sábado, 3 de julho de 2021

Modelo do Iêmen presa por 'atos indecentes' tenta suicídio na prisão

 

Segundo o Centro do Golfo para Direitos Humanos (GCHR, na sigla em inglês), nesta segunda-feira (28) Intisar foi "transferida para um hospital dentro da prisão central de Sanaa, onde está sendo mantida após ter tentado suicídio"

© Reprodução

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A modelo e atriz iemenita Intisar al-Hammadi, 20, presa desde fevereiro acusada de "atos indecentes" por autoridades do grupo rebelde houthi –que controla o norte do país–, tentou suicídio em sua cela e está hospitalizada em condição crítica. ONGs internacionais de direitos humanos têm denunciado que sua detenção foi arbitrária e que ela vem sofrendo abusos físicos e psicológicos desde então.

Segundo o Centro do Golfo para Direitos Humanos (GCHR, na sigla em inglês), nesta segunda-feira (28) Intisar foi "transferida para um hospital dentro da prisão central de Sanaa, onde está sendo mantida após ter tentado suicídio".

Em um comunicado, o grupo, que fica baseado no Líbano, disse que "fontes confiáveis" confirmaram que ela tentou suicídio após saber que seria transferida para a "ala da prostituição" da prisão. "Isso levou a uma deterioração de seu estado psicológico", diz a organização.

O comunicado traz informação apurada por repórteres locais de que uma criança que está na penitenciária junto com a mãe presa percebeu que a modelo estava passando mal após ter tentado se enforcar e avisou aos demais. De acordo com o texto, ela foi resgatada com vida, mas está em condição crítica.

Segundo a organização Anistia Internacional, Intisar, que postava fotos nas redes sociais sem o véu islâmico, está sendo punida por "desafiar as normas da sociedade profundamente patriarcal" do Iêmen.

As autoridades houthis não divulgaram nenhuma informação sobre o caso.

A ONG Human Rights Watch (HRW), o caso está cheio de irregularidades e abusos, e ela teria sido obrigada a assinar um documento de confissão estando vendada, sofrido agressões físicas e verbais, além da ameaça de ser submetida a um "teste de virgindade forçado".

Enquanto os rebeldes houthis dominam o norte do país, o sul é controlado por separatistas. As forças aliadas do governo tentam reconquistar o território nacional com a ajuda de uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita.

Filha de pai iemenita e mãe etíope, Intisar trabalhou como modelo por quatro anos e atuou em duas séries de TV do Iêmen em 2020. Seus parentes disseram à HRW que ela sustentava sozinha a família de quatro pessoas, incluindo seu pai, que é cego, e seu irmão, que tem deficiência física.

Khaled Al-Kamal, advogado de Intisar, afirmou que no dia 20 de fevereiro o carro dela foi parado pela polícia, e ela, presa junto com as outras três pessoas que estavam no veículo. A modelo foi levada a um prédio de investigações criminais, no qual ficou por dez dias sem acesso ao mundo exterior e sem que seus familiares tivessem nenhuma notícia. Em março, foi transferida para a prisão central de Sanaa.

A pessoas que a visitaram na penitenciária disse ter sido forçada a assinar uma confissão de prostituição e posse de drogas enquanto estava vendada no interrogatório e que autoridades prometeram libertá-la caso ajudasse a capturar inimigos seduzindo-os com "sexo, álcool e drogas", o que ela recusou.

Segundo o advogado, Intisar foi presa por estar no carro com um homem acusado de tráfico de drogas. Ele afirma ainda que o telefone dela foi confiscado e que suas fotos como modelo foram tratadas como um ato indecente.

A modelo foi a audiências judiciais nos dias 6 e 9 de junho, mas seu advogado foi proibido de trabalhar no tribunal da cidade, o que na prática o impede de representar sua cliente.

Al-Kamal disse ter sido ameaçado por um homem armado, apoiador dos houthis, que afirmou que ele e sua família pagariam um preço se ele não deixasse de representar Intisar. As autoridades desistiram do "teste de virgindade" após a Anistia Internacional lançar um documento condenando a questão.

Uma campanha virtual usa as hashtags #FreeIntisar e #FreeEntisar para pedir a libertação da modelo.

A porta-voz da HRW para a região, Lynn Maalouf, afirmou que as autoridades houthis têm histórico de prender e torturar pessoas sem base legal, para punir críticos, jornalistas, ativistas e minorias religiosas. A ONG pediu explicações ao governo controlado pelos houthis, mas não recebeu resposta.

Segundo reportagem de 2020 da agência de notícias Associated Press, está crescendo a repressão dos houthis às mulheres, com desaparecimentos e tortura de detidas. A modelo seria apenas uma das muitas iemenitas presas de forma arbitrária. O advogado de Intisar disse que há outras cinco mulheres presas no mesmo lugar, acusadas de "crimes" relacionados a "atos indecentes".

VIA...NOTÍCIAS AO MINUTO

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