terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Erdogan acusa EUA de apoiarem 'terroristas' após morte de reféns no Iraque

O governo turco anunciou no domingo (14) ter encontrado 13 corpos de civis e militares turcos em uma caverna na região de Gara, no Iraque, e atribuiu as mortes ao PKK

 

© Getty Images

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusou nesta segunda-feira (15) o governo dos Estados Unidos de apoiar "terroristas" após a morte de reféns turcos em área controlada pela milícia separatista curda Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo) no norte do Iraque.



O governo turco anunciou no domingo (14) ter encontrado 13 corpos de civis e militares turcos em uma caverna na região de Gara, no Iraque, e atribuiu as mortes ao PKK. A milícia curda confirmou as mortes, mas disse que elas foram causadas por bombardeios da Turquia na região.

Ainda no domingo, o Departamento de Estado dos EUA disse em nota que "se a informação sobre as mortes de civis turcos nas mãos do PKK, organização classificada como terrorista, for confirmada, condenamos essas ações nos mais veementes termos".

O comunicado americano foi interpretado pelo governo Erdogan como um sinal de que os EUA estariam colocando em dúvida a versão dos fatos apresentada pela Turquia.

"As declarações dos Estados Unidos são deploráveis. Dizem que não apoiam terroristas, mas na verdade estão do lado deles", disse Erdogan em discurso a apoiadores.

Nesta segunda, o governo turco convocou o embaixador americano em Ancara para prestar esclarecimentos sobre o episódio. Também nesta segunda, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, conversou por telefone com o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, e disse que os EUA acreditam que "terroristas do PKK são responsáveis" pelas mortes no Iraque, de acordo com comunicado do porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Após as mortes no Iraque, as autoridades turcas anunciaram a prisão de 718 pessoas, incluindo políticos eleitos pela agremiação pró-curda Partido Democrático dos Povos (HDP, na sigla em turco), terceira maior força política do país.

A crise diplomática entre a Turquia e os Estados Unidos acontece porque o governo Erdogan desconfia da política americana de apoio a milícias curdas na Síria e no Iraque. Os EUA consideram o PKK uma organização terrorista, mas de fato mantêm apoio a milícias curdas na região, como as Unidades de Proteção Popular (YPG, na sigla em curdo), que Erdogan acusa de colaborar com o PKK.

"Se estamos juntos na Otan e se querem que a unidade da Otan seja preservada, devemos agir com sinceridade. Vocês não podem estar com os terroristas, se querem estar ao lado de uma parte, devem ficar do nosso lado", acrescentou Erdogan no discurso, referindo-se aos EUA.

A Turquia realiza regularmente ataques nas áreas montanhosas do norte do Iraque contra bases de retaguarda do PKK, que desde 1984 trava um conflito sangrento contra o regime turco que deixou mais de 40.000 mortos.

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