domingo, 23 de maio de 2021

Veja como proteger investimentos da inflação nos EUA e no Brasil

 

O sinal de alerta nos EUA veio com os dados dos preços ao consumidor americano em abril, que subiram 4,2% ante o mesmo mês de 2020

© Shutterstock

A crescente alta nos preços no Brasil e nos Estados Unidos representa mais um desafio para investidores. Além de fomentar o debate sobre mudanças em políticas monetárias, que podem impactar os ativos, ela dificulta a obtenção de retornos acima da inflação nos investimentos tradicionais.


O sinal de alerta nos EUA veio com os dados dos preços ao consumidor americano em abril, que subiram 4,2% ante o mesmo mês de 2020, um aumento superior ao antecipado por economistas e a maior alta registrada em quase 12 anos.

O salto deixou o mercado receoso com uma possível alta de juros antes do planejado pelo Fed (banco central americano) e com a possível redução de injeção de liquidez da autoridade. Atualmente, são comprados mensalmente US$ 200 bilhões em ativos, o que estimula os mercados de capitais junto ao juro próximo de zero.

Apesar da inflação mais forte, o Fed sinalizou que pretende continuar com a sua política atual até que o emprego volte a patamares pré-pandemia nos Estados Unidos. A previsão do banco é de estabilidade nos juros até 2023. O mercado, porém, já precifica taxas maiores a partir de 2022.

O cenário pode se modificar mais rápido diante dos pacotes de estímulo do presidente Joe Biden, dos gargalos no abastecimento e da demanda elevada gerada pelo avanço rápido da vacinação nos EUA contra o coronavírus. Somados, esses fatores podem levar a uma disparada maior nos preços e uma recuperação mais rápida dos empregos.

Para Dan Kawa, da TAG Investimentos, há sinais de que o Fed se prepara para um ajuste em sua política monetária, após ata da última reunião do banco, divulgada na quarta (19), apontar que alguns membros estavam dispostos a debater uma mudança.


"Não resta dúvida de que estamos caminhando para um novo estágio do ciclo econômico, onde o crescimento ainda mostra sinais de recuperação, mas a inflação começa a amedrontar", diz.

Por enquanto, com a inflação americana e juro próximo de zero, o dólar se enfraquece globalmente, já que vai perdendo o seu poder de compra.

Como o Brasil está em um momento de alta de juros, com previsão de que a Selic, hoje em 3,5% ao ano, vá para 5,50% segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, o real deve se fortalacer ante o dólar.
A queda do dólar ante o real neste momento acontece pelo carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os Estados Unidos, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, como o Brasil.

Caso o juro nos EUA suba, a prática fica menos atrativa. Além disso, quem investe em países emergentes deve retornar seus recursos aos títulos públicos estadunidenses, considerados os investimentos de menor risco no mundo, já que a sua rentabilidade aumentará.
Dessa forma, aconteceria uma saída de dólares do Brasil, o que elevaria a taxa de câmbio.
Para Luciano Ribeiro Sobral, economista-chefe da Neo, não estamos perto deste cenário. "Agora, é bom apostar no real", diz.
"O investidor deve se informar e acompanhar qual será a dinâmica", aconselha Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Segundo ele, no momento, uma boa aposta é a alocação no exterior, especialmente via fundos que tenham exposição à zona do euro, que deve ter uma retomada mais forte nos próximos meses, à medida que a vacinação avança, de modo semelhante ao que os EUA vivem hoje
"Mesmo que os juros subam, o investidor não abandonar completamente as ações, e sim reavaliar os setores nos quais investe, apostando naqueles que ainda vão se recuperar, como varejo de rua e restaurantes", diz Cruz.

Ele ressalta, contudo, que mesmo com a reabertura e a vacinação, alguns setores não devem se recuperar tão rapidamente, como educação, turismo e entretenimento, e empresas podem quebrar.
Por outro lado, à medida que os juros sobem no Brasil, a renda fixa fica mais atrativa.

