terça-feira, 2 de agosto de 2022

Primeira denúncia sobre família presa em cárcere privado no Rio é de 2020

Na época, a Promotoria de Infância afirmou ter orientado o Conselho Tutelar a adotar providências imediatamente, inclusive pedindo que um representante do órgão fosse até a 43ª DP para registrar oficialmente o possível crime.

© Pixabay

(FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Rio de Janeiro disse nesta segunda (1º) que recebeu em março de 2020 a primeira denúncia sobre um possível crime em uma casa em Pedra de Guaratiba, bairro da zona oeste carioca.

Na última sexta (29), um homem foi preso no local. Ele é suspeito de manter em cárcere privado por 17 anos a mulher e os dois filhos.
Policiais militares chegaram à casa após receberem uma denúncia anônima. Os dois jovens, de 19 e 22 anos, tinham aparência de criança por causa da desnutrição.

Até a publicação desta reportagem, a Polícia Civil não informou se o homem suspeito do crime tem advogado de defesa.

A polícia disse que começou a apurar o caso ainda em 2020, logo após receber a primeira denúncia, mas que houve um erro no registro do endereço da casa, o que acabou travando a investigação.

A informação inicial partiu de uma comunicação do Conselho Tutelar ao Ministério Público, em março de 2020. A Promotoria então relatou à polícia a prática de "crimes permanentes" no local e determinou a abertura de um inquérito para que a ocorrência na casa fosse investigada.

A Polícia Civil disse que o caso foi registrado inicialmente na 43ª DP (Guaratiba), mas depois ele foi encaminhado à 36ª DP (Santa Cruz).

Isso aconteceu porque a apuração inicial apontou que o endereço do possível crime ficava em um trecho da rua Nagib Assad no bairro de Santa Cruz. Segundo a corporação, agentes chegaram a ser enviados para a região, mas não encontraram nada.

Na verdade, a casa na qual as vítimas eram mantidas em cárcere privado ficava em outro trecho da rua, já em Pedra de Guaratiba, um bairro vizinho. A polícia não detalhou por que a investigação se concentrou no endereço errado ou quem cometeu o equívoco –na denúncia original do Conselho Tutelar, estava indicado o bairro correto.

A corporação disse apenas que a apuração continuou e em maio de 2022, quase dois anos após a denúncia inicial, os agentes perceberam que o bairro tinha sido registrado incorretamente.

Procurado, o Ministério Público disse que a denúncia inicial feita ao Conselho Tutelar não trazia menção a cárcere privado e afirmava somente que havia a ocorrência de um crime praticado contra uma mãe, uma filha adulta e um filho adolescente.

Na época, a Promotoria de Infância afirmou ter orientado o Conselho Tutelar a adotar providências imediatamente, inclusive pedindo que um representante do órgão fosse até a 43ª DP para registrar oficialmente o possível crime.

A Corregedoria do Ministério Público do Rio disse que abriu um procedimento para apurar o caso.

Procurados, os representantes do Conselho Tutelar de Guaratiba afirmaram que não vão se manifestar.

Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, os dois filhos do casal, a mulher de 22 e o homem de 19 anos, só se locomovem no colo. Eles não conseguem usar as pernas para andar por terem passado os últimos 17 anos com elas presas.

Imagens divulgadas pela PM mostram que a mãe e os dois filhos viviam em um ambiente precário e sujo e foram encontrados amarrados. Precisaram ser retirados da casa por uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e foram levados para o Hospital Municipal Rocha Faria, onde foram internados.

Por enquanto, a família ainda não tem documentos de identidade. As equipes da Assistência Social irão oferecer à família todos os serviços necessários, como inscrição no CadÚnico para recebimento do Auxílio Brasil, Auxílio Gás, além de benefícios do INSS.

VIA...NOTÍCIAS AO MINUTO   

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