do país, Rosen Zhelyazkov, acabou minimizando ainda mais o ocorrido ao declarar que o problema não seria investigado, "pois não foi ataque híbrido ou cibernético".
Os relatos contraditórios ganharam muita repercussão nas redes sociais, em que Von der Leyen é alvo frequente de populistas e da extrema direita europeia, parte dela bastante próxima a Moscou. Em julho, a conservadora alemã sobreviveu com folga a uma moção de censura no Parlamento Europeu, mas uma nova tentativa já está em gestação para os próximos meses.
Pressionada por jornalistas, a chefe de imprensa da UE, Paula Pinho, buscou sustentar as declarações anteriores de sua equipe, afirmando que "houve interferência no GPS". A acusação direta à Rússia, porém, foi substituída por uma menção mais genérica de que episódios de interferência em sistemas de navegação "cresceram notavelmente" desde o advento da guerra na Ucrânia.
Na segunda-feira, Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, declarou ao Financial Times que a informação "era um erro". O episódio constrange o bloco em uma semana de acirramento retórico. Nesta sexta-feira (5), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que forças ocidentais de paz, plano propagado por Von der Leyen e Emmanuel Macron, entre outros, serão consideradas "alvo legítimo" na Ucrânia.
Agências europeias de aviação informaram que iniciaram uma investigação sobre a interferência no voo da comitiva da UE, mas que ainda aguardam informações das autoridades búlgaras.
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