No momento, com a Selic a 3,5%, apenas a poupança antiga (depósitos antes de maio de 2012) ganha do aumento dos preços este ano, de acordo com levantamento do buscador de investimentos Yubb, que considera a média de rentabilidade dos produtos de renda fixa no mercado.
Como a alta do dólar é uma das principais razões da inflação local, ao ter produtos atrelados à moeda americana o investidor tem uma proteção indireta contra o aumento de preços.

Para isso, especialistas recomendam fundos cambiais e contratos de dólar, que podem ser adquiridos por meio da corretora, como um ativo de segurança na carteira.

"Se possível, o investidor deve ter parte da poupança em moeda estrangeira, comprando ativos no exterior, porque o Brasil é um país instavel e não sabemos o que vai acontecer nos próximos anos, especialmente com a eleição em 2022", afirma Sobral, da Neo.

Produtos atrelados ao IPCA, índice oficial de inflação do país, também são outra forma de se proteger do aumento de preços.

Para ampliar os ganhos a dica é diversificar, tanto em produtos de renda fixa como naqueles de renda variável, e pensar no longo prazo.
Antes de investir, contudo, é preciso lembrar da reserva de emergência para gastos fixos, como aluguel e conta de luz, alocados em um produto de renda fixa com liquidez diária (que pode ser sacado a qualquer momento). Recomenda-se guardar o equivalente a gastos de seis meses a um ano. O Tesouro Selic e produtos atrelados ao CDI, como CDBs, são boas opções para isso.Veja outras opções de investimento:Renda fixa

Títulos pós-fixados e atrelados a Selic ficam mais vantajosos com a alta nos juros, pois acompanham as mudanças na taxa.

Fundos de renda fixa que tenham debêntures na composição também são uma alternativa. Por serem mais arriscados, têm um retorno maior. Especialistas indicam que o investimento em dívidas privadas seja feito por meio de fundos, para reduzir o risco.


Poupança

Com a Selic em 3,50% ao ano, a poupança nova tem um rendimento anual de 2,45%. O valor segue a regra de remuneração para depósitos a partir de maio de 2012, que é 70% da Selic mais TR (taxa referencial), que hoje está zerada. Já a poupança antiga rende 6,167780% ao ano mais TR.

Segundo cálculos da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade), fundos de renda fixa vão ter um rendimento superior à poupança nova apenas quando taxas de administração forem inferiores a 1% ao ano em resgates acima de seis meses ou quando a taxa for de até 1% e o resgate se der após dois anos, dada a incidência de IR.

Ações
Além da renda fixa, ações de bancos e seguradoras também podem se beneficiar de juros mais altos. Por outro lado, empresas de varejo e construção civil podem ter queda no faturamento. Companhias com uma dívida elevada também podem ser impactadas negativamente por uma Selic maior.
No momento, empresas que produzem matérias-primas também são vistas como boas oportunidades por especialistas, já que os preços das commodities estão aquecidos e o real, desvalorizado.

A escolha a dedo de ações por quem não tem formação profissional, porém, não é indicada. Para deixar o aporte em ações na mão dos especialistas, o investidor também pode comprar cotas de fundos de ações ou multimercados de gestão ativa. O portfólio destes fundos está em constante mudança, de modo a ampliar os ganhos dos cotistas.
Os analistas alertam que o desempenho da economia, e consequentemente a valorização das empresas, vai depender da velocidade da vacinação no Brasil que, por enquanto, anda a passos lentos.

Exterior
Especialistas também recomendam a presença de ativos ligados a outras economias na carteira para fugir do chamado "risco Brasil", como dólar, euro e ações no exterior, via BDRs (recibo depositário de ações, na sigla em inglês) ou ETFs (fundo de índice). O ouro também é apontado como ativo de segurança.
Independente do cenário, é imprescindível que investidores diversifiquem a carteira, de modo a reduzir os riscos.

COMO SABER SEU PERFIL DE INVESTIDOR
Antes de investir, é necessário descobrir qual o seu perfil, para determinar que riscos está disposto a correr -e, a partir daí, definir os ativos de sua carteira.

O perfil é obtido por questionários e avaliação financeira de bancos, corretoras e casas de análise. Para ter uma boa parte da carteira em ações, como no perfil arriscado, por exemplo, é preciso ter sangue frio para lidar com eventuais desvalorizações do mercado.

