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| Fabiano Rocha / Fabiano Rocha |
No diálogo fica acordado entre os dois o valor de R$ 720 mensais. O miliciano ainda alega que havia uma boca de fumo atrás da escola e que a atuação do grupo explulsou traficantes e afirma que faz a segurança de outras escolas da região.
A milícia que atuava na região também cobrava taxas de pessoas que encaminhavam seus currículos para disputar vagas de trabalho no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A informação foi fornecida pela Polícia Civil, que realiza nesta quinta-feira uma operação com o objetivo de desarticular a organização criminosa.
Confira o diálogo interceptado pela polícia através de grampo autorizado pela Justiça
Miliciano: Aqui é o Thiago!
Diretora: Aqui é a diretora da escola.
Miliciano: Passamos aí hoje para fazer o cadastro da senhora.
Diretora: Que cadastro, Thiago?
Miliciano: O que acontece. A gente faz parte da equipe de segurança do bairro. Estamos combatendo o tráfico, os assaltos. O patrão pediu para passar aí para ver se pode colaborar com a gente.
Diretora: Colaborar quanto, Thiago?
Miliciano: A gente tem uma tabela. Na tabela, está R$ 300 por semana.
Diretora: Por semana, Thiago?
Miliciano: É. O que a senhora pode fazer pela gente.
Diretora: Você sabe que aqui é uma escola, né? A gente trabalha, corre atrás. Tem pais que não pagam, que querem bancar de galo com a gente. Eu sei que é o trabalho de vocês. Mas é que R$ 300 por semana é muito caro.
Miliciano: A gente pode tirar R$ 100 aí. Ajuda a senhora?
Diretora: Acho que já me ajuda e muito.
Miliciano: Fica R$ 200 por semana então.
Diretora: Tá bom.
Miliciano: A gente passa toda terça-feira.
Diretora: Só vou te falar o seguinte: nada de negócio de arma, de que estão fazendo segurança.
Miliciano: Não, não, não. Isso aí a senhora pode ficar despreocupada. A gente está aqui para trazer o bem e a paz.
Diretora: Quando você chegou aqui e falou que era segurança, a menina chegou a tremer. Precisava ver o transtorno dela. (...)
Diretora: Mas não dá parar fazer por 100?
Miliciano: A gente tem uma tabela. O patrão passa uma tabela para a gente. E a gente passa o que ele passou. Já estou tirando 100 sem ele permitir. Estou tirando na minha conversa. Entendeu?
Diretora: Entendi.
Miliciano: Porque todos os comerciantes pagam.
Diretora: Vocês estão indo em todas as escolas, Thiago?
Miliciano: Todas as escolas. A gente já está prestando essa segurança já tem mais ou menos uns cinco meses. Hoje é que a gente está indo fazer o cadastro. Pode chegar num mercado, numa padaria.
Diretora: Espera aí, Thiago. Como vocês fazem essa segurança?
Miliciano: A escola da senhora é a Pedro e Santana (Centro Educacional de Itaboraí Pedro e Santana)?
Diretora: Isso.
Miliciano: Atrás da senhora tinha uma favela, não tinha?
Diretora: Era. Mas nunca deu problema aqui, não, Thiago.
Miliciano: Mas quantos pais não foram assaltados aí? Quantas crianças não foram estudar aí por causa dos assaltos? O pai falava assim. Vai estudar aonde? No Pedro e Santana. Atrás da favela? Ah, não. Não vamos levar não porque ali tem boca de fumo. Nós chegamos a pegar vagabundo aí vendendo drogas para os alunos. Quantos alunos a escola já não recebeu depois que chegamos? Temos várias viaturas rodando. Se a senhora perceber a viatura está passando na igreja aí. A gente pegou uma área que primeiro passamos no Visconde, Porto das Caixas, Areal, a gente atua no Sossego. A gente roda isso tudo fazendo a segurança do bairro. Até atrás da delegacia. A gente roda isso tudo e é muito funcionário para poder pagar.
Diretora: Vamos tirar pelo menos R$ 20, Thigo.
Miliciano: 180?
Diretora: Está bom.
Miliciano: Prefere por mês ou semanal?
Diretora: Por mês. Todo o fim de mês.
Miliciano: Então vai dar R$ 720.
Com informações do EXTRA/GLOBO

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