segunda-feira, 13 de abril de 2020

Quarentena contra coronavírus piora hábitos de americanos

Na semana que acabou em 21 de março, as vendas de bebidas alcoólicas subiram 55% em relação ao mesmo período do ano passado


© Pixabay
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Depois de um dia de tristeza ou de muita ansiedade, a receita de muitos americanos é colocar a lasanha congelada no microondas, abrir uma cerveja gelada ou uma garrafa de vinho e separar a sobremesa pronta para comer antes de uma bela noite de sono.

Mas o roteiro virou rotina nos EUA no mês de março, com o avanço vertiginoso da pandemia do coronavírus e a necessidade de se manter em casa pelo maior tempo possível.
Enquanto os números de casos confirmados de Covid-19 disparam, americanos intensificaram hábitos poucos saudáveis para tentar lidar com a solidão e com as inquietações durante o período de isolamento –e podem provocar um novo problema de saúde pública a longo prazo no país.
Com mais de 95% da população sob medidas de distanciamento social, escalou nos EUA o consumo de bebidas alcoólicas, massas, comidas enlatadas, fermento e maconha (nos estados em que a substância é legalizada) ao mesmo tempo em que aumentou o período de sono e despencou o de exercícios físicos.
Na semana que acabou em 21 de março, as vendas de bebidas alcoólicas subiram 55% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com a Nielsen, empresa que realiza pesquisa de mercado, os líderes da lista são o gim, a tequila e os drinques pré-preparados, com alta de 75%,.
Depois estão o vinho, com 66% de aumento, e a cerveja, com 42%. Somente a venda online das bebidas alcoólicas –serviço bastante utilizado durante a quarentena– aumentou 243%.
A nutricionista Rachel Wong, da Universidade Georgetown, afirma que ingerir comidas pouco saudáveis e bebidas alcoólicas é uma válvula de escape bastante comum para lidar com situações de tristeza e muito estresse, porque criam uma sensação de bem-estar imediata.
A preocupação, ela explica, é que esse tipo de dieta se estabeleça a longo prazo, o que pode desenvolver doenças graves, como obesidade, diabetes, pressão alta e outros problemas cardiovasculares.

"Se a gente precisar adotar um novo normal para esse isolamento, pois o vírus não vai estar completamente fora daqui, existirão muitas pessoas que não vão sair de casa como saíam antes, não vão se exercitar ou comer de maneira saudável como faziam antes, e teremos problemas graves", afirma Wong.
À medida em que aumentam as fotos de bolo de cenoura nos perfis das redes sociais, as vendas de fermento nos EUA subiram 647% no meio de março, ainda de acordo com a Nielsen, mais do que qualquer outra comida, bebida ou produto consumido no mesmo período –inclusive o disputado papel higiênico.
A nutricionista explica que é preciso equilíbrio –e também uma rotina de exercícios, mesmo que leves– porque o sedentarismo pavimenta o terreno para outras doenças, inclusive depressão.
"É muito importante que você faça algo que goste. Não há nada de errado em beber um taça de vinho ou um copo da bebida de sua preferência, ocasionalmente, um doce de vez em quando, é sobre planejar refeições", ela diz. "Quando você se sente depressivo, sua motivação para fazer coisas que são boas para você cai muito."
Os números ao redor dos EUA refletem o cenário apresentado pela especialista.
Estudo conduzido pela Evidation Health mostra que o ritmo de movimentação dos americanos caiu 39% na última semana de março em comparação com o início do mês.Todos os 50 estados do país mais a capital experimentaram queda no nível de atividade física de pelo menos 24%, segundo o levantamento.
As regras de distanciamento social permitem, em sua maioria, que as pessoas saiam de casa para atividades essenciais, como compra de comida e remédio, mas elas também podem fazer caminhadas ou corridas contanto que não seja em grupo. Em Washington, por exemplo, onde a multa por descumprir a ordem de distanciamento chega a US$ 5.000 (R$ 26 mil), é possível uma pessoa se exercitar ao ar livre sozinha ou com outra que more na mesma casa. As academias, porém, estão fechadas, e os grupos de corrida, proibidos.
Só na cidade de Nova York, onde o quadro da pandemia é dos mais graves no país, atividades físicas caíram 50% na semana que houve ordem para moradores ficarem em casa.
A pesquisa da Evidation Health mostrou ainda que o declínio das atividades físicas entrou em ritmo acelerado a partir de 13 de março, quando Donald Trump declarou emergência nacional. Foi também ali que o sono dos americanos começou a fazer o movimento contrário: aumentou em 20%.
As tentativas de buscar conforto em tempos sombrios têm ligação direta com o estado de espírito das pessoas. A pesquisa da Evidation Health mostrou que, em pouco maios de dez dias, aumentou em 20 pontos o número dos que responderam que a ansiedade cresceu nas últimas semanas em meio à pandemia.
Eram 29% os ansiosos na semana de 12 de março, às vésperas da declaração de emergência nacional no país, e 49% na última semana do mês.
Muitos deles têm recorrido à maconha, substância legalizada em diversos estados americanos e utilizada, além da forma recreativa, para fins medicinais.
Dono da Harborside, rede de lojas de maconha na Califórnia, Steven DeAngelo afirmou à CNBC que suas vendas aumentaram de 20% a 25% no último mês porque muitas pessoas "confiam na cânabis como primeira linha de defesa em questões médicas."
Esses consumidores –que precisam ter 21 anos, mas não receita médica– estão estocando maconha, e muitas das lojas começaram a apostar também no serviço de delivery para atender à demanda.
A nutricionista de Georgetown diz que é preciso encontrar alternativas na comida saudável e nos exercícios físicos para que o período pós-pandemia não deixe um legado ainda mais problemático para a saúde dos EUA.
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