Conservador
Preza estabilidade do investimento. Quer saber o rendimento ao fim do mês, sem arriscar perder dinheiro ou ter surpresas no meio do caminho. No passado, mantinha toda a carteira em renda fixa, mas, com a queda da rentabilidade, analistas recomendam uma pequena alocação em fundos multimercado.

Moderado
Aceita mais oscilações nos investimentos, especialmente a longo prazo, mas também preza a garantia do retorno. Sua carteira tem mais espaço para a renda variável.

Arrojado
Está mais disposto a correr risco em nome do retorno maior. Tem mais tranquilidade para lidar com oscilações bruscas na renda variável, que ocupa boa parte da carteira.

Agressivo
Não tem medo de perder em algumas aplicações para ganhar em outras. Tem sangue frio para aguentar o tranco de uma queda brusca de ações.COMO DIVERSIFICAR INVESTIMENTOS
A diversificação depende do apetite ao risco. Conservadores devem ter a menor parte da carteira em ações, por exemplo. Veja diferentes tipos de investimento:

Pós-fixados
Acompanham a taxa de juros. Se ela sobe, a rentabilidade aumenta; se cai, o ganho diminui. São os investimentos mais seguros, e mesmo os mais arrojados têm uma parte do dinheiro nesses produtos.
Opções: poupança, CDBs, LCA e LCI, Tesouro Selic e fundos DI. A aplicação é de longo prazo, e o dinheiro fica parado até o vencimento.

Prefixados
Têm uma taxa de juros combinada no momento da aplicação, que não muda mesmo que a Selic seja alterada. Há risco em caso de venda antecipada e é o primeiro patamar de diversificação.
Opções: Tesouro prefixado e CDBs de bancos pequenos

Inflação
São investimentos que pagam uma taxa de juros fixa mais a variação da inflação. Como mudam de preço todo dia, o investidor precisa mantê-los até o vencimento para evitar risco de perdas.
Opções: Tesouro IPCA+ e CDBs de bancos pequenos

Fundos multimercados
Investem em mais de um tipo de ativo. Geralmente combinam aplicações conservadoras, como títulos públicos, com ativos mais arriscados, que podem ser dívidas de empresas (no Brasil ou no exterior) e ações. Para saber no que um fundo investe, é preciso ler o informativo.

Ações
Ações são a menor fração de capital de uma empresa, podendo ser negociada em Bolsa. Esse tipo de investimento é indicado para pessoas de perfil arrojado. É possível escolher papéis individualmente ou investir por meio de fundos de ações ou que acompanham um índice (ETFs).GLOSSÁRIO CDBs, LCAs e LCIs
Os principais investimentos de renda fixa de bancos. Quanto maior o banco, menor a remuneração, porque o risco de calote é menor. As letras de crédito são isentas de IR. Em caso de calote, há cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira.

Debêntures
Títulos de dívida emitidos por empresas para financiar investimentos. Quem compra uma debênture corre o risco de calote da empresa, já que não há garantia do FGC. Quando o dinheiro é destinado a obras de infraestrutura, há isenção de Imposto de Renda.

Prefixado
Investimento cujo rendimento é conhecido na hora da aplicação. É vantajoso quando há expectativa de queda de juros. Como os títulos mais longos consideram que as taxas vão subir mais do que a expectativa do mercado, há chances de rendimento maior em outros tipos de renda fixa.

Tesouro IPCA+
Título público emitido pelo Tesouro Nacional que paga uma taxa de juros fixa mais a variação da inflação. Garante o poder de compra do dinheiro em aplicações de longo prazo, mas pode sofrer oscilações de preços e gerar perdas em caso de resgate antes do vencimento.

CDI
Taxa de juro que acompanha a Selic e costuma ser referência para remuneração de investimentos de renda fixa emitidos por bancos

ETFs
São fundos que replicam um índice de ações, como o Ibovespa. O ganho será, ao final de um período, o mesmo registrado pela média das ações que compõem o índice. Como é um fundo passivo (não há um gestor tomando decisões de investimento), tem taxas mais baixas.(Com Reuters)

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