Coronel Tadeu (PSL) e Adriana Borgo (Pros) agora prometem exonerar esses assessores
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Essa troca de favores, em que um agente público nomeia uma pessoa ligada a outro agente público e esse também nomeia uma pessoa ligada ao primeiro agente, é considerada nepotismo cruzado. A prática é proibida por uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF), publicada em 2008.
A decisão do STF fala em "nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau" e vale para a administração pública direta e indireta em qualquer um dos Três Poderes da União, dos estados e dos municípios.
Procurado pela reportagem, o deputado Coronel Tadeu afirmou que, a princípio, não via irregularidade na nomeação de Eduardo, mas que irá exonerá-lo para não dar margem a dúvidas. A deputada Adriana Borgo disse estar consciente da integridade e lisura de suas ações, mas também informou que irá exonerar Roberta, namorada do deputado federal.
"Fizemos umas avaliações aqui e não quero dar margem para qualquer pessoa falar. Estou tirando o Eduardo do meu gabinete. É uma injustiça pelo fato de ele ter trabalhado. E a Roberta também está saindo do gabinete da Adriana. Pelo sim, pelo não, eu quero trabalhar com o foco daquilo que eu me propus aqui na Câmara", disse Tadeu à reportagem.
"Informo que todos os processos de admissão para composição do quadro de assessores do meu gabinete foi feito de acordo com normas e regulamentos vigentes. Porém, diante da informação levantada, que pode levar a uma interpretação errônea, optei pelo desligamento da referida assessora", afirmou a deputada Adriana, em nota.
A reportagem procurou Tadeu para obter uma resposta sobre a nomeação dos parentes, e o deputado pediu um tempo para estudar a situação. Depois, retornou a ligação e informou que os familiares serão afastados.
"Se eu tivesse contratando o marido dela ou um filho, eu não faria isso. Mas o irmão... Eu fiz uma pesquisa e não vi nada de errado. Vou até consultar outro colega jurista. Eu sou advogado também, mas não é porque é advogado que tem que saber tudo. Se for [nepotismo cruzado], pelo amor de Deus, eu desfaço. Não quero fazer nada de errado", afirmou o deputado a princípio.
Tadeu argumentou que não é casado com Roberta. São namorados e moram em casas separadas, segundo ele. Sobre Eduardo, o parlamentar disse que foi seu braço direito na campanha e lamentou a perda do assessor: "É um excelente agente político, trabalha bem no sentido de divulgar".
Segundo a folha de pagamentos de março da Câmara, Eduardo receberia R$ 5.522,32 de salário bruto e mais R$ 714,39 de auxílios como secretário parlamentar, um cargo comissionado, ou seja, de indicação política. O cargo de Roberta na Assembleia de SP também é de comissão e tem salário bruto de R$ 7.756,16 de acordo com a tabela de vencimentos.
A súmula vinculante do STF bane o que chama de "designações recíprocas", isto é, o nepotismo cruzado. Quando um caso, como esse, ocorre em órgãos diferentes (Assembleia de SP e Câmara dos Deputados), o promotor de Justiça João Gaspar Rodrigues afirma haver o chamado nepotismo trocado.
"Se as 'designações recíprocas' ocorrerem entre pessoas jurídicas distintas (entre dois municípios ou dois estados; ou até entre um município e um estado)? Neste caso, tem-se uma nova modalidade: nepotismo trocado. E embora não previsto nos termos da SV 13 [Súmula Vinculante], está igualmente vedado pela Constituição Federal", escreve em um artigo.
Com base nesse entendimento de nepotismo trocado, o Tribunal de Justiça de São Paulo já condenou por improbidade um ex-vereador e um ex-deputado estadual.
Tadeu e Adriana pertencem ao mesmo grupo político, ligados ao senador Major Olímpio (PSL-SP). Eles fizeram campanha juntos em algumas regiões do estado e foram eleitos pela primeira vez seguindo a onda de Jair Bolsonaro (PSL).
Tadeu é policial militar e piloto de helicópteros. Resolveu se candidatar a convite de Olímpio, de quem é amigo há muito tempo -eles se formaram juntos no curso de oficiais da PM paulista.
Já Adriana foi assessora parlamentar de Olímpio na Assembleia Legislativa de São Paulo em 2009 e 2010. Também ocupou cargos de assessoria na Câmara dos Deputados, na Câmara Municipal de São Paulo e na Câmara Municipal de Campinas. Mulher de um policial militar, a deputada é presidente da Afapesp (Associação dos Familiares e Amigos de Policiais do Estado de São Paulo) e milita na área da segurança pública.
O senador Major Olímpio afirmou que é amigo de Tadeu e já trabalhou com Adriana, mas que não faz parte do mesmo grupo político que ela. "Adriana é de outro partido. Sou presidente do PSL em São Paulo, temos 15 deputados estaduais na Assembleia", disse.
Via...NOTÍCIAS AO MINUTO

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