quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Banqueiro investigado no 'Luanda Leaks' é encontrado morto em Portugal

Banqueiro português investigado no caso Luanda Leaks é encontrado morto em Lisboa

© Reprodução / Arquivo 
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O banqueiro português Nuno Ribeiro da Cunha foi encontrado morto pela polícia em Lisboa, que acredita ter sido um caso de suicídio.

Cunha trabalhava para o banco Eurobic, e foi citado no caso que ficou conhecido como Luanda Leaks. Seu corpo foi achado na garagem de sua casa na quarta (22) à noite.
No domingo (19), o ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) e veículos de vários países divulgaram uma série de denúncias contra Isabel dos Santos, filha de um ex-presidente de Angola que teria se tornado a mulher mais rica da África após criar esquemas internacionais para desviar dinheiro da petroleira estatal angolana Sonangol, da qual foi presidente.
Procuradores de Angola anunciaram que Isabel está sendo investigada por fraude, má gestão e apropriação de recursos da Sonangol. Seus bens já haviam sido bloqueados pela Justiça de Angola em dezembro.
Caso ela não colabore com o processo, poderá ser alvo de um mandado de prisão internacional, segundo as autoridades angolesas.
O banqueiro foi apontado como um dos investigados no caso, segundo o jornal Expresso. Cunha era o gerente das contas usadas pela Sonangol.
Na segunda (20), outro suspeito, Mario Leite da Silva, renunciou ao comando do Banco de Fomento de Angola.
Nesta quinta (23), o organismo que regula o mercado financeiro em Portugal anunciou inquéritos contra empresas relacionadas aos esquemas, como a petroleira Galp e a telefônica NOS, a partir dos documentos relevados pela imprensa.
O CASO LUANDA LEAKS
Isabel dos Santos, 46, aparece na 13ª posição na lista da revista Forbes dos maiores bilionários da África de 2020. A filha mais velha de José Eduardo dos Santos, que presidiu Angola durante 39 anos, acumula uma fortuna estimada em 2,2 bilhões de dólares (R$ 9,16 bilhões).
Reportagens publicadas por veículos como New York Times, Guardian, BBC e revista Piauí apontam que grande parte desse patrimônio foi obtido às custas dos cofres públicos angolanos.
Chamada de "Luanda Leaks", a investigação se baseou em um vasto conjunto de documentos obtidos por denúncias anônimas pela Plataforma para Proteção de Denunciantes Anônimos na África.
Os registros revelam como Santos e seu marido, Sindika Dokolo, se beneficiaram de uma série de transações envolvendo empresas públicas durante o governo de seu pai. Eles teriam usado um complexo esquema de empresas de fachada registradas em paraísos fiscais e jurisdições sigilosas, como Dubai, Maurício e Ilhas Virgens Britânicas.
A companhia estatal angolana de petróleo, Sonangol, está no centro da rede usada pelo casal para desviar fundos públicos a seu favor, segundo o New York Times. 
Em 2016, a empresa entrou em crise após uma queda dos preços do petróleo no mercado mundial. José Eduardo dos Santos, à época presidente, nomeou sua filha para chefiar o órgão.
A petrolífera foi usada para a compra de uma participação na Galp, empresa portuguesa do ramo de energia avaliada pela Forbes em US$ 13,4 bilhões.
Uma das firmas controladas pelo marido de Isabel comprou as ações diretamente da Sonangol em 2006, de acordo com a BBC. Os documentos analisados mostram que apenas 15% do valor foi pago à vista.
O restante do pagamento, cerca de US$ 70 milhões (R$ 291 milhões), foi pago com um empréstimo a juros baixos concedido pela estatal. Atualmente, as ações da Galp valem mais de US$ 975,4 milhões (R$ 4,06 bilhões) e são uma das principais fontes de renda do casal.
Eles também possuem participações em dois bancos e nas empresas de telecomunicação NOS, de Portugal, e Unitel, avaliadas em mais de US$ 2 bilhões cada uma. 
A investigação também revelou, segundo reportagem da revista Piauí, que a Petrobras perdeu entre R$ 267 a 360 milhões numa joint venture com a Galp para produzir biocombustível a partir do óleo de dendê.Os dois negam qualquer irregularidade. Em entrevistas recentes, Isabel afirmou que é vítima de uma perseguição política do atual governo e não descarta se candidatar a um cargo político.
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