quinta-feira, 17 de setembro de 2020

EUA agravam crise entre China e Taiwan com nova visita de autoridade

Keith Krach, subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos dos EUA, visitou Taiwan e acabou gerando uma crise com a China

© Reuters

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A crise entre China e Taiwan, ilha que o país asiático considera uma província rebelde, agravou-se nesta quinta-feira (17) com a chegada de mais uma alta autoridade americana à república insular.

O Ministério das Relações exteriores chinês afirmou que "dará uma resposta necessária" à visita de Keith Krach, subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos. Ele chegou à ilha nesta quinta e ficará três dias, encontrando-se com a presidente Tsai Ing-wen.

Krach é a mais alta autoridade do Departamento de Estado, o Itamaraty americano, a visitar Taiwan desde que os EUA reconheceram a China comunista –de forma ambígua, dando suporte à pretensão territorial de Pequim sobre Taipé, mas ao mesmo tempo fornecendo armas para a ilha.

Em agosto, o governo de Donald Trump já havia despachado o secretário de Saúde, Alex Azar, para aquela que seria a visita de mais alto nível desde 1979. Na ocasião, a China fez uma ameaça militar direta a Taiwan, e dois caças seus chegaram a ficar na mira de baterias antiaéreas da ilha.

A fórmula foi repetida nesta quarta (16), véspera da chegada de Krach. Dois aviões de patrulha marítima Y-8 chineses voaram até a porção sudoeste da Adiz (sigla inglesa de Zona de Identificação de Defesa Aérea) de Taiwan e deram meia-volta.

A Adiz é uma área que vários países estabelecem, além de seu espaço aéreo, para identificar aeronaves suspeitas que se dirijam a seu território. Os EUA usualmente testam a rapidez de reação dos chineses em sua própria Adiz.

"A China vai dar a resposta necessária dependendo de como a situação evoluir. Nós pedimos ao lado americano que reconheça a extrema sensibilidade da questão de Taiwan", afirmou Wang Wenbin, do Ministério das Relações Exteriores.

Krach tem a missão, segundo relatos da mídia de Taiwan, de tentar azeitar um acordo de livre comércio entre a ilha e os EUA –algo a que a China obviamente se opõe. Poderá deixar Taipé no mínimo com o fim da restrição à compra de carne suína e bovina dos EUA, como Tsai prometeu.

Taiwan é um dos problemas mais complexos para a ditadura chinesa. A política oficial é a de reabsorver a ilha, que concentrou os derrotados pelos comunistas em 1949, pacificamente, mas a guerra nunca foi descartada.

Ela é considerada uma impossibilidade neste momento, e talvez nos próximos anos, devido ao alto grau de proteção militar em Taiwan –a China poderia ou não conseguir tomá-la à força, ou sofrer baixas inaceitáveis no processo, que incluiria evitar danos civis excessivos.

Além disso, documentos que tiveram o sigilo levantado recentemente mostram o que se sabia: os EUA estão comprometidos, ao fim, com a defesa da ilha contra uma invasão, apesar de reconhecer que ela faz parte da China.

Ao mesmo tempo, os chineses têm aumentado o número de exercícios militares que simulam talvez não uma invasão, mas a tomada de alguma das ilhas e ilhotas controladas por Taiwan do estreito que leva seu nome até o disputado mar do Sul da China.

O governo taiwanês, como seria de se esperar, diz esperar uma invasão. Mas mesmo o relato alarmista do Departamento de Defesa dos EUA ao Congresso sobre as capacidades militares da China considera a hipótese remota.

Assim, apesar de não comentar, a China não deve ter gostado nada da informação de que os EUA estão dispostos a vender mais armas sofisticadas para a ilha. Segundo a agência de notícias Reuters publicou na quarta, isso incluiria drones armados e mísseis de cruzeiro para interditar o estreito de Taiwan.

Com tudo isso, Trump deixou a política mais acentuadamente dúbia das últimas décadas e integrou a ilha ao rol de itens de seu contencioso com o regime comandado por Xi Jinping.

É um assunto ainda mais explosivo do que os já complicados temas da autonomia de Hong Kong e a pretensão de Pequim sobre as águas do mar do Sul da China, ambas alvos diretos de Trump em sua Guerra Fria 2.0.

Ao fim, o que o americano quer é barrar o crescimento comercial e político chinês, tanto que a disputa iniciada em 2017 tem grande foco em guerras tarifárias e tecnológicas –nessa última frente, os EUA têm tido sucesso em barrar a expansão da gigante Huawei em mercados da tecnologia 5G.

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