Cancelamento do encontro expõe desconforto na base aliada do governador em meio às investigações sobre a operação entre o BRB e o Banco Master, que já mobiliza órgãos de controle e pressiona a relação do Executivo com a Câmara Legislativa.
Segundo dois parlamentares que pediram anonimato, o convite partiu do próprio gabinete do governador. Diferentes locais foram cogitados para a reunião, como a residência oficial, a casa de Ibaneis e, por fim, a residência do secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha. Diante do risco de falta de quórum, o encontro acabou desmarcado, sem nova data definida.
O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Wellington Luiz (MDB), que integra a base do governo, negou que o cancelamento tenha ocorrido por falta de apoio. Segundo ele, a decisão foi adiar a conversa para depois do Carnaval.
“Houve um entendimento para deixar a reunião para depois do Carnaval, até porque alguns deputados estão fora. Não há resistência da base em se encontrar com o governador”, afirmou. Wellington acrescentou que está à frente da articulação e que pretende ajustar uma nova data após o feriado.
A reunião seria a primeira do ano entre Ibaneis e a Câmara Legislativa. Procurada, a assessoria do governador não se manifestou.
Base silenciosa e clima de tensão
Embora o governo conte com o apoio de 17 dos 24 deputados distritais, nenhum deles saiu em defesa do Executivo na abertura do ano legislativo, na semana passada. Na ocasião, parlamentares da oposição ocuparam a tribuna com críticas à gestão.
Ibaneis também não compareceu à sessão nem enviou representante para a leitura da mensagem do governo. Wellington Luiz afirmou que a ausência se deu para evitar constrangimentos, diante do momento considerado delicado.
Um deputado da base avalia que o governo foi jogado em uma crise em pleno ano eleitoral. Segundo ele, parte dos parlamentares se sente enganada por ter aprovado a operação envolvendo o Banco Master com base em informações limitadas repassadas pelo BRB e pelo Palácio do Buriti.
Apesar do desgaste, iniciativas mais duras da oposição, como a abertura de uma CPI ou um eventual pedido de impeachment, só devem avançar se houver indícios de envolvimento direto do governador. Até agora, Ibaneis tem dito a aliados que errou ao confiar no então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Investigação e impacto financeiro
Como acionista majoritário do BRB, o governo do DF precisou submeter a operação com o Banco Master à aprovação da Câmara Legislativa, o que ocorreu por 15 votos a 7. O projeto foi sancionado por Ibaneis no dia seguinte e publicado em edição extra do Diário Oficial.
Investigações do Banco Central, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal indicam que o Master teria vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado consideradas falsas ao BRB. Segundo os investigadores, a compra da instituição teria servido para mascarar a operação e evitar a quebra do banco controlado por Daniel Vorcaro.
O Banco Central já determinou que o BRB reserve R$ 2,6 bilhões para cobrir possíveis prejuízos. Em depoimento à PF, o diretor de Fiscalização do BC, Aílton de Aquino, afirmou que o valor pode ser ainda maior, devido à baixa qualidade dos ativos recebidos.
Na sexta-feira (6), o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, apresentou um plano de capitalização ao BC com quatro propostas. Parte das medidas depende do aval dos deputados distritais e inclui a venda de ativos do Master, empréstimos com consórcio de bancos, apoio do Fundo Garantidor de Créditos e a criação de um fundo imobiliário com ativos do governo do DF.
VIA… NOTÍCIAS AO MINUTO
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Os comentários são pessoais, é não representam a opinião deste blog.
Muito obrigado, Infonavweb!