segunda-feira, 22 de junho de 2020

Trump minimiza apoio a Guaidó e considera se encontrar com Maduro

De acordo com Bolton, Trump considera Guaidó "fraco" para enfrentar o "forte" Maduro

© Getty
BAURU, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a importância de seu apoio ao líder opositor da Venezuela, Juan Guaidó.Em entrevista ao site Axios publicada neste domingo (21), Trump disse que "poderia ter vivido com ou sem" a decisão de apoiar Guaidó, mas "estava muito firmemente contra o que está acontecendo na Venezuela".Para o americano, o fato de ele ter reconhecido Guaidó como presidente interino não é "muito significativo".
Além dos EUA, mais de 50 países, incluindo o Brasil, consideram Guaidó o líder legítimo da Venezuela desde janeiro de 2019, quando ele se proclamou presidente acusando Nicolás Maduro de ter fraudado as eleições de 2018.Além da confiança de Trump, Guaidó também perdeu o título de presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, depois que o Tribunal Supremo de Justiça do país decidiu anular o título e declarar o deputado Luis Parra, dissidente da oposição e próximo ao chavismo, como responsável pelo Parlamento.
O presidente americano também disse ao Axios que poderia considerar possibilidades de diálogo com Maduro no futuro."Eu poderia talvez pensar nisso. Maduro gostaria de se reunir, e eu raramente me oponho a reuniões."Trump ainda afirmou que "perde-se muito pouco com reuniões", mas as rejeitou neste momento.Após a repercussão da entrevista e os indícios de uma mudança na política dos EUA em relação à Venezuela, Trump usou as redes sociais para recrudescer seu discurso de oposição a Maduro."Ao contrário da esquerda radical, sempre estarei contra o socialismo e com o povo da Venezuela. Minha administração sempre esteve do lado da LIBERDADE e contra o regime opressivo de Maduro!", escreveu o líder republicano nesta segunda-feira (22). "Eu só me encontraria com Maduro para discutir uma coisa: uma saída pacífica do poder!"
Em março, o governo dos EUA acusou Maduro de conspiração e narcoterrorismo e ofereceu recompensa de até US$ 15 milhões informações que levem à captura ou à condenação do líder venezuelano.As relações entre Washington e Caracas também foram prejudicadas por uma tentativa frustrada de invasão à Venezuela por mercenários, no início de maio.No contrato com o grupo mercenário, exibido pelo chefe da investida, o ex-militar das Forças Armadas dos EUA Jordan Goudreau, há uma suposta assinatura de Guaidó -ele nega que seja verdadeira.
Maduro acusa Guaidó e Goudreau de terem se encontrado na Casa Branca, residência oficial do presidente dos EUA, em fevereiro, para arquitetar o ataque marítimo com o objetivo de retirá-lo do poder na Venezuela. Trump disse que o governo americano não está por trás da operação e que, se estivesse, não confiaria em grupo tão pequeno para tal missão. "Eu não sei de nada. Acredito que o governo nada tenha a ver com isso tudo e terei que descobrir o que aconteceu", afirmou.
"Se fôssemos fazer algo com a Venezuela, não seria desse jeito. Seria um pouco diferente. Seria chamado de invasão."A política externa americana em relação à Venezuela também foi retratada no livro "The Room Where It Happened: A White House Memoir" (a sala onde aconteceu: um livro de memórias da Casa Branca), escrito por John Bolton, ex-assessor de segurança nacional dos EUA.
De acordo com Bolton, Trump considera Guaidó "fraco" para enfrentar o "forte" Maduro. O livro do ex-assessor denuncia movimentações de Trump para prejudicar seus adversários políticos e favorecer seus interesses pessoais; em especial, sua reeleição como presidente em novembro."The Room Where It Happened" chega às livrarias nesta terça-feira (23), mas desde a semana passada figura entre os mais vendidos na Amazon americana.
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