Grupo, segundo acusação, organizava encontros, como jantares e festas, para induzir mulheres a situações de exploração. OUTRO LADO: defesa de Fabrício Marcelo Silva de Castro Junior diz que recorrerá de 'absurdo jurídico'; reportagem não identificou quem representa Mark Thomas Firestone
![]() |
| © Pixabay |
Os condenados são o norte-americano Mark Thomas Firestone e o brasileiro Fabrício Marcelo Silva de Castro Junior. Um terceiro acusado, o chinês Ziqiang Ke, não foi julgado neste processo. Na decisão consta que ele não foi localizado, teve o caso desmembrado e o processo está suspenso.
O advogado Nairo Bustamante Pandolfi, que representa Fabrício, afirmou que recebeu a condenação "com inconformismo", embora sem surpresa, e criticou a atuação do juízo. Segundo ele, houve "posição de parcialidade", com episódios de cerceamento da defesa e violação de prerrogativas.
Ainda conforme a defesa, as provas do processo não demonstrariam a prática de crime por parte do réu. "Iremos, sem dúvidas, recorrer desse absurdo jurídico para reverter a decisão o quanto antes", disse. A reportagem não identificou quem realiza a defesa de Mark no processo.
A condenação atende a uma denúncia do Ministério Público Federal, apresentada após investigação da Polícia Civil paulista. O caso ganhou repercussão após reportagens levarem a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) a comunicar os fatos à Polícia Federal, o que deu início às apurações.
Segundo o processo, os crimes ocorreram no contexto de um programa chamado Millionaire Social Circle, divulgado como curso de desenvolvimento pessoal voltado a homens estrangeiros com dificuldades de relacionamento.
As investigações apontaram que o grupo organizava encontros, como jantares e festas, para induzir mulheres a situações de exploração sexual, com promessas indiretas de vantagens econômicas, posição social e relacionamentos afetivos.
O principal episódio analisado ocorreu em 26 de fevereiro de 2023, em uma casa de alto padrão no Morumbi. Segundo a denúncia, o evento foi estruturado para atrair principalmente mulheres, com convites gratuitos, transporte por aplicativo pago, bebidas liberadas e registro intenso de imagens, depois divulgadas em redes sociais ligadas ao curso.
O Ministério Público destacou como agravante a presença de adolescentes, incluindo ao menos uma jovem de 17 anos. Relatos de vítimas e testemunhas indicam que não houve controle efetivo de idade na entrada, apesar de a organização afirmar que o evento seria restrito a maiores de 18 anos.
Na sentença, o juiz federal Caio José Bovino Greggio apontou que as mulheres foram retratadas como "resultados" das técnicas ensinadas aos participantes e que havia um ambiente previamente planejado para favorecer interações de natureza sexual.
"Constatadas a autoria e a materialidade, evidenciou-se também o dolo dos acusados, na medida em que, agindo com ardil, induziram e atraíram as vítimas a este esquema transnacional de exploração sexual", afirmou o magistrado.
Para o juiz, houve atuação coordenada entre os envolvidos. Firestone foi apontado como um dos líderes do esquema, responsável pela condução do curso, enquanto Castro Junior atuava na organização logística, incluindo a locação do imóvel e contratação de serviços.
Ambos foram condenados a cumprir pena em regime inicial fechado, além do pagamento de multa. O brasileiro teve a prisão preventiva mantida, sob justificativa de risco de fuga e descumprimento de medidas cautelares. Já o norte-americano poderá recorrer em liberdade.
Com o avanço das investigações em solo brasileiro, o Millionaire Social Circle parou de produzir vídeos e publicá-los em seu perfil no YouTube; o último foi ao ar dez meses atrás. Os conteúdos gravados em São Paulo também foram apagados.
VIA… NOTÍCIAS AO MINUTO

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Os comentários são pessoais, é não representam a opinião deste blog.
Muito obrigado, Infonavweb!