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sexta-feira, 24 de junho de 2016

"Máfia dos shows" pode ter desviado mais de R$ 100 mi; PF investiga

Dinheiro obtido através de fraudes corresponde a contratação de artistas e ao superfaturamento de cachês ou infraestrutura

DR
O Ministério Público Federal e a Polícia Federal estão investigando um esquema que desvia verbas e frauda a compra e a venda de shows públicos de grandes artistas, em diversas cidades brasileiras. Os desvios podem passar da casa dos R$ 100 milhões, segundo levantou uma reportagem do UOL.

O dinheiro obtido através de fraudes corresponde a contratação de artistas e ao superfaturamento de cachês ou infraestrutura. Tudo isso teria ocorrido nos últimos três anos. A Justiça já bloqueou R$ 15 milhões oriundos desses eventos, a pedido do MPF, só no interior de São Paulo.
As investigações estão em curso em São Paulo, no Rio de Janeiro, Pernambuco, Amazonas, Bahia, Pará, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, mas devem ser ampliadas em todo o país.
Thiago Lacerda Nobre, chefe da Procuradoria da República em São Paulo, foi quem teve a ideia de iniciar as investigações no setor.
"Quando viajava a trabalho pelo interior de São Paulo comecei a perceber que algumas cidades minúsculas estavam fazendo eventos com artistas de renome nacional, cujos cachês eram caríssimos. Começamos a investigar porque não havia como aquelas cidades bancarem tantos shows e festas de peão. Acabamos descobrindo uma série de irregularidades, que envolviam não só as cidades, mas até o governo federal, que era fraudado por meio de convênios culturais", afirmou ele, em entrevista ao UOL.
Ainda de acordo com a reportagem, Zeca Pagodinho é um dos artistas já condenados a ressarcir os cofres públicos. A empresária do sambista confirmou a condenação, mas nega irregularidades e disse que os advogados de Zeca vão recorrer. A apresentação em questão aconteceu em Brasília.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Golpe do "veja quem visitou o seu perfil" chega ao WhatsApp

(Foto: Reprodução)
"Saiba quem xeretou o seu perfil". Abordagens semelhantes a essas são usadas em inúmeras tentativas de golpe e fraude digital para roubar dados do usuário. Em geral, elas prometem à vítima um recurso que permite saber quem acessou seu perfil do Facebook, e surgem como extensão maliciosa da rede social. Essa mesma estratégia está sendo usada agora também no WhatsApp, segundo a Kaspersky Lab.
De acordo com os especialistas da Kaspersky, a mensagem chega geralmente de algum contato do usuário que já foi infectado. Ela contém uma mensagem como "Sabe quem xeretou seu perfil? Kkkkkk", seguida de um link. Ao acessar o link, a vítima é direcionada a um site que oferece o suposto recurso em troca do compartilhamento do link com dez amigos ou três grupos.
Caso a vítima siga as orientações, ela é depois direcionada para uma série de sites de propaganda - nenhum dos quais traz o recurso prometido. Se ela cadastrar seu número em qualquer um deles, ela será cobrada pelo serviço na próxima fatura do celular, e é aí que os criminosos ganham dinheiro. Segundo Fabio Assolini, analista de segurança da Kaspersky, uma busca em sites de reclamações de consumidores revela que uma grande quantidade de pessoas já foram enganadas.
Recursos verdadeiros e falsos
Embora haja anúncios e rumores sobre diversos novos recursos do WhatsApp, nenhuma novidade desse tipo foi comunicada pela empresa. Por esse motivo, mensagens desse tipo devem ser vistas sempre com suspeita - qinda mais quando elas tiverem erros de gramática, como no caso da mensagem acima.
Não se trata, nem de longe, da única tentativa de golpe que circula por meio do aplicativo de conversas. Outros esquemas de fraude recentes incluem um que prometia à vítima o acesso a uma versão "Gold" do WhatsApp (que não existe), e outro que dizia ao usuário que ativaria o recurso de videochamadas em seu dispositivo - também falso. 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Falsos motoristas da Uber se aproveitam de falta de atenção de passageiros

