sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Putin pede garantias de segurança dos EUA para evitar conflito com Ucrânia

Putin também repetiu acusações anteriores contra a Ucrânia

© Reuters

BRASÍLIA, DF (UOL/FOLHAPRESS) - A Rússia busca evitar conflitos com a Ucrânia, mas as potências ocidentais devem fornecer ao Kremlin -sede do governo russo- garantias de "segurança incondicional", segundo disse o presidente russo, Vladimir Putin, nesta quinta-feira (23).

Em entrevista a jornalistas, Putin afirmou que os EUA têm mísseis "à porta da Rússia" e que o "Ocidente tem vantagens bélicas" em relação ao país eurasiático.

A conferência ocorre num momento em que os governos dos Estados Unidos e da Europa afirmam que a Rússia se prepara para invadir a Ucrânia no início do ano que vem -o que o presidente Putin voltou a negar em sua entrevista.

Sobre a expansão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no território russo, Putin disse estar satisfeito com a aparente disposição do governo norte-americano de debater com a Rússia as garantias de segurança reiteradamente exigidas por Moscou

"Até agora vimos uma reação positiva. Os aliados nos Estados Unidos afirmaram que estão prontos para abrir essas conversas logo no início do próximo ano", declarou Putin. "Espero que tudo se desenrole bem", disse ele.

Nas últimas semanas, os Estados Unidos, a Otan e a Ucrânia alertaram sobre cerca de 100 mil soldados russos posicionados perto da fronteira com a Ucrânia e na península da Crimeia ocupada pela Rússia.

"Como os EUA reagiriam se instalássemos nossos mísseis na fronteira EUA-Canadá ou EUA-México? Eles nunca tiveram conflitos? De quem era a Califórnia? De quem era o Texas? Eles esqueceram?", indagou Putin, em mais uma crítica à intervenção dos EUA no conflito com a Ucrânia.

"Não estamos ameaçando ninguém, são eles que vieram para nossas fronteiras. Essa é a questão subjacente. Não é a Rússia que deve oferecer garantias, mas sim os EUA."

Putin também repetiu acusações anteriores contra a Ucrânia, afirmando que Kiev estaria preparando uma nova ofensiva militar nas regiões orientais do Leste europeu, onde a guerra já dura há mais de 7 anos.

Em comunicado divulgado nesta semana, o governo dos EUA, sob gestão Joe Biden, alertou os cidadãos do país para que não façam viagens à Ucrânia devido à intensa movimentação de tropas da Rússia na fronteira com o país do leste europeu.

Segundo a nota, há "relatos" de que Moscou -sede do governo russo- planeja uma ofensiva militar no território ucraniano.

"Os cidadãos norte-americanos devem estar cientes de relatos de que a Rússia planeja ação militar significativa contra a Ucrânia. Cidadãos norte-americanos também são lembrados de que as condições de segurança, particularmente ao longo das fronteiras da Ucrânia, na Crimeia ocupada pela Rússia e no leste da Ucrânia controlado pela Rússia, são imprevisíveis e podem se deteriorar rapidamente", disse o Departamento de Estado.

O governo dos EUA, que proíbe seus funcionários de viajarem para a Crimeia, alertou ainda que, caso a crise entre Rússia e Ucrânia se agrave, o governo norte-americano não poderá garantir serviços de emergência para cidadãos estadunidenses na região.

"Quem decidir viajar para a Ucrânia deve estar ciente de que a ação militar russa em qualquer lugar na Ucrânia afetaria seriamente a capacidade da embaixada dos Estados Unidos na região de fornecer serviços consulares, incluindo assistência aos cidadãos norte-americanos para fugir da Ucrânia", destacou o governo norte-americano.

O aviso ocorre em um momento em que a Rússia tem reunido tropas ao longo das fronteiras da Ucrânia -o que, segundo as autoridades norte-americanas, pode indicar que o presidente russo, Vladimir Putin, esteja se preparando para uma invasão, sete anos depois de anexar a Crimeia.

Apesar de manter cerca de 100 mil soldados próximos às fronteiras ucranianas, Putin nega intenções de invadir o país.

Os esforços do presidente dos EUA, Joe Biden, para aliviar as tensões -ameaçando a Rússia com sanções econômicas- até agora não convenceram o Kremlin a recuar. Enquanto isso, os legisladores norte-americanos pressionam a Casa Branca e o Departamento de Defesa para aumentar a ajuda bélica à Ucrânia, em uma tentativa de conter a crise.

No último mês, a Rússia realizou exercícios em grande escala perto da fronteira com a Ucrânia e na Crimeia anexada, causando preocupações. Kiev, em resposta, disse hoje que estava buscando mais ajuda militar do Ocidente contra uma possível tentativa de golpe militar do Kremlin.

Vídeos que circularam nas redes sociais mostravam movimento de tropas, tanques e mísseis russos em direção à fronteira com a Ucrânia. "A agressividade da Rússia, tanto diplomática quanto militar, aumentou consideravelmente nas últimas semanas", disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, em entrevista a jornalistas em novembro.

Putin tem afirmado que o Ocidente está "agravando" o conflito na Ucrânia, ao realizar exercícios militares no Mar Negro: "Nossos parceiros ocidentais estão agravando a situação, fornecendo a Kiev armas modernas letais e conduzindo manobras militares ousadas no Mar Negro".

Em conversa com o presidente francês, Emmanuel Macron, em novembro, o presidente russo descreveu como "provocação" as manobras militares realizadas pelos EUA e pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na região.

O Mar Negro é uma região importante para a Rússia, que controla a península da Crimeia depois de anexá-la da Ucrânia em 2014. Desde então, Kiev tem travado um conflito com rebeldes pró-Rússia no leste do país, que já custou mais de 13 mil vidas.

Especulações ocidentais sobre os planos da Rússia no leste da Ucrânia surgiram em meio a um confronto sobre uma crise de imigrantes na fronteira com Belarus, alinhada ao Kremlin, e a Polônia, membro da UE.

Na conversa, Macron disse a Putin que Paris estava pronta para defender a integridade territorial da Ucrânia, segundo informou o Palácio do Eliseu.

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