sexta-feira, 7 de maio de 2021

Presidente da dona da Fiat vê piora no cenário de falta de peças até junho

Antonio Filosa, presidente da Stellantis, grupo que reúne as empresas Fiat, Jeep, Peugeot e Citröen, falou sobre a indústria automobilística brasileira

 

© Fiat


O segundo trimestre será o mais severo para a indústria automobilística brasileira, que pode voltar a suspender a produção por causa da falta de componentes, especialmente semicondutores, prevê Antonio Filosa, presidente da Stellantis na América do Sul. O grupo reúne as empresas Fiat, Jeep, Peugeot e Citröen. "O período de abril a junho será o mais difícil para todas as montadoras do Brasil e do mundo", diz.

Em abril, a Fiat já suspendeu um turno de trabalho na fábrica de Betim (MG) por dez dias e deu férias coletivas a 1,9 mil funcionários. Também havia adotado a medida em março, por 12 dias, com a dispensa de 600 trabalhadores.

"Estamos monitorando o abastecimento semana a semana e, se forem necessárias decisões que preservem nosso sistema de produção, vamos tomá-las", diz Filosa. Com suas quatro marcas, a Stellantis é hoje o quarto maior grupo automotivo do mundo e é líder de vendas na América do Sul e no Brasil. Na opinião de Filosa, o fornecimento de chips só deverá se normalizar no início de 2022, quando fornecedores asiáticos já deverão ter ampliado a produção. O problema afeta a indústria mundial e começou após o setor retomar atividades em ritmo mais forte do que o esperado, e as fabricantes de itens eletrônicos não deram conta da demanda. No início da pandemia, parte dela foi direcionada a setores que mantiveram atividades.

Ao longo de março e abril, várias montadoras suspenderam ou reduziram a produção no País por não dispor de peças. A General Motors fechou a fábrica de Gravataí (RS) em abril e só retoma atividades em julho. A filial de São José dos Campos (SP) opera em um turno há dois meses e vai retomar o segundo turno nos próximos dias.

Filosa diz que a Stellantis tem alto índice de nacionalização de componentes, mas ainda assim vai avaliar a necessidade de criar estratégias para não depender tanto de itens fabricados na Ásia, caso dos chips.

O executivo afirma que a demanda por veículos novos está aquecida. A picape Fiat Strada, atualmente o veículo mais vendido no Brasil, por exemplo, tem fila de espera de três meses ou mais. De acordo com Filosa, somente a escassez de componentes poderá levar a empresa e o setor a reverem projeções de vendas para este ano, de pouco menos de 2,4 milhões de automóveis e comerciais leves.

Vacina e reformas

Assim como outros executivos do setor industrial, Filosa afirma que a economia brasileira deve deslanchar quando boa parte da população estiver vacinada contra a covid-19. "O mundo da saúde e o da economia são intimamente conectados, por isso quanto mais rápido a vacina chegar, melhor será para a economia."

Também ressalta a urgência das reformas administrativa e tributária, assim como soluções para os gargalos do sistema produtivo que penalizam a competitividade da indústria local.

"O Brasil tem muito claro o que precisa ser feito: reformas que melhorem a competitividade do sistema industrial; precisamos ter possibilidade de atrair mais investimentos e mais tecnologia", cita o executivo, ressaltando que as empresas também precisam fazer sua parte e investir em inovação e em mão de obra.

Filosa reforça que, por ser global, quando o grupo projeta uma competição com sistemas produtivos mexicanos, coreanos, asiáticos e europeus tem de ser igual ou melhor inclusive para receber apoio da matriz.

Só a Fiat/Jeep já tem previsto investimento de R$ 16 bilhões no País entre 2018 e 2025, valor que já teve grande parte aplicada em novos produtos - o primeiro SUV da Fiat chega em breve - e em outros projetos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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