Foto Reprodução
Falsos motoristas da Uber estão se aproveitando da desatenção de passageiros para se passar por prestadores do serviço de transporte e fazer com que as pessoas embarquem no carro. De acordo com o jornal Diário de São Paulo, os casos acontecem principalmente com mulheres. Na semana passada, a dentista Yumi Sasaki, de 26 anos, solicitou um motorista e recebeu do aplicativo a informação de que o motorista viria num Honda Civic.
Pouco depois, um carro, que ela acredita ser um Renault Sedan chegou e o motorista perguntou se ela havia pedido um carro. Diante da afirmativa, a dentista entrou e percebeu que o endereço que havia indicado não aparecia na tela do celular do homem. "Ele logo foi falando que era seu primeiro dia como se estivesse justificando o fato do endereço não ter aparecido automaticamente”, disse.
Depois de rodar dois quarteirões ela recebeu uma ligação do verdadeiro motorista, perguntando onde ela se encontrava. “Eu ainda perguntei para ele se realmente era eu que ele deveria ter pegado e ele disse que sim. A princípio não achei que estava fazendo aquilo por mal e que poderia ter acontecido um engano". Com medo, a dentista aproveitou um semáforo fechado para sair do carro e retornou ao ponto de partida, encontrando o verdadeiro profissional. “Eu contei para o motorista e ele disse que eu preciso ficar atenta na placa e modelo e essa é minha dica para outras pessoas”.
Um caso semelhante aconteceu com a advogada Janaina Galvão, de 31 anos. Depois de solicitar um automóvel, um motorista se aproximou dirigindo um carro de um modelo diferente do exibido no aplicativo. "Eu disse para ele que o automóvel era outro e ele disse que tinha trocado e o aplicativo não atualizou. Resolvi perguntar o nome e, após gaguejar, me disse um nome diferente do motorista que eu estava esperando", conta.
Após o erro, o homem afirmou que sua intenção era "conhecer melhor" a advogada. "Ele disse que iria me levar para onde eu quisesse porque era linda e parecia que iria tentar sair do carro. Quando gritei, ele saiu. Eu fiquei em choque. Não sei o que ele poderia ter feito comigo", declara. "O conselho que dou é para a pessoa não falar seu nome nem do motorista e conferir a placa. O verdadeiro motorista me disse que não existe isso de trocar o carro e não atualizar o sistema". 
Uber
Em comunicado ao jornal, a Uber aconselha o passageiro a ficar atento às informações que aparecem no aplicativo ao solicitar o serviço. Na tela do celular aparece o nome do motorista, sua foto de identificação, modelo e placa de carro. "Vale lembrar que, para se cadastrar para usar o aplicativo, os motoristas parceiros precisam ter carteira de motorista com licença para exercer atividade remunerada e passam por checagem de antecedentes criminais nas esferas federal e estadual", explica a empresa.
Medidas de segurança
Antes de o motorista chegar, é possível acompanhar seu trajeto em tempo real. Depois de embarcar, o passageiro pode compartilhar sua localização com quem desejar, o que evita desvios do caminho e pode deixar as pessoas mais tranquilas.
O delegado Milton Toschi Júnior, do 51º DP afirma os falsos motoristas podem responder por falsidade, mas aconselha que o cliente sempre cheque a placa e o modelo do carro.

Áudio de Jucá confirma o golpe, diz líder do PT no Senado

Ele acusa o PSDB de participar da negociação e analisa a possibilidade de pedir a cassação de Jucá, que é senador licenciado.

DR
O líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA), acredita que a gravação de conversa revelada entre o ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, é a confirmação de um acordo para retirar a presidente da República afastada, Dilma Rousseff. Ele acusa o PSDB de participar da negociação e analisa a possibilidade de pedir a cassação de Jucá, que é senador licenciado.

