Os dados são da pesquisa Elemento Suspeito, divulgada na manhã desta terça-feira, 15, pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC)
![]() |
| © . |
No Rio, o caso de Yago não é exceção. A pesquisa Elemento Suspeito, divulgada na manhã desta terça-feira, 15, pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), mostra que na capital fluminense os negros - pretos e pardos, na classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - são 48% da população, mas alvo de 63% das abordagens de policiais militares. Segundo o trabalho, "o racismo constitui o cerne da atividade policial e do sistema de Justiça criminal".
Em todas as situações pesquisadas, os negros são os mais abordados pela Polícia Militar. Por exemplo, eles são 79% dos que já tiveram suas casas revistadas por agentes das forças de segurança. São 74% dos que relatam ter um parente ou amigo morto por um policial. E ainda 71% das pessoas abordadas no transporte público. Do total de pessoas abordadas, 17% já foram paradas pela polícia mais de dez vezes.
As ações são acentuadas por idade, gênero, cor, classe social e território. Criam um perfil típico dos abordados: homens, negros, de até 40 anos, morador de favela ou periferia, com renda de até três salários mínimos. Segundo o levantamento, a distribuição desses fatores entre os sujeitos que foram parados mais de dez vezes é "extremamente reveladora das características do elemento suspeito do ponto de vista policial". O trabalho aponta que 94% eram homens; 66%, negros; 50% tinham até 40 anos; 35% moravam em favelas; 33% residiam na periferia; e 58% ganhavam até três salários mínimos.
'Cara de criminoso'
A revista corporal costuma ser reservada a quem a polícia acha que tem "cara de criminoso" ou que está "escondendo algo", nas palavras dos próprios agentes. Entre os que já foram revistados, metade de todos os abordados, 84% eram homens, 69%, negros, e 70% eram moradores de favelas e bairros da periferia. Em contrapartida, somente 10% dos brancos que ganham mais de dez salários mínimos são revistados.
Racismo impulsiona abordagens
Em entrevista aos pesquisadores, policiais militares definiram o "elemento suspeito" como jovem, "com bigodinho fininho e loirinho, cabelo com pintinha amarelinha, blusa do Flamengo, boné". É, conclui o estudo, basicamente qualquer jovem típico das favelas e periferias cariocas.
"O papel dos agentes policiais camufla os papéis igualmente decisivos de delegados, promotores, juízes e agentes penais na manutenção e reprodução cotidiana do racismo", afirma a coordenadora do estudo, Sílvia Ramos. "Puxamos o fio de uma meada; o elemento suspeito se confirma como culpado e, depois, como criminoso condenado, cumprindo pena que, por sua vez, produz o perfil do elemento suspeito: o chamado círculo vicioso."
A primeira parte da pesquisa foi quantitativa. A partir de um rastreamento com 3,5 mil pessoas em pontos de grande fluxo da cidade, foram feitas 739 entrevistas detalhadas pelo Instituto Datafolha. A segunda parte foi qualitativa. Foram realizados grupos focais e entrevistas com jovens moradores de favelas, entregadores, motoristas de aplicativos, mulheres e policiais.
A pesquisa também pediu aos entrevistados a avaliação das forças de segurança em relação a eficiência, respeito, racismo, corrupção e violência nas abordagens. A PM do Rio teve o pior desempenho, com nota 5,4.
PM não comenta números
A Secretaria da Polícia Militar do Rio reagiu à pesquisa com uma nota na qual ressalta a forte presença de "afrodescendentes" em suas fileiras. O texto não comenta diretamente os números apresentados pela pesquisa do CESeC.
"A Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM) é uma corporação mais que bicentenária com uma missão central de defender a sociedade do Rio de Janeiro. Nossas ações são baseadas em protocolos rígidos, treinamentos e orientação. A maioria do contingente policial militar vem das classes de base da sociedade, incluindo as comunidades carentes, o que torna nossos policiais parte do contexto estrutural, histórico e social em que atuam. Vale lembrar que a Corporação foi uma das primeiras instituições públicas do país a ser comandada por um negro e hoje mais da metade de seu efetivo de praças e oficiais é composto por afrodescendentes."
VIA...NOTÍCIAS AO MINUTO

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Os comentários são pessoais, é não representam a opinião deste blog.
Muito obrigado, Infonavweb!