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domingo, 7 de agosto de 2016

Dilma diz que "mesmo se pudesse, não voltaria para ficar" na Presidência

A presidente afastada pretende escrever um livro caso seja aprovado o processo de impeachment

© Reuters
A decisão final sobre o processo de impeachment contra Dilma Rousseff deve sair ainda em agosto e a petista já foi sondada por editoras interessadas em publicar o livro que escreverá quando deixar o Palácio da Alvorada.

De acordo com a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, a presidente afastada pretende registrar, em primeira pessoa, os episódios que resultaram no processo de impeachment.
A publicação questionou Dilma se ela voltaria à Presidência, ao que a petista respondeu: “Mesmo se pudesse — e eu não poderia ser reeleita pela segunda vez — não voltaria para ficar”.
Em relação a obra sobre Dilma, um ex-ministro sugere que o livro seria "sobre a primeira mulher eleita presidente do Brasil e a primeira mulher a ser sacada do poder”.
Ainda segundo a coluna, Dilma Rousseff fez um pedido ao Vaticano nas últimas semanas. Ela gostaria que o papa Francisco pudesse dar um testemunho público de apoio à presidente afastada. No entanto, o Alvorada foi informado de que o gesto fugiria muito da liturgia papal, mas o pontífice argentino escreveu uma carta pessoal à Dilma.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Condição de Dilma para estar em julgamento é não haver perguntas

Presidente afastada cogita estar presente no dia do julgamento do seu processo de impeachment

© Lula Marques / Agência PT
A presidente afastada Dilma Rousseff cogita estar presente no julgamento final do seu processo de impeachment no Senado. No entanto, segundo o jornal O Globo, aliados da petista estão tentando firmar um acordo que permita a presença de Dilma, mas que ela não seja interpelada pelos parlamentares.

A defesa de Dilma aconselha que ela se faça presente, mas a presidente afastada quer a garantia de que não será atacada ou desrespeitada.
Enquanto isso, membros da base do presidente interino, Michel Temer, avaliam que será difícil dar essa garantia a Dilma e não querem se comprometer a não fazer perguntas.
José Eduardo Cardozo, advogado da presidente afastada, afirmou que só vale a pena para Dilma comparecer se ela “falar e ir embora”. Já os aliados de Dilma acreditam que ela poderia aproveitar sua presença no julgamento para fazer um discurso de despedida do cargo.
Cardozo se reuniu com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, para definir alguns aspectos do julgamento, como o número de testemunhas de acusação e defesa. O julgamento será conduzido por Lewandowski.
A reportagem destaca que DEM e PSDB não garantem que abrirão mão de fazer perguntas. Eles avaliam que seria melhor Dilma se preservar e sequer comparecer.
O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), disse que a figura da presidente afastada será respeitada. "Seremos respeitosos, mas não abriremos mão das perguntas. Seremos firmes, mas respeitosos", afirmou Cunha Lima.
A publicação recorda que, em 1992, o então presidente Fernando Collor não compareceu ao julgamento. Fontes disseram ao Globo que Dilma está avaliando a situação, mas já disse que está esgotada.

Dilma fala sobre carta e compara Cunha a "poderoso chefão"

Petista falou sobre a carta que será entregue aos senadores e comentou sobre a postura de Cunha

© Reuters
A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) revelou alguns trechos da carta que deve entregar na próxima semana aos senadores, senadoras e ao povo brasileiro.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, a petista revelou que a defesa do plebiscito é o argumento central do discurso. "Darei apoio integral à iniciativa de convocação de um plebiscito, com o objetivo de definir a realização de novas eleições e a reforma política no país", afirmou Dilma.
No entanto, um dos desacertos entre Dilma e o Partido dos Trabalhadores (PT) foi que o presidente Rui Falcão, disse ser contra o plano de consulta popular.
Mas Dilma rebate. "Que o povo se manifeste, não só através de pesquisas de opinião, mas por meio do voto popular sobre a antecipação das eleições e reforma política", afirmou.
A presidente afastada ainda disse que "estão tratando o presidencialismo como se parlamentarismo fosse. O parlamentarismo permite o voto de desconfiança. No presidencialismo, o impeachment, sem crime, é golpe", argumentou.
A reportagem questionou Dilma se há lógica em querer voltar para então sair, como diz Michel Temer. "A lógica? É ele não ter 54,5 milhões de votos. Eu sou legítima. Ninguém, nem o impeachment, transformará Temer num presidente legítimo. E ele vai carregar essa pecha até o fim", ressalta a petista.
Em relação a sua fala sobre o precisar passar por "grande transformação em que se reconheça todos os erros", Dilma explica que a declaração tinha o intuito de defender a legenda ao ser questionada sobre o fim da sigla.
A petista confirmou a tese da autocrítica partidária. "É um processo. O PT foi muito demonizado. [Mas] vai ter de fazer, é simples assim, acaba fazendo."
Ainda na entrevista, Dilma comentou sobre o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável pela admissibilidade do pedido de impeachment. "Chego a sentir pena, de certa forma. Como gente. Porque a pessoa que acha que o mal é banal vive num total desalento. Como o cara de [descrito pela escritora alemã] Hannah Arendt, que trabalha na câmara de gás, num campo de concentração, e volta pra casa, uma casa florida, e beija seus filhos".
A petista também considera que Cunha tem "tentáculos" na Câmara. "Teria de tirar muito ele de cena para tirar a influência dele", opina.
Sem citar Cunha diretamente, a presidente afastada avalia: "Parece aquelas versões dos filmes americanos em que o poderoso chefão controlava tudo de dentro da prisão".
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