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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Netanyahu diz que não recuará até Hamas se desarmar, e Qatar acusa Tel Aviv de atrasar paz

Conselho de Paz criado por Trump afirma que acordo prevê desarmamento com retirada progressiva de tropas. Fala de premiê levanta dúvidas sobre pacto anunciado por americano e confirmado por grupo terrorista na quinta (30)

Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, rejeitou nesta terça-feira (4) o recente acordo com o Hamas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que Israel não recuará de suas posições em Gaza até que o grupo terrorista esteja totalmente desarmado.

O americano havia anunciado na semana passada que o Conselho da Paz, grupo criado por ele para negociar um acordo definitivo ao fim do conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, havia chegado a um acordo para desarmamento da facção palestina.

As novas declarações de Netanyahu, no entanto, suscitam novas dúvidas sobre o avanço anunciado por Trump. O acordo previa que o Hamas iniciasse o desarmamento e que Israel suspendesse os ataques e começasse a retirar-se dos cerca de 60% do território de Gaza que controla atualmente.

Autoridades do Hamas, sob condição de anonimato, confirmaram na semana passada à agência de notícias AFP que o acordo havia sido concluído. Eles disseram que apenas o comitê tecnocrático que governará Gaza teria autoridade para contabilizar e apreender as armas do grupo. O Hamas aceitou o desarmamento, condicionando-o à saída das forças do Estado judeu de Gaza.

Nesta terça, porém, Netanyahu reiterou sua posição de que o desarmamento deve ocorrer primeiro, antes de qualquer remoção de tropas. Ele afirmou que as forças israelenses continuarão a "fazer o que for necessário para proteger a si mesmas, nosso território e nossos cidadãos".

O premiê afirmou que o governo Trump "enviou uma minuta" a seu gabinete. "Nós não concordamos. Não é a nossa minuta. Enviamos nossos comentários... Essa é a nossa posição", disse o israelense em um vídeo publicado nas redes sociais.

Em meio ao impasse, o Qatar, país mediador no conflito, acusou o governo Netanyahu de atrasar a aplicação do plano de paz para a Faixa de Gaza. "A intensificação dos bombardeios israelenses nos últimos dias", sobre Gaza, "não passa de uma tentativa de descarrilar a aplicação do plano e de bloquear as soluções pacíficas para o conflito", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catari, Majed Al Ansari.

O Conselho de Paz de Trump, encarregado de implementar a segunda fase do plano de paz em Gaza, assegurou a Netanyahu que o Exército de Israel não se retiraria do território palestino até o desarmamento total do Hamas. O texto vincula o desarmamento da facção a uma retirada progressiva das tropas israelenses de Gaza.

O colegiado afirmou no X que "a retirada das Forças de Defesa de Israel além da linha amarela não ocorrerá até que o desarmamento esteja completo, como o Hamas se comprometeu com os mediadores", em referência à linha de demarcação entre a área ocupada pelos israelenses, que abrange mais de 60% de Gaza, e o restante do território. Em uma primeira versão, posteriormente corrigida, mencionava-se uma "retirada total" das forças.

Ministros israelenses de extrema direita exigiram uma votação do governo para anular o acordo, afirmando que ele não refletia o que havia sido discutido inicialmente.

Na segunda, Qatar, Egito e Turquia, todos mediadores da trégua, também emitiram um comunicado criticando Israel, depois que novos bombardeios no território palestino mataram cerca de 20 pessoas.

Em declaração conjunta, o trio condenou "as violações contínuas" de Israel em Gaza, "em particular o ataque a centros e infraestruturas de saúde e as vítimas entre a população civil, incluindo mulheres e crianças". Essa situação representa "uma violação flagrante do direito internacional e do direito internacional humanitário", acrescentou o texto.

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