Empresa deve avançar no Rio, São Paulo e Distrito Federal e abrir novas unidades da Galeria Magalu; digital representa 68% das vendas da rede, que nos últimos anos priorizou investimento em tecnologia
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| ©Divulgação |
A exceção foi a Galeria Magalu, aberta em dezembro na avenida Paulista, em São Paulo, que reuniu em um mesmo espaço os diversos negócios do grupo -Magalu, Netshoes, Época Cosméticos, Kabum! e Estante Virtual, além do teatro Youtube e de uma cafeteria. Hoje o grupo tem 1.246 lojas.
A representatividade do canal digital nas vendas totais do Magalu caiu de 70,6% em 2024 para 68,5% em 2025. Enquanto as vendas do comércio eletrônico recuaram 3,9% no ano passado, o resultado das lojas físicas cresceu 5,9%.
"O investimento em abertura de loja vai ganhar proporção maior do capex [capital para investimento] ao longo dos próximos anos", disse Fred Trajano, CEO do Magalu, na teleconferência. "A gente espera que o capex também seja maior. Quanto menores os juros, menor o custo de capital; não faz sentido manter a taxa neste patamar", diz, referindo-se à Selic em 12% ao ano, que inibe a expansão do varejo.
O executivo reforça, no entanto, que mantém a aposta no ambiente digital, especialmente nas vendas pelo WhatsApp, usando inteligência artificial conversacional.
As vendas totais do grupo (incluindo de terceiros, no marketplace) recuaram 1% em 2025 na comparação com o ano anterior, para R$ 64,7 bilhões. Já a receita bruta do Magalu aumentou 1,9% para R$ 48,2 bilhões, enquanto a receita líquida avançou 1,7%, para R$ 38,7 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 10,6% para R$ R$ 3,2 bilhões. O lucro líquido, por sua vez, caiu 54%, para R$ 204,6 milhões.
Um dos destaques do balanço foi a provisão de R$ 299,1 milhões no quarto trimestre para lidar com o excesso de estoques, com o objetivo de acelerar a venda de produtos sazonais ou de baixo giro. Segundo a empresa, foi o caso da categoria de ar-condicionado: houve um excesso de compras com base na expectativa de aumento de temperatura, mas 2025 se mostrou menos quente do que 2024, apesar das ondas de calor.
A expansão física deve ter início no segundo semestre deste ano, com abertura de lojas especialmente no interior do Rio de Janeiro, no Distrito Federal e na zona sul da capital paulista. Também estão sendo identificados quais pontos podem ser transformados em novas Galerias Magalu, de menor porte. Hoje já existem dois projetos-piloto em andamento.
O último ciclo de expansão foi em 2021, quando a empresa chegou ao Rio de Janeiro com a abertura de 50 pontos de venda. De lá para cá, o Magalu chegou a fechar lojas e fez a última inauguração em junho de 2023, em Belo Horizonte.
Trajano diz que, a despeito de ter investido nos últimos anos basicamente em tecnologia, é importante que as fontes de receita sejam diversificadas. "Gosto do equilíbrio ecossistêmico entre 1P, 3P e loja", afirma o executivo, usando os jargões do varejo digital: 1P são as vendas de estoque próprio e 3P são as vendas de lojistas que integram o marketplace.
A companhia defende que o modelo multicanal acelera suas vendas, além de melhorar a logística, uma vez que as lojas são usadas como pontos de trocas e entregas do canal on-line. Nas lojas, também é possível aumentar a oferta de serviços financeiros do MagaluPay, especialmente o CDC (Crédito Direto ao Consumidor). Com novas unidades do modelo Galeria Magalu, é possível ainda explorar as demais marcas do grupo no mesmo espaço, além de favorecer o "retail media" (ações de marketing de fornecedores).
Nos últimos dez anos como CEO do Magalu, Fred Trajano acumulou 22 aquisições -antes dele, a empresa criada em 1957 por sua tia-avó, Luiza Trajano, havia feito 10. Desde que assumiu o comando da companhia, transformou o varejo de móveis e eletro em um conglomerado de empresas que incluem artigos esportivos (Netshoes), acessórios (Shoestock), calçados (Zatini), plataformas de delivery (AiQFome), conteúdo (CanalTech), livros (Estante Virtual) e games (Kabum!).
O "ecossistema" do Magalu envolve ainda diversas empresas especializadas em operações on-line, como Magalog (plataforma que gerencia entregas em tempo real), Magalu Ads (publicidade) e Magalu Pagamentos (antecipação de recebíveis), voltadas aos vendedores que integram o marketplace da varejista (os "sellers").
RAIO X - MAGAZINE LUIZA
- Fundação: 1957
- Funcionários: 35 mil
- Faturamento 2025: R$ 64,7 bilhões
- Presença: 1.246 lojas e 21 centros de distribuição, em 19 estados e no Distrito Federal
- Principais concorrentes: Mercado Livre, Casas Bahia, Amazon, Shopee
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