O julgamento ocorre cinco anos depois da morte da criança e deve durar uma semana
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| © TJ RS/Divulgação |
O julgamento ocorre cinco anos depois da morte da criança e deve durar uma semana. O pai de Bernardo, a madrasta e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz respondem pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsificação ideológica.
"[Ele tinha] um grau de personalidade muito forte. Se ele queria uma coisa, tinha que ser agora, ele insistia", disse o pai.
Boldrini ainda falou que o filho "não era assíduo" na catequese [ele era coroinha] e que não foi à primeira comunhão do garoto porque tinha um outro compromisso marcado junto com a madrasta, Graciele Ugulini.
Questionado sobre o filho passar dias fora de casa, Boldrini falou que Bernardo "estava começando a ficar mais autônomo" e "definia onde queria ir".
Na terça-feira (12), Juçara Petry, moradora da cidade que cuidava de Bernardo com roupas, alimentos e atenção, relatou que a criança chegou a passar 15 dias na sua casa sem que ninguém da família do garoto entrasse em contato.
De acordo com ela, Bernardo ficava trancado para fora de casa e precisava ir para a escola e outras atividades sozinho, recebendo carona de professoras e de sua família. Juçara recordou que seu marido, Carlos, ajudava o menino com os temas de matemática. "Ele dizia: 'Se eu acertar [os cálculos], o tio Carlinhos não vai mais me ensinar'", contou.
Indignado com o descaso com a criança, Carlos marcou uma consulta com Boldrini, única forma que encontrou de ser recebido por ele. O médico reclamou do comportamento do menino, mostrando um vídeo em que Bernardo segura um facão.
Na gravação, Boldrini provoca o garoto: "Vamos, machão, faz alguma coisa com essa faca".
No depoimento desta quarta (13), o pai voltou a mencionar o vídeo como indício da "personalidade muito forte" do menino, o que foi desmentido pelas testemunhas que conviviam com Bernardo. Boldrini ainda responsabilizou a madrasta, que teria pedido para que ele gravasse o vídeo.
"A Graciele disse 'tem que gravar, tem que gravar'. Eu gravei. Minha intenção era mostrar para o psiquiatra essa situação difícil. Mostrei também pro tio Carlinhos Petry", contou.
Em outro vídeo, ele chama o filho de "froinha", e o garoto diz que tem marca de agressão da madrasta. Graciele chama a mãe de Bernardo de "vagabunda".
Odilaine Uglione, mãe de Bernardo, foi encontrada morta no consultório de Boldrini em 2010. A avó do menino desconfiava que não havia sido suicídio.
O Ministério Público reproduziu uma gravação telefônica em que o padrinho de Bernardo telefona para Boldrini após o desaparecimento do garoto. O padrinho está preocupado e questiona se Graciele realmente voltou para a casa com o garoto naquele dia, como tinha dito.
O pai e a madrasta foram para uma festa de música eletrônica na noite do crime. "A Kelly [apelido de Graciele] sumiu com esse guri. Tu tá aí dormindo com essa bagaceira", gritou o padrinho.
No final da sessão desta quarta, Boldrini se defendeu e disse que pretende retomar sua vida quando sair da prisão, voltando a trabalhar como médico em Três Passos.
"Foram elas [que mataram Bernardo]. Se eu fui um pai ausente? Fui. Mas só mata quem tem a patologia, a loucura do assassinato. É uma coisa que, cientificamente, pode explicar uma coisa dessas. E louco ainda de achar que não vai ser descoberto. Não tenho medo de dizer que foram elas", afirmou.
A defesa de Graciele disse à imprensa, antes do julgamento, que o menino se automedicou e morreu no carro da madrasta. A promotoria, porém, aponta que a cova onde ele foi enterrado já estava pronta dias antes.

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