sexta-feira, 10 de junho de 2022

Invasão do Capitólio foi tentativa de golpe e teve Trump no centro, diz comissão

O comitê da Câmara acusou o ex-presidente americano Donald Trump de ter participado de uma "conspiração contra a democracia"

© Reuters


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O comitê da Câmara que investiga a invasão do Capitólio, em janeiro de 2021, acusou nesta quinta-feira (9) o ex-presidente americano Donald Trump de ter participado de uma "conspiração contra a democracia" e de ter liderado esforços para "anular os resultados das eleições" no ano anterior.

Apoiadores do republicano invadiram e vandalizaram o Congresso minutos depois de Trump, durante manifestação na capital do país, Washington, insuflar ativistas a se dirigirem até a sede do Legislativo. A ação obrigou a Câmara e o Senado a trancarem suas portas e a paralisarem a sessão que deveria confirmar a vitória de Joe Biden.

O deputado democrata Bennie Thompson, presidente do comitê formado para apurar responsabilidades sobre os acontecimentos, afirmou durante audiência pública que o ataque foi "o culminar de uma tentativa de golpe". Ele ainda disse que a democracia americana continua em perigo.

"A conspiração para frustrar a vontade do povo não acabou", disse Thompson. "Há pessoas neste país que têm sede de poder, mas não têm amor ou respeito pelo que torna os EUA grande: devoção à Constituição e fidelidade ao estado de direito".

A audiência desta quinta é a primeira de seis em que o comitê apresenta os resultados de quase um ano de investigação. As sessões serão transmitidas nas principais emissoras de televisão dos EUA.

Durante a audiência foram exibidos vídeos que mostram a participação de integrantes do grupo radical de extrema direita Proud Boys no episódio de violência. Também foram resgatadas declarações de Trump, de familiares do ex-presidente e de assessores.

O comitê ouviu de testemunhas do republicano, que assistiu ao ataque pela TV e expressou apoio aos invasores. Mike Pence, então vice de Trump, que garantiu naquele dia a certificação da vitória de Biden, esteve a 60 segundos do grupo que rompeu a segurança e chegou ao ponto de onde ele foi retirado pelo Serviço Secreto americano.

Depois da exibição do material, a deputada republicana Liz Cheney, vice-presidente da comissão que investiga o ataque ao Capitólio, disse que as evidências provam que Trump convocou e reunião a multidão, o que "acendeu a chama" para o ataque.

"Donald Trump se foi, mas sua desonra permanecerá", disse Cheney, segundo o jornal Americano The New York Times.

Ao final do processo, o comitê que investiga o episódio pode recomendar a abertura de investigações criminais. Ao todo, mais de mil testemunhas foram ouvidas. Desde o ataque, mais de 800 pessoas foram presas e acusadas em tribunal -a maioria por entrada sem permissão em um prédio federal.

Trump chamou a investigação de "caça às bruxas" e, pela plataforma Truth Social, voltou a defender a insurreição, classificando o movimento como "o maior na história do país" para fazer com que os Estados Unidos "voltem a ser grande". "Tratava-se de uma eleição fraudada e roubada, e um país que estava prestes a ir para o inferno", escreveu.

O líder republicano na Câmara dos Deputados, Kevin McCarthy, afirmou nesta quinta que a comissão para investigar o ataque ao Capitólio é "a mais política e a menos legítima da história dos Estados Unidos". O Partido Republicano já prometeu enterrar o trabalho do grupo se assumir o controle do Congresso nas chamadas "midterms", eleições que em novembro vão renovar parte da Casa.

Na terça-feira (7) o Departamento de Segurança Nacional dos EUA publicou um alerta sobre terrorismo doméstico, explicando que o "ambiente de alta ameaça" se deve a movimentos de extremistas motivados por ideologia, religião, raça e "eventos atuais". A nota se refere especificamente à esperada decisão da Suprema Corte sobre o aborto e às eleições de meio de mandato, a serem realizadas em novembro.

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