"Isso só confirma aquilo que já falávamos há alguma tempo, confirma o golpe contra Dilma", disse o senador. Em reportagem desta segunda-feira, 23, o jornal Folha de S. Paulo revelou a conversa em que Jucá sugere a existência de um pacto para obstruir a operação Lava Jato e diz que é preciso trocar o governo para "estancar a sangria". No diálogo, Jucá e Machado sugerem que Temer poderia "construir um pacto nacional", inclusive com o Supremo.
O petista comparou a situação com o grampo da conversa entre Dilma e o ex-presidente Lula, em que a presidente foi acusada de adiantar a nomeação de Lula ao Ministério da Casa Civil como uma forma de protegê-lo da operação Lava Jato. "Um diálogo em que nada foi dito claramente foi suficiente para conseguirem eliminar o Lula e impedir que ele assumisse um ministério porque estaria obstruindo a Justiça. E agora, como ficará com o Jucá?", indagou.
PSDB
Na leitura do líder do PT, o áudio confirma que houve um "acordão" para travar a operação Lava Jato e que o PSDB faz parte do acordo. "A gravação revela todo o esquema do PSDB via Aécio", diz Paulo Rocha. O presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), é citado seis vezes na conversa.
Segundo Jucá, "caiu a ficha" de que a Lava Jato também chegaria nos tucanos. Além de Aécio, ele menciona o agora ministro das relações exteriores, José Serra (PSDB-SP), e os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Tasso Jereissati (PSDB-SP).
Cassação
De acordo com o líder do PT, os senadores da oposição ainda consideram a possibilidade de pedir a cassação de Jucá, que é senador licenciado do PMDB. Mas Paulo Rocha comparou o caso dele com o do ex-senador Delcídio Amaral, que foi recentemente cassado por quebra de decoro parlamentar.
"Por muito menos do que isso, nós acabamos de cassar o senador Delcídio. Para o Senado ter coerência política, vamos ter que discutir isso agora", disse. Assim como Jucá, Delcídio foi pego em um áudio em que supostamente tentava obstruir as investigações da operação Lava Jato. Ele tentava negociar um plano de fuga para o diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.

"Quem não conhece o Aécio", diz Jucá em áudio vazado

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado sugere que o tucano comprou deputados para se eleger presidente da Câmara, entre 2001 e 2002, com a ajuda deles.

DR
Em um dos trechos das conversas gravadas entre o ministro Romero Juca e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, eles dizem que "caiu a ficha" de líderes do PSDB sobre o potencial de danos que a Operação Lava Jato pode causar em vários partidos. Machado, que foi do PSDB, afirma que "o primeiro a ser comido será o Aécio [Neves (PSDB-MG)".

"O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB", disse Jucá na gravação. Machado sugere que o tucano comprou deputados para se eleger presidente da Câmara, entre 2001 e 2002, com a ajuda deles.

domingo, 15 de maio de 2016

"Bonde das Loiras" é preso por aplicar golpes em bancos do Rio de Janeiro.

O grupo ganhava até R$ 30 mil a cada viagem de São Paulo para o Rio.

Reprodução
Três estelionatárias foram presas por policiais da delegacia do Catete, na Zona Sul do Rio. Conhecidas como "Bonde das Loiras de São Paulo", Verônica Freitas Gomes, de 19 anos, Larissa Batista de Oliveira, de 23, e Leticia do Nascimento Laurindo, de 26, ganhavam a vida roubando idosos em caixas eletrônicos do Rio.

Segundo as investigações, elas desembarcaram no Rio às 6h40, e às 8h já estavam em uma agência, preparando um esquema. Imagens de câmeras de segurança mostram Letícia, de 26 anos, preparando o equipamento, chamado de Chupa-Cabra. Elas atuavam em agências do Banco do Brasil no Flamengo e em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, e as investigações ocorriam havia pelo menos dois meses.
O grupo ganhava até R$ 30 mil a cada viagem de São Paulo para o Rio. Uma única correntista chegou a ser roubada em R$ 13 mil.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Panama papers: em seis pontos, como offshores podem esconder bilhões de origem ilegal.

