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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

'Não é não!': mulheres tomam a frente no Carnaval

Mulheres falam sobre o assédio no carnaval

© Reprodução / Instagram
O Carnaval diz muito sobre o Brasil e as mulheres sabem disso mais do que ninguém. Para ouvi-las, a Sputnik Brasil fez uma reportagem especial conversando com mulheres que protagonizam o Carnaval das escolas de samba no Rio de Janeiro, e elas revelaram uma outra face do maior show da Terra.

Viviane Morais Ferreira Guimarães tem 24 anos e mora no bairro da Brasilândia, na cidade de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Ela trabalha como autônoma vendendo pizzas em um carrinho. Desde criança teve interesse em participar do Carnaval, mas apenas em 2012, quando se tornou maior de