segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Perseguição aos técnicos da Anvisa é uma vergonha nacional, diz Gilmar

Após o aval da agência à vacina, ocorrido na quinta (16), o presidente Jair Bolsonaro (PL) defendeu, em tom de ameaça, a divulgação dos nomes dos profissionais envolvidos na aprovação

© Reuters


SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes chamou de "vergonha nacional" a perseguição aos técnicos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), após o aval para vacinação de crianças contra Covid-19.

"A perseguição aos técnicos da Anvisa é uma vergonha nacional. Mostra como o discurso do ódio chegou a níveis alarmantes no país. Aos servidores da agência, expresso minha solidariedade. Conclamo que as autoridades policiais investiguem e garantam a segurança das famílias", escreveu em publicação no Twitter.

Pouco antes da manifestação do ministro, a agência anunciou neste domingo (19), por meio de nota, que solicitou proteção policial para servidores e diretores envolvidos na aprovação do uso da vacina da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos.

A Anvisa encaminhou o ofício ao procurador-geral da República, Augusto Aras, e ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional), ao Ministério da Justiça, à Diretoria-Geral da Polícia Federal (PF) e à Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal.

De acordo com a Anvisa, os diretores e servidores que participaram da indicação do uso da vacina para crianças entre 5 e 11 anos foram surpreendidos no sábado (18) por "publicações nas mídias sociais na internet de ameaças, intimidações e ofensas por conta da referida decisão técnica da agência".

Após o aval da agência à vacina, ocorrido na quinta (16), o presidente Jair Bolsonaro (PL) defendeu, em tom de ameaça, a divulgação dos nomes dos profissionais envolvidos na aprovação. Neste domingo, ele voltou a criticar a decisão da agência.

"Eu pedi extraoficialmente o nome das pessoas que aprovaram a vacina para 5 a 11 anos. Nós queremos divulgar o nome dessas pessoas", afirmou Bolsonaro, durante sua live semanal. "A responsabilidade é de cada um. Mas agora mexe com as crianças, então quem é responsável por olhar as crianças é você, pai. Eu tenho uma filha de 11 anos de idade e vou estudar com a minha esposa bastante isso aqui", acrescentou o presidente.

Os nomes dos técnicos responsáveis pela resolução, no entanto, são de domínio público. Em entrevista ao UOL News na sexta (17), o gerente geral de Medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, afirmou que a decisão foi tomada com base em critérios técnicos.

Neste domingo, em visita ao litoral de São Paulo, Bolsonaro questionou supostos efeitos adversos -sem, no entanto, apresentar provas- e repetiu ser a favor da "liberdade" de não se vacinar, ainda que isso represente um risco a outras pessoas.

"Criança é uma coisa muito séria. Não se sabe os possíveis efeitos adversos futuros. É inacreditável, desculpa aqui, o que a Anvisa fez. Inacreditável", disse o mandatário na ocasião.

Os técnicos da agência analisaram um estudo feito com 2.250 crianças, divididas em dois grupos. Dois terços tomaram vacina e um terço tomou placebo (substância que não tem efeito no organismo) em um esquema de duas doses, com intervalo de 21 dias. A pesquisa comprovou que o imunizante é seguro e eficaz, com benefícios que superam os riscos.

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