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quinta-feira, 15 de julho de 2021

Argentina chega a 100 mil mortos em meio a tentativas de combinar vacinas e medo da delta

O governo voltou a fazer restrições para tentar interromper a disseminação da segunda onda, que começou logo depois das férias de verão, quando houve flexibilização do funcionamento de bares, restaurantes, voos locais e hotéis

© Getty Iages

 


BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Com mais 610 óbitos nesta quarta-feira (14), a Argentina ultrapassou a marca de 100 mil mortos por Covid, em meio a uma tentativa de acelerar a vacinação a partir da combinação de imunizantes e ao temor diante da variante delta -identificada em ao menos 15 pessoas que chegaram do exterior.

Os testes para a combinação de fármacos de diferentes laboratórios começou na segunda (13), com mais de 4.000 voluntários. A ideia é vacinar aqueles que receberam, na primeira dose, o imunizante Sputink V.

O laboratório russo Gamaleya, que fechou contrato de 10 milhões de vacinas com o governo argentino, afirmou não ter capacidade industrial para cumprir o acordo a tempo, devido ao agravamento da pandemia na Rússia. Assim, mais de 6 milhões de argentinos que receberam a primeira dose da Sputnik V correm o risco de ultrapassar o teto de 3 meses, considerado o intervalo máximo entre a primeira e a segunda aplicação, sem que sejam completamente imunizados. Trezentos mil já estouraram esse prazo.

A Sputnik V é uma vacina com dois componentes. Por isso, em teoria, quem tomou a primeira dose dessa vacina, de vetor viral não replicante, precisa esperar o segundo componente do mesmo laboratório.

Os estudos, porém, tentam avaliar a possibilidade de completar a imunização com uma dose da AstraZeneca, também de vetor viral não replicante, ou da Sinopharm, de vírus inativado. Os testes, cujos resultados estão previstos para serem divulgados daqui a três semanas, estão sendo realizados pelo Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas.

Para o infectologista Jorge Geffner, que participa do estudo, a mistura de vacinas "é uma solução boa e, a princípio, segura". "Não há razão para que sejam incompatíveis, já que todas têm o mesmo objetivo."

Num primeiro momento, devido à chegada lenta de imunizantes ao país, o governo decidiu ampliar a aplicação da primeira dose, estendendo o período para a distribuição da segunda, para aumentar a cobertura vacinal argentina. Assim, 43,6% da população adulta recebeu uma dose, e 11,2%, as duas.

"Essa era a decisão adequada de um ponto de vista pragmático, num primeiro momento", diz o infectologista Javier Farina. "O aparecimento da variante delta e a eficácia menor dos imunizantes contra essa mutação, porém, indicam que o correto agora é correr com a segunda dose", afirma.

O teste sobre a combinação de doses está relacionado a essa mudança de enfoque, assim como a compra, na semana passada, de 20 milhões de doses da vacina da Moderna, que ainda não começaram a ser entregues. O presidente Alberto Fernández vem sendo muito criticado pela oposição por ter recusado uma oferta da Pfizer, em agosto do ano passado, devido a uma "questão de soberania nacional".

Patricia Bullrich, líder do PRO, principal partido de oposição, afirmou que o peronista havia pedido suborno ao laboratório americano e, diante da recusa, as negociações foram interrompidas. Em reação, Fernández entrou com denúncia de difamação contra Bullrich, e o fato é que, por ora, a Argentina está sem o imunizante da farmacêutica, embora tenha participado dos testes de desenvolvimento do fármaco.

O governo também voltou a fazer restrições para tentar interromper a disseminação da segunda onda, que começou logo depois das férias de verão, quando houve flexibilização do funcionamento de bares, restaurantes, voos locais e hotéis. Em 1º de junho, o país atingiu um recorde de 35 mil casos por dia.

As viagens internacionais, liberadas de modo controlado em setembro de 2020, foram outra vez restringidas com rigor, e o limite máximo diário de entrada de passageiros no país, de 2.000, em fevereiro, passou agora para 600, ou pouco mais que três aviões lotados.

Desde o ano passado, estão totalmente proibidos os voos que saem e chegam do Chile, do Brasil e do México. Já as aeronaves que têm como destino a Europa e os EUA voltaram a ser liberadas.

Com um grande fluxo de passageiros que viajaram a Miami ou Madri para se vacinar ou passar férias, a medida mais recente atingiu 45 mil argentinos no exterior. Um dos que ficaram "presos" temporariamente fora do país é o ex-presidente Mauricio Macri, cujo voo de volta da Suíça foi cancelado.

A oposição realizou forte pressão para que esse número fosse revisto, e a partir da próxima semana será permitida a entrada de 1.500 pessoas por dia -a cifra deve aumentar gradativamente até voltar ao nível anterior à pandemia. Ainda assim, só argentinos e residentes podem ingressar no país, que segue fechado ao turismo internacional. Brasileiros que estejam na Argentina têm de retornar pela fronteira terrestre.

Florencia Carignano, diretora de Migrações, afirmou que, para o restabelecimento total do fluxo de voos internacionais, é necessário que todos cumpram o protocolo ao chegar, o que inclui um teste de antígenos pago pelo passageiro ao desembarcar, um teste PCR aos que tiverem resultado positivo e uma quarentena de sete dias. Em algumas províncias, o confinamento tem de ser feito em hotéis pagos pelo viajante.

Nesta semana, porém, ao menos três passageiros vindos dos EUA, do Paraguai e do Panamá com a variante delta não cumpriram as regras e estão sendo procurados pela polícia. "Estamos apresentando denúncia contra todos eles, por atentado contra a saúde pública", disse Carignano.

Com eleições legislativas marcadas para novembro, os governos, tanto o nacional como os das províncias, têm tomado decisões de olho nas urnas. A oposição, que comanda a capital federal, Buenos Aires, por exemplo, tem um perfil pró-abertura da economia, e o chefe de governo da cidade, Horacio Rodríguez Larreta, defende que lojas, restaurantes e demais atividades continuem funcionando com protocolos.

Já o governo nacional e de algumas províncias lideradas por peronistas, como a de Buenos Aires, defendem políticas mais agressivas, como toque de recolher e uso do transporte público apenas para trabalhadores essenciais. Outras, ainda, investem para salvar suas economias locais, muito centradas no turismo. A província de Salta, por exemplo, está distribuindo imunizantes da AstraZeneca e da Sinopharm em locais turísticos e pretende estimular o turismo de vacinas no país.

Fernández, por sua vez, enfrenta queda de popularidade. No início de seu governo e da pandemia, em abril de 2020, o mandatário chegou a ultrapassar 70% de aprovação, principalmente devido à boa gestão da crise sanitária e ao acordo de reestruturação da dívida externa. Hoje, porém, essa cifra caiu para 34%, segundo o instituto Poliarquía. A queda está relacionada ao aumento da pobreza, em 42%, à alta inflação, de 35% acumulada no último ano, e ao fato de, mesmo com uma longa quarentena de quase sete meses, os números de casos e mortos permanecerem em um patamar alto.

Num de seus pronunciamentos, no início da quarentena, Fernández afirmou que as medidas duras tinham um objetivo: "Prefiro ter mais 10% de pobres a 100 mil mortos". Só que agora o cenário é o de uma pobreza que cresce em meio a 100 mil óbitos provocados pela Covid-19.

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