quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Rússia acusa EUA de envolvimento direto na Guerra da Ucrânia

A elevação do tom coincide com o acirramento geral das tensões no eixo dos atores da Guerra Fria 2.0 entre EUA e China

© Reuters

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores da Rússia acusaram os Estados Unidos de envolvimento direto na Guerra da Ucrânia devido ao compartilhamento de informações de inteligência entre Washington e Kiev.

As afirmações vieram na sequência de uma entrevista ao jornal britânico The Telegraph concedida pelo vice-chefe da inteligência militar ucraniana, Vadim Skibitsky, na qual ele afirma que o sucesso do uso dos foguetes de longa distância lançados pelos sistemas americanos Himars se devia às "excelentes imagens de satélite e informação em tempo real".

Como a Ucrânia não possui satélites militares, basta ligar os pontos. Foi o que fez em comunicado nesta terça (2) a Defesa russa: "Tudo isso prova de forma indubitável que Washington, ao contrário do que dizem a Casa Branca e o Pentágono, está envolvida diretamente no conflito na Ucrânia".

O tom foi seguido pela porta-voz da chancelaria, Maria Zakharova. "Nenhuma outra confirmação do envolvimento direto dos EUA nas hostilidades no território da Ucrânia é necessária. O suprimento de armas é acompanhado não só por instruções como usá-las, mas neste caso eles fazem a função de atiradores na sua mais pura forma", disse.

Até aqui, o presidente Vladimir Putin acusava o Ocidente de fomentar o conflito, e o chefe de Zakharova, o chanceler Serguei Lavrov, havia dito em abril que se tratava de uma "guerra por procuração" contra a Rússia.

A elevação do tom coincide com o acirramento geral das tensões no eixo dos atores da Guerra Fria 2.0 entre EUA e China, com a visita da presidente da Câmara americana, Nancy Pelosi, a Taiwan. O Kremlin, aliado de Pequim, condenou o movimento como uma tentativa de "desestabilizar o mundo".

É um território retórico até aqui, mas que embute riscos de segurança, no limite levando ao que o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse na segunda: "A humanidade está a um erro de cálculo da aniquilação nuclear".

O tom alarmista decorre do fato de as tensões entre Rússia e EUA estarem no nível mais alto desde a Guerra Fria, e pode se escorar na frente chinesa da crise que se desenha em torno da ilha autônoma que Pequim considera sua. Se ninguém busca um conflito real, até pelo risco percebido de uma Terceira Guerra Mundial nuclear e devastadora, acidentes acontecem.

Ao longo da Guerra da Ucrânia, o Ocidente elevou sua aposta na militarização de Kiev, após o presidente Joe Biden ter ofertado ao colega Volodimir Zelenski exílio na aurora das hostilidades. Bilhões de dólares em armas foram enviadas, e nesta semana mais um pacote de US$ 550 milhões (R$ 2,9 bilhões hoje) em equipamento de defesa foi anunciado pelo Pentágono.

Ele inclui mais 4 lançadores Himars (acrônimo inglês para Sistema de Foguetes de Artilharia de Alta Mobilidade), elevando a 16 o total à disposição de Kiev -Moscou afirmou nesta terça que já destruiu 6 deles, algo possível, mas difícil de confirmar.

A Ucrânia chegou a pedir 100 desses lançadores, mas o número ameaçaria o estoque americano. Os EUA tinham, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (Londres), 363 unidades do modelo em 2021. Washington também forneceu foguetes com 80 km de alcance, enquanto possui versões que chegam a 300 km.

O compartilhamento de inteligência também é claro. Em abril, Biden ordenou que autoridades de defesa parassem de contar a jornalistas os detalhes de como isso ocorre, justamente para evitar acusações de ação direta. O próprio presidente afirmou, no começo do conflito, que não enviaria tropas para evitar uma Terceira Guerra Mundial.

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