Olhos do mundo se viraram para o Panamá com revelações de papéis de escritório de advocacia
Embora seja possível usar paraísos fiscais de forma legal, na maioria das vezes, esses lugares são relacionados no noticiário a tentativas de se esconder a origem e os verdadeiros donos de recursos e de se evitar o pagamento de impostos.
E não importa se você é um empresário alemão bem sucedido que decidiu burlar o fisco, um político que busca uma forma de receber propina, um traficante internacional ou o líder de um regime que desrespeita diretos humanos: os métodos para essas manobras são bastante similares.
O possível uso ilícito de offshores (como são conhecidas as contas ou empresas abertas em paraísos fiscais) veio à tona com o vazamento de mais de 11 milhões de documentos de uma das principais empresas do ramo, a panamenha Mossack Fonseca. A empresa alega que atende aos protocolos internacionais para garantir que as firmas sob sua tutela não sejam usadas para a sonegação, a lavagem, o financiamento de grupos extremistas e outros objetivos ilícitos.
A BBC Brasil lista abaixo como offshores podem ser usadas para esconder bilhões de origem ilegal.
Mossack e Fonseca diz ter atuado para evitar práticas ilegais

1. Empresas fictícias

Para quem vê de longe, uma empresa fictícia parece ser um negócio legítimo. Mas é apenas uma "concha" vazia – daí a alcunha que ganhou no inglês, "shell company", ou "companhia concha".
Ela não faz nada além de administrar o dinheiro que recebe, enquanto esconde quem é o verdadeiro dono desses recursos. Sua gestão é feita por advogados, contadores ou mesmo por um funcionário da limpeza, que fazem pouco mais do que assinar alguns documentos e permitir que seus nomes apareçam nas cartas enviadas à tal empresa.
Quando as autoridades tentam descobrir quem realmente controla o dinheiro da companhia, ouvem que a gerência (que na verdade é de fachada) é a responsável. A verdade é que alguém está pagando essas pessoas para esconder seu dinheiro das autoridades ou, em alguns casos, até mesmo de ex-mulheres.

2. Paraísos fiscais

Se você tem uma empresa fictícia, não vai querer que ela seja sediada em lugares como Londres, Paris, São Paulo, onde as autoridades podem tranquilamente, caso queiram, descobrir quem são seus verdadeiros donos. É necessário um lugar propício para a operação de empresas offshore, ou seja, um bom paraíso fiscal.
Eles geralmente ficam em pequenos países-ilhas (daí o apelido paraíso fiscal) nos quais os dados bancários são ultrassecretos e as taxas sobre transações financeiras, baixíssimas ou inexistentes. Trata-se de vários países ou autoridades ao redor do mundo, tais como as Ilhas Virgens Britânicas, Macau, Bahamas e... o Panamá.
Mas, mesmo nesses lugares, a maioria dos serviços financeiros prestados são perfeitamente legais: é o segredo possível ali que faz desses destinos algo atrativo para sonegadores e trapaceiros ao redor do mundo, especialmente se a regulação é fraca ou se as autoridades locais fazem vista grossa.
Bahamas, no Caribe, também está listada entre os paraísos fiscais

