quarta-feira, 7 de abril de 2021

São Paulo começa a abrir 600 valas por dia e vai construir 26 mil sepulturas verticais

No início do ano, a Secretaria Municipal das Subprefeituras teve um corte de 2,96% na previsão de orçamento para 2021

 

© Reuters

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O secretário Municipal das Subprefeituras de São Paulo, Alexandre Modonezi, afirmou nesta quarta-feira (7) que o serviço funerário pretende abrir 600 valas diariamente para dar conta do aumento no número de mortos por causa da Covid-19. Também disse que a gestão Bruno Covas (PSDB) pretende construir, em 90 dias, 26 mil sepulturas verticais no cemitério de Itaquera (zona leste).

"Hoje, com aquilo que está sendo apresentado, a gente está tendo uma atitude preventiva. Para que, caso tenha essa demanda, a gente consiga atender a todo mundo", afirmou Modonezi. Embora já tenha iniciado os trabalhos para abrir 600 valas diariamente, o secretário diz que não é possível estimar, no momento, quantas de fato serão usadas por dia até o fim de abril. A intenção, segundo ele, é ter sobra para evitar atropelos, caso a situação se agrave.

O secretário disse que as sepulturas verticais serão construídas em duas quadras virgens, que nunca foram usadas, no cemitério de Itaquera. Segundo ele, são estruturas pré-fabricadas, daí a rapidez na implementação. "Do ponto de vista de obra de engenharia, é muito simples. O Rio de Janeiro também fez isso no ano passado", disse. "Se abríssemos valas normais, seriam 3.000 sepulturas. Vamos usar o mesmo espaço para implantar mais", explicou.

No início do ano, a Secretaria Municipal das Subprefeituras teve um corte de 2,96% na previsão de orçamento para 2021. Entretanto, segundo Modonezi, o sistema funerário conta com uma dotação própria, apoiada na arrecadação do próprio serviço. Ou seja, segundo ele, não tem faltado recurso para implementar essas medidas nem foi necessário tirar grana de outros setores sob a sua gestão, como a zeladoria.

A secretária também abriu negociação com seis crematórios particulares para ampliar a capacidade atual, que é de 48 cremações por dia e que já atingiu o limite. Segundo Modonezi, essas unidades privadas forneceriam mais 50 vagas por dia. "A intenção é contratar pelo mesmo valor cobrado pelo crematório municipal. A pessoa pagaria no serviço municipal e contrataríamos o particular", disse.

O secretário disse ainda que, no ano passado, foi feita uma antecipação em três meses de compra de material para o serviço funerário e que, agora, também tem comprado um pouco a mais para evitar desabastecimento. "A gente tem em estoque todo o material necessário", disse.

Desde 25 de março, quatro dos 22 cemitérios da capital paulista ampliaram em quatro horas o tempo de sepultamento nas necrópoles, que ficarão abertas até as 22h.

Em parceria com outros órgãos, a prefeitura elaborou no ano passado, ainda no início da pandemia no Brasil, um plano de contingenciamento para dar conta de um grande volume de mortes. Entre as soluções surgiu a alternativa de concentrar todos os enterros em apenas dois cemitérios da capital, caso fosse ultrapassada a marca de 400 sepultamentos diários.

No último dia 30 de março, a capital paulista registrou 426 sepultamentos. Entretanto, segundo Modonezi, seria necessário ter média diária superior a 400 enterros durante 15 dias para implementar essas outras medidas, o que ainda não ocorreu.

O número de sepultamentos vem caindo desde então –não última segunda-feira (5), foram 308. "Como a gente teve um ano, conseguiu investir mais em melhoria da operação do serviço funerário. Mais funcionários, informatização e, com isso, a gente joga para frente essa necessidade", disse.

Segundo o secretário, caso seja necessário colocar os dois centros logísticos em funcionamento, famílias que tenham jazigos particulares em outros cemitérios poderiam usá-los. Apenas em um caso extremo, o plano de contigência prevê o fechamento total e a operação em apenas duas necrópoles, para concentrar mão de obra.

"A gente roga a Deus e espera que todo mundo cumpra o isolamento social para que isso não aconteça", afirmou. "Uma coisa importante é que a gente tem como grande diretriz minimizar a dor das famílias, para que não sofram mais."

Modonezi afirmou que a medida não é inédita. "Na última grande crise sanitária [gripe espanhola, em 1918], o Araçá foi usado como único cemitério. Naquele momento, todo mundo foi sepultado lá. O grupo buscou boas práticas que já deram certo no passado", disse.

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