Os anúncios se disfarçam de serviços populares, como WhatsApp, Google Chrome e Correios, e levam a sites criados por cibercriminosos; infecção começa quando a pessoa clica no anúncio e baixa um instalador falso no Windows
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| © Agência Brasil / Bruno Peres |
Campanhas do GoPix usam anúncios pagos maliciosos no Google como porta de entrada. Os anúncios se disfarçam de serviços populares, como WhatsApp, Google Chrome e Correios, e levam a sites criados por cibercriminosos. Esse tipo de praga é conhecida como trojan, pois se disfarça de software legítimo para enganar a pessoa e infectar o sistema. Consultado para comentar, o Google não respondeu ao pedido da reportagem. O espaço segue aberto para a empresa.
Site faz triagem antes de oferecer o download do arquivo malicioso. A página verifica se o visitante parece ser cliente de bancos brasileiros, usuário de criptomoedas ou ligado a órgãos financeiros de governos estaduais e grandes corporações.
Infecção começa quando a pessoa clica no anúncio e baixa um instalador falso no Windows. O arquivo simula ser o programa procurado, como um suposto instalador do "WhatsApp Web", e o malware passa a operar de forma furtiva na máquina.
Golpe mira computadores Windows e tenta agir sem deixar rastros no disco. A atuação diretamente na memória dificulta que a vítima perceba a fraude enquanto navega e faz transações -essa é a grande evolução comparada com a versão inicial do GoPix, registrada em 2023. O foco dos criminosos são usuários ligados a empresas, os que mais realizam transações bancárias por meio de computadores.
Principal técnica é trocar dados copiados e colados para redirecionar pagamentos. Se a vítima copia uma chave Pix, um código de boleto ou um endereço de carteira de criptomoedas, o GoPix pode substituir a informação no momento da colagem e mandar o dinheiro para os criminosos.
Outra manobra é driblar a proteção do HTTPS com um certificado falso injetado na memória do navegador. Com isso, o malware tenta se colocar no meio da comunicação para capturar ou modificar dados sensíveis, como credenciais e valores de transações, sem ficar visível para o usuário.
"O GoPix consegue operar diretamente da memória do computador, deixando pouquíssimos rastros, o que dificulta a detecção. O malware ainda utiliza servidores de comando e controle com vida útil extremamente curta, ou seja, eles são desligados e substituídos rapidamente para evitar rastreamento, e explora serviços antifraude legítimos para identificar e selecionar suas vítimas", afirmou Fabio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina e Europa, em comunicado.
COMO REDUZIR O RISCO DE CAIR NO GOLPE
Desconfie de anúncios patrocinados que oferecem download de programas populares. A orientação é baixar softwares apenas em sites oficiais dos desenvolvedores e checar o endereço exibido na barra do navegador.
Instalação de programas deve ser feita só a partir de fontes oficiais e reconhecidas. Links em anúncios, emails ou páginas desconhecidas aumentam o risco de o arquivo ser um instalador falso com malware embutido.
Uso de solução de segurança e atualizações do sistema ajudam a bloquear ameaças. A Kaspersky recomenda ter solução de segurança confiável e atualizada no computador, além de manter correções do Windows e navegadores atualizadas.
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