3. Ações e títulos ao portador

Se a ideia é obter uma camada a mais de anonimidade, ações e títulos ao portador são uma maneira fácil de mover grandes quantidades de dinheiro.
Todas as notas de 5 libras (R$ 25), por exemplo, trazem a mensagem: "Eu prometo, sob demanda, pagar ao portador a quantia de 5 libras". Ou seja: se está no seu bolso, é seu: a pessoa "portando" ou carregando o dinheiro é dona dele, pode gastá-lo ou fazer o que quiser com ele.
Ações e títulos ao portador funcionam da mesma forma: a pessoa que está com eles em seus bolsos, pastas ou cofres é sua dona. Mas esses papéis não valem apenas 5 libras – títulos são emitidos em quantias consideráveis, como 10 mil libras (R$ 51 mil), o que os tornam ideais para o transporte de grandes quantias e perfeitos caso seja necessário negar a propriedade.
Se o título está guardado em um escritório de advocacia no Panamá, quem saberá que ele é seu, ou mais, que ele existe? Essas "vantagens" explicam o fato de o governo americano ter parado a emissão de títulos ao portador em 1982: eles são uma mão na roda para quem quer burlar a lei.

4. Lavagem de dinheiro

Lavagem é a prática que "limpa" o dinheiro "sujo", ou seja, "disfarça" sua origem ilícita. Sendo assim, os recursos podem ser usados acima de qualquer suspeita.
Se você é um traficante de drogas, um fraudador, ou, digamos, um político corrupto, terá nas mãos um monte de dinheiro que não poderá gastar sem chamar a atenção das autoridades.
Uma das formas de lavagem envolve remeter esse dinheiro para uma empresa aberta em um paraíso fiscal. Como esses países guardam sigilo sobre essas informações, fica difícil rastrear os verdadeiros donos dos recursos. Para dificultar ainda mais o trabalho das autoridades, essas empresas normalmente não ficam nos nomes de quem aplicou o dinheiro.
Eles usam, então, as empresas para investir os recursos em atividades consideradas legais, como a compra de um imóvel, por exemplo. Dessa forma, o dinheiro, que antes tinha origem ilícita, deixa de ter aparência "duvidosa".
O programa "BBC Panorama" é um dos veículos de imprensa que analisaram os papéis

5. Burlar sanções

Uma das formas de punir ou tentar limitar o poder de alguns regimes é aplicar sanções. Isso pode envolver limites à importação de equipamentos militares e munições, proibir a exportação de petróleo e outros produtos, etc. Mas também há as sanções pessoais: fechar contas bancárias de ditadores e seus amigos, familiares e apoiadores.
O governo britânico, por exemplo, impõe atualmente milhares de barreiras contra países, seus negócios, seus bancos e muitos indivíduos.
Mas quanto mais onerosas são as sanções sofridas, mais dinheiro é faturado por quem ajuda essas pessoas a burlá-las. Criar contas secretas para torturadores e genocidas, fornecer armas para um ou dois lados de uma guerra civil ou financiar as ambições nucleares de regimes isolados estão entre as possibilidades.
O uso de contas secretas e empresas fictícias em partes do mundo onde as autoridades fazem vista grossa transformam esse negócio em algo lucrativo e seguro.

Barreiras antissonegação

Em uma tentativa de fazer com que as pessoas parassem de esconder dinheiro das autoridades fiscais, a União Europeia criou um órgão, o European Savings Directive (ESD).
Por causa dele, os bancos dos países do bloco coletam as taxas relativas às contas de cidadãos de outros países. Explicando: um irlandês que mantém uma conta num banco holandês não conseguirá esconder seu dinheiro da Irlanda – terá os impostos descontados.
Quando o ESD ainda estava sendo discutido e criado, houve um aumento repentino no número de europeus que queriam abrir contas bancárias fora do continente, levando a uma explosão da procura por lugares como o Panamá e as Ilhas Virgens Britânicas.

quarta-feira, 30 de março de 2016

10 cuidados de segurança com tecnologia que todo mundo deveria tomar.

Os cibercrimes estão se tornando cada vez mais comuns. Um estudo realizado no ano passado pela empresa de segurança Symantec revela que nove entre dez brasileiros já foram vítimas de falhas de segurança.

Para não correr o risco de ter dados roubados e possíveis prejuízos financeiros, é importante tomar alguns cuidados. Veja 10 dicas:
  1. Desconfie de mensagens de empresas
    Os hackers e ladrões de dados costumam conseguir informações através de phishing, usando indevidamente o nome de empresas e outras pessoas. Por isso, desconfie de e-mails e mensagens de promoções, cobranças ou que peçam informações pessoais.
     
  2. Crie senhas de celular mais seguras
    Quanto maior a senha do seu celular, melhor. Por isso, troque o PIN de quatro dígitos padrão do iOS nas configurações e bloqueie a tela do Android. Caso não queira uma senha maior, considere mudar o código com frequência. 
     
  3. Faça backup do seu computador
    Crie o hábito de fazer backup regulares de seu computador para caso tenha algum problema e precise recuperar informações importantes. Se possível, configure seu dispositivo para fazer o backup automaticamente. 
     
  4. Instale um antivírus 
    Vírus e malware são sempre uma ameaça, por isso, tenha um antivírus instalado em seu computador.
     
  5. Bloqueie sua rede de Wi-Fi
    O roteador é a primeira linha de defesa da sua rede de Wi-Fi. Crie um login de administrador e uma senha que seja composta por letras e números.
     
  6. Não envie informações pessoais por e-mail
    Informações sensíveis, como dados bancários, números de documentos e informações comerciais confidenciais nunca devem ser enviados por e-mail sem criptografia. Caso a mensagem não seja criptografada, um hacker pode interceptar a mensagem e ter acesso à toda a conversa. 
     
  7. Evite redes de Wi-Fi públicas
    Se for acessar uma rede de Wi-Fi pública, verifique se tem VPN (Rede Virtual Privada, em inglês), que permite criar pontes de ligação entre diferentes dispositivos via Internet, mantendo os dados de comunicação trocados entre eles codificados.
     
  8. Use um gerenciador de senhas
    A recomendação é que se use senhas diferentes para cada site cadastrado, contas bancárias e outros acessos. Para não ficar se confundindo com as senhas, use um gerenciador.
     
  9. Use a autenticação de dois fatores
    A autenticação de dois fatores oferece uma camada extra de segurança caso sua senha seja roubada. Além da senha, alguns sistemas oferecem a opção de enviar um código por e-mail ou SMS. 
     
  10. Permissões e configurações de segurança
    Mantenha o software de seu computador e dispositivos móveis sempre atualizados e procure limpar as permissões de sites e aplicativos, que costumam armazenar dados do usuário. 

WebGD: desmascarando uma das maiores farsas da internet.

As pirâmides financeiras começaram a surgir bem antes do nascimento da internet, mas se tornaram ainda mais comuns conforme o acesso à web foi se popularizando ao redor do globo. Estamos falando do clássico golpe no qual o indivíduo é convidado a trabalhar online, ganhando supostas comissões astronômicas por simplesmente convidar outras pessoas para dentro da empresa. Para ser admitido, porém, é necessário pagar uma taxa de inscrição.
O exemplo mais famoso de pirâmide financeira aqui no Brasil é a TelexFREE, que movimentou tanto o Ministério da Justiça quanto o Ministério Público Federal em uma investigação frenética para desmascarar uma das maiores fraudes econômicas da história do país. Entre outros casos populares, podemos citar a BBOM, a Multiclick e NNEX. De vez em quando, sempre surge uma nova empresa tentando aplicar o mesmo golpe nos desavisados de plantão.
A nova febre é a WebGD, que nasceu na era do compartilhamento e se aproveitou do fervor das redes sociais para se promover rapidamente. É bem provável que você já tenha visto algum internauta falando sobre a companhia nos campos de comentários dos sites que você frequenta – e isso inclui o TecMundo, o Mega Curioso e outros produtos do Grupo NZN. Mas, afinal, o que é a WebGD? Trata-se de um negócio sério ou só mais uma farsa?



Entendendo a WebGD

De acordo com o próprio site oficial da companhia – que, por sinal, tem um design bastante pobre e pouco condizente com um empreendimento respeitável –, a WebGD oferece um emprego no qual você poderá trabalhar de casa, pelo computador ou celular, postando anúncios na internet e no Facebook. Não é necessário ter experiência. A página afirma que a marca se sustenta com a venda de seus três produtos, que nada mais são do que cursos online.
Porém, para conquistar a vaga, a WebGD pede que o candidato pague uma taxa de R$ 94 via boleto, transferência bancária ou cartão de crédito. Na teoria, esse investimento é referente ao consumo dos três produtos que citamos anteriormente. É só após a confirmação do pagamento que o escritório virtual é liberado e o internauta pode começar a fazer até R$ 800 por mês em seu tempo livre.
Suposto escritório virtual usado pelos funcionários da WebGD
Parece o emprego perfeito, não é mesmo? Pois é, seria uma pena se a WebGD não fosse apenas mais um esquema de pirâmide financeira – embora a companhia negue isso em uma seção de perguntas e respostas no seu site oficial. Não é preciso ir muito longe para perceber a fraude. Basta se atentar a alguns detalhes que mostram que há algo de errado. O TecMundo foi atrás de indícios suspeitos e vamos compartilhar agora com os nossos leitores.

Situação fiscal e sede suspeita

Antes de mais nada, para ser considerada legítima, uma empresa precisa ser inscrita na Receita Federal. A WebGD de fato possui CNPJ (16.826.621/0001-69), e até mesmo exibe uma printscreen em seu site oficial para provar sua situação regular. Mas tem um detalhe: a imagem divulgada pela companhia está desatualizada. Se você visitar esta página do Ministério da Fazenda e informar o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica da companhia, verá que a inscrição da WebGD foi encerrada voluntariamente no dia 9 de julho de 2015.
CNPJ da empresa está desativado, de acordo com a Receita Federal
Só isso já é motivo o suficiente para fazer com que a marca se complique com a justiça brasileira, mas vamos adiante. Resolvemos ir ao Google Maps e procurar o endereço que consta no cadastro da empresa – ela teoricamente está localizada na Rua Relvado, número 737, que fica no município de Encantado (RS). Trata-se de uma área rural, inacessível pelo Street View e aos pés da Rodovia Governador Sinval Guazzelli (RS-129).
Quais são as chances de existir um escritório para uma empresa séria em um lugar desses? Baixíssimas, podemos concluir. Como se não bastasse, o TecMundo tentou entrar em contato com os dois números de telefone que constam na inscrição do CNPJ da WebGD, mas não obtivemos retorno em nenhum deles. Ao investigar o domínio www.webgd.net, descobrimos apenas que ele foi registrado no dia 09 de novembro de 2012.
O suposto escritório da WebGD fica nessa região

Empresa de um homem só

Outro mistério acerca da WebGD é a figura de Michel, suposto gerente de produção da companhia. Trata-se do único “executivo” da WebGD que dá as caras ao público. O jovem, de apenas 23 anos, é autor de um depoimento fixado na página inicial do site da empresa. “Já faz quase 2 anos que venho trabalhando com a WebGD e estou muito contente com os resultados, nunca deixei de receber”, afirma. “Garanto que não estou ganhando rios de dinheiro, mas acredito ter conquistado minha liberdade financeira”.
O interessante é que, ao enviar um email solicitando respostas para qualquer dúvida que você tenha sobre o emprego, é Michel quem irá te responder. Ele mais parece ser o dono da WebGD do que apenas um gerente de produção. A situação ficou mais interessante ainda quando encontramos o perfil do indivíduo no Facebook – e, adivinhe, foram aparecendo mais indícios de que tudo não passa de uma farsa.
Esta é a foto mais real que encontramos do Michel
Embora o nome completo do executivo esteja cadastrado na rede social como Michel Dalberto Fritscher, a URL de sua conta é www.facebook.com/MichelFelipe7. Há uma grande diferença entre Fritscher e Felipe, não é mesmo? Além disso, o perfil do gaúcho tem pouquíssimas informações públicas e todas as suas fotos parecem perfeitas demais para uma pessoa de verdade (ele está sempre com “cara de galã”).
Enviamos um pedido de amizade para Michel, e, apesar de não ter aceitado, ele nos enviou uma mensagem que era basicamente o mesmo texto pronto que recebemos por email. Após questionamos o gerente a respeito do CNPJ baixado e do endereço suspeito da sede da WebGD, não recebemos mais nenhuma reposta.
Felipe ou Fritscher? Você escolhe

E os produtos?

Suspeitos também são os produtos comercializados pela WebGD. O primeiro deles é um curso em vídeo de como criar sites, ministrado pelo próprio Michel Felipe – ou Fritscher, que seja. Já o segundo é uma versão digital do livro “A Ciência Para Ficar Rico”, do escritor norte-americano Wallace Delois Wattles. Detalhe: a obra foi publicada pela primeira vez em 1910, sendo que Wattles faleceu no ano seguinte.
No Brasil, os direitos autorais da obra pertencem à Editora BestSeller, que desde 2004 faz parte do Grupo Editorial Record. Só eles (através das livrarias) podem comercializar o livro em território nacional – o que nos faz estranhar o fato de que a WebGD teoricamente ganhe dinheiro vendendo o eBook sem ter autorização para isso. O mesmo ocorre com o documentário “O Segredo”, de Rhonda Byrne, que é o terceiro produto ofertado pela marca.
Um dos produtos vendidos pela WebGD é um livro que ela não tem autorização para vender

Quando a esmola é demais, o santo desconfia

Todos esses indícios apontam para um único cenário: a WebGD é apenas mais uma fraude que se aproveitou do poder das redes sociais para fazer dinheiro para seus donos. É fácil entender como o esquema funciona: o empregado A paga uma taxa para a empresa e recebe um link de referência para convidar outras pessoas para dentro da empresa. Os empregados B e C se cadastram e pagam a mesma taxa através do código do empregado A, que fica com uma pequena parte desse dinheiro.
“Uma pirâmide financeira, pela sua própria estrutura do negócio, pode demorar para começar a causar prejuízo, pois no início está mais fácil para os participantes (no topo da pirâmide) atraírem novos investidores, que estarão nos níveis inferiores da pirâmide e deverão atrair outros novos participantes, sucessivamente”, afirma o advogado Vinicius Pascoal, em entrevista ao TecMundo.
Contudo, o especialista explica que esse sistema é insustentável e os indivíduos envolvidos logo se encontram em um beco sem saída. “Ocorre que, em um determinado momento, o ingresso de novos investidores vai minguar ou até mesmo parar, quebrando a estrutura de remuneração e causando prejuízos aos seus participantes mais recentes, que terão contribuído para a remuneração dos mais antigos, mas não terão o retorno do que investiram”, comenta.
De acordo com as leis brasileiras, quem montar uma pirâmide financeira pode ser punido com seis meses a dois anos de prisão e multa. Porém, castigos mais pesados estão sendo estudados, e a pena pode chegar a dez anos de cadeia. Para Pascoal, visto que é muito difícil recuperar o dinheiro e tempo investido em uma fraude desse tipo, o internauta precisa tomar cuidado e pesquisar bastante antes de aceitar qualquer oferta de emprego que seja boa demais para ser verdade.
Tome cuidado com propostas que parecem boas demais
“A maior recomendação que pode ser feita é que sempre que se pretende ingressar em um negócio, o interessado deve investigar a empresa, colher o máximo de informações possível, principalmente sobre os produtos ou serviços por ela oferecidos, além da resposta do mercado a eles. Conversar com outros revendedores, tomar conhecimento pormenorizado sobre a política de remuneração e se atentar para casos em que se oferece muito dinheiro em pouco tempo também são medidas que podem evitar enormes transtornos no futuro”, conclui.
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