quinta-feira, 14 de abril de 2022

PM investigado por morte de estudante paga R$ 10 mil de fiança e é solto em SP

O caso ocorreu na noite da segunda-feira (11)

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O policial militar investigado por matar uma pessoa e ferir outras duas após reagir a uma tentativa de assalto foi solto após pagar uma fiança de R$ 10 mil, segundo informado pela Secretaria Estadual da Segurança Pública nesta quarta-feira (13).

O caso ocorreu na noite da segunda-feira (11). Um tenente do 14º Batalhão da PM, do interior paulista, estava em sua moto, fora de serviço, e foi abordado por um suspeito de 19 anos. O jovem se aproximou com uma arma de brinquedo.

O policial reagiu e atirou três vezes. Um dos disparos atingiu a estudante Ingrig Reis Santos, que passava pelo local para levar uma chave até o comércio do pai, a cerca de 30 metros de distância. Ela morreu antes que socorristas chegassem à rua Vitória, onde houve a tentativa de roubo.

Além da estudante, uma vendedora também foi ferida, no abdômen, mas sem gravidade. Ela teve alta no mesmo dia do crime.

Já o suspeito que abordou o PM foi baleado na região das nádegas. Mesmo assim, conseguiu fugir correndo, mas foi localizado na Santa Casa de Misericórdia, onde ainda permanece sob escolta policial, acrescentou a SSP.

Desde terça-feira, a reportagem tenta contato com a defesa do policial, mas, até o momento, não localizou nenhum advogado.

O corpo de Ingrid foi velado na manhã desta quarta no cemitério da Vila Formosa, na zona leste, onde ela também foi sepultada.

O oficial da PM, lotado na região de Registro (a 188 km da capital), foi indiciado por homicídio culposo, ou seja, sem intenção.

A vendedora ferida afirmou à reportagem, na terça, que estava acompanhada do namorado quando passou pelo local.

Segundo a mulher, o policial estava aparentemente transtornado e teria apontado a arma na direção dela após os disparos. A PM foi questionada sobre esse comportamento, mas não se manifestou.

O policial não teria mencionado o fato de ter ferido as duas vítimas quando acionou o 190. Quando isso lhe foi questionado, no DHPP, ele se negou a falar e também não assinou o interrogatório. "Do mesmo modo, o indiciado não demonstrou qualquer tipo de remorso ou arrependimento", diz trecho de documento do departamento de homicídios.

Ingrid foi ferida perto do comércio do pai, uma lanchonete que fica na avenida Rio Branco. O local amanheceu na terça-feira com as portas fechadas e cartazes com a palavra luto.

O comerciante Gil Cristiano, 35, afirmou, logo após o sepultamento da sobrinha, nesta quarta, que a família está ciente da soltura do policial. "A gente vai ainda conversar entre si sobre isso. Agora não é o momento de pensar nisso", afirmou.
Ingrid era a filha do meio e fazia curso técnico de administração na Etec (Escola Técnica Estadual), na Santa Ifigênia, também no centro.

A SSP afirmou que o caso segue sob investigação do 3º DP (Campos Elíseos) e do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa.

A PM acompanha os desdobramentos da investigação.

REAÇÃO DO POLICIAL

O ex-secretário nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva Filho, coronel da reserva da PM de São Paulo, afirmou que a arma na mão de um agressor gera uma reação para se salvar a própria vida. A rapidez da situação impede, segundo ele, a identificação de uma arma falsa.

Ele acrescentou que PMs são treinados para efetuar dois tiros na região do tórax de eventuais agressores. "O segundo tiro, numa sequência muito rápida, visa ampliar a chance de neutralização do agressor."

No caso da região central de São Paulo, onde a estudante morreu, o coronel da reserva avaliou que a proximidade do suspeito, ao abordar o PM de folga, dificultou a reação de defesa. "Se fossem cinco ou sete tiros, poderia se falar em excesso mas, nesse caso, pode ser justificado, apesar do trágico resultado."

Dennis Pacheco, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que no Brasil policiais exercem suas atividades 24 horas por dia, mesmo em períodos de folga, em decorrência da natureza do trabalho. "Isso faz com que o policial sempre fique em estado de alerta, colocando-o na posição de alguém que resiste a um roubo, por exemplo."

A reação, principalmente em dias de folga, faz com que os agentes também possam eventualmente pôr a vida de terceiros em risco, como aconteceu no centro de São Paulo. "O policial de folga, por estar sozinho, sem apoio operacional, acaba cometendo eventuais equívocos como este. A maioria das mortes de policiais ocorre com eles fora de serviço", destacou.

Dados da SSP indicam que, no ano passado, das 15 mortes de policiais militares registradas no estado, 11 foram com os agentes fora do horário de serviço.

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