sábado, 6 de fevereiro de 2021

Fundo nórdico exclui gigantes do agro por desmatamento no país

 

"Apesar dos compromissos das empresas [com políticas de proteção ambiental], a taxa anual de desmatamento das florestas tropicais da Amazônia continua em um ritmo alarmante", afirmou o diretor do segundo maior gestor de ativo escandinavo

© pixabay

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O desmatamento no Brasil levou o escandinavo Danske Bank, que administra € 237 bilhões (R$ 1,53 trilhão), a excluir de dois dos seus fundos a Cargill, a Bunge e a ADM, três gigantes que operam o comércio internacional de produtos agrícolas, com destaque para a soja.

"O Danske Invest & Danica mantém restrições de investimento para Cargill, ADM e Bunge relacionadas ao desmatamento no Brasil", disse à Folha o diretor de investimento sustentável do Danske Bank, Erik Eliasson.

"Apesar dos compromissos das empresas [com políticas de proteção ambiental], a taxa anual de desmatamento das florestas tropicais da Amazônia continua em um ritmo alarmante", afirmou o diretor do segundo maior gestor de ativo escandinavo.

Procuradas, as tradings citaram políticas de monitoramento da cadeia e compromissos como a moratória da soja.

"Dados divulgados pela agência espacial brasileira, o Inpe, em novembro de 2020 indicaram que o desmatamento atingiu seu nível mais alto desde 2008; e 2020 constituiu um dos piores anos em mais de uma década em termos de hectares de terra desmatada."

A exclusão das três múltis consta em uma lista de restrição de investimentos do fundo publicada em setembro de 2020, quando o Brasil enfrentava nova alta nas queimadas na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.

"Existem questões estruturais e políticas no Brasil quando se trata da proteção das florestas tropicais amazônicas", afirmou Eliasson, com ressalvas às políticas ambientais das empresas.

"Até que haja uma agenda política mais forte e planos de ação e compromissos concretos para proteger as florestas tropicais, as empresas que compram na região provavelmente estarão expostas e contribuindo para o desmatamento das florestas, independentemente de quão fortes práticas de manejo possam ter. Por sua vez, essas empresas podem ser afetadas por graves riscos de reputação e diminuição da demanda do consumidor."

Três iniciativas de monitoramento ambiental de cadeias globais de commodities destacam as relações das três empresas com áreas desmatadas e queimadas no Brasil.

Em setembro, a ONG americana Mighty Earth compilou ranking dos principais comerciantes de soja e apontou que Bunge e Cargill são as piores infratoras por altos riscos de desmatamento nas cadeias de abastecimento.

"Independentemente dos problemas em todas as cadeias de abastecimento, é claro que a Bunge e a Cargill se destacam do resto em termos de políticas fracas de sustentabilidade da soja, monitoramento, relatórios e divulgação insuficientes, áreas de abastecimento de alto risco e, o mais importante, os grandes volumes de liberação dentro de suas cadeias de abastecimento", diz o relatório da Mighty Earth, que passou a monitorar as cadeias.

Em Mato Grosso, o maior produtor de soja do Brasil, Bunge e Cargill são as empresas mais expostas a risco de desmatamento entre os negociadores da commodity que exportam para a China. No caso da exportação para a União Europeia, a ADM também aparece entre as mais expostas. A análise foi publicada pela iniciativa Trase em junho de 2020, a partir de dados de 2018.


EMPRESAS NEGAM PROBLEMAS AMBIENTAIS


"A Cargill não fornecerá soja de agricultores que desmatam ilegalmente ou de áreas protegidas, e temos a mesma expectativa em relação aos nossos fornecedores", diz a Cargill em nota. "Não fazemos compras em nenhuma área recém-desmatada na Amazônia", afirma a ADM, que também cita uma "política rígida de proibição de desmatamento". A Bunge informou cita ter atingido em 2020 "100% de rastreabilidade de fazendas para compras diretas de soja no Brasil".

VIA...NOTÍCIAS AO MINUTO 

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