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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Dólar fecha em alta com avanço do petróleo e cenário político em foco; Bolsa recua

Petróleo atinge US$ 109 e aumenta cautela de investidores, pressionando ativos locais. Eleições presidenciais e crise no STF também se mantêm no radar durante o pregão

Imagem de Barta IV por Pixabay

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar fechou em alta de 0,48%, a R$ 5,148, nesta segunda-feira (14), com o forte avanço do petróleo no exterior aumentando a cautela entre investidores e pressionando ativos de mercados emergentes.

Durante o pregão, o comportamento da moeda americana espelhou o do exterior e chegou a R$ 5,182, alta de 1,15%, na máxima do dia. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, subiu 0,27%.

A Bolsa, por outro lado, recuou 0,91%, a 185.500 pontos com as ações de petrolíferas em alta, na contramão da maior parte dos papéis.

A cautela no pregão, segundo analistas, teve origem no exterior. Ataques de drones atingiram um oleoduto na Arábia Saudita e levaram à suspensão temporária das operações da instalação.

O episódio se soma ao avanço dos houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, que confirmou o lançamento de "dezenas de mísseis balísticos e drones" contra alvos militares no sul da Arábia Saudita. Na semana passada, o grupo havia anunciado o controle da cidade de Mocha, considerada estratégica para o escoamento de petróleo saudita pelo estreito de Bab el-Mandeb.

A escalada aumenta os riscos para as exportações da Arábia Saudita pelo Mar Vermelho, após a obstrução do estreito de Hormuz. Antes do conflito, Hormuz era responsável pela circulação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

A tensão também levou os Estados do Golfo a adiar uma reunião sobre a gestão do estreito de Hormuz. O encontro seria o primeiro, em quase dois anos, entre os principais diplomatas dos seis integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo -Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Omã e Bahrein- e o chanceler iraniano.

Durante o pregão desta segunda-feira, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, avançou 4,90%, a US$ 109,74, na máxima do dia. Por volta das 17h, a commodity subia 1%, a US$ 105,67.

Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercados da StoneX, investidores demonstraram preocupação com a redução das exportações sauditas de petróleo pelo Mar Vermelho.

"Devemos observar, a partir da próxima semana, uma redução significativa dos volumes de petróleo saudita escoados pela via marítima. Tivemos o adiamento das conversas entre Irã e países do Golfo nesta segunda, muito por conta dos ataques à infraestrutura saudita. As expectativas são de que haja uma extensão do menor nível de exportação de produtos pelo Golfo Pérsico", afirma.

O comportamento difere do observado nas últimas semanas, quando a alta do petróleo impulsionou os ativos domésticos. O avanço da commodity melhora as perspectivas de receita e rentabilidade das empresas produtoras, além de favorecer o fluxo estrangeiro para as ações brasileiras.

Nesta segunda, contudo, as petroleiras avançaram, em grande medida, isoladamente, sem conseguir impulsionar a Bolsa como um todo.

Segundo Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos, a expressiva alta do petróleo alimentou temores inflacionários. "É uma questão de remédio e veneno. O petróleo mais alto faz a Petrobras, que representa boa parte do Ibovespa, valorizar. Mas um petróleo muito alto tem impacto sobre a inflação."

A perspectiva de inflação mais alta aumenta a cautela dos investidores diante da possibilidade de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a pressionar ativos de risco.

Segundo o Boletim Focus desta segunda-feira, a previsão é de que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, métrica oficial da inflação) encerre 2026 em 4,90%. O índice ainda está acima do teto da meta de 3%, de 4,5%, considerando a tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Nos Estados Unidos, o mercado também passou a considerar os efeitos da alta do petróleo sobre a política monetária. Para esta semana, a expectativa é de que a escalada do conflito e a pressão sobre os preços da commodity sejam levadas em conta na decisão do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA). O mercado prevê que a instituição eleve a taxa de juros para a faixa de 3,75% a 4%, ante os atuais 3,5% a 3,75%.

No Brasil, a expectativa é de que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduza a Selic para 13,75%, ante os atuais 14%.

A política brasileira também continuou no radar dos investidores, com sinais eleitorais mistos. Na pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (11), após o fechamento do mercado, Lula apareceu numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, com 39% a 35%, e no segundo, com 46% a 44%.

Já na pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, Flávio apareceu numericamente à frente de Lula pela primeira vez no segundo turno, com 42% contra 40%.

A disputa eleitoral também se relaciona à crise do STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro.

A divulgação do conteúdo levou a novos desdobramentos no tribunal, incluindo o afastamento de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e de André Mendonça, relator dos casos do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) do caso que apura a ligação entre o ministro e Vorcaro. Nesta terça-feira (15), está prevista uma sessão sobre a atuação de Moraes e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A interpretação predominante no mercado é de que o desgaste do STF pode favorecer mais a campanha de Flávio Bolsonaro do que a de Lula, uma vez que o senador é historicamente crítico ao Supremo e usa esse discurso para defender o impeachment de ministros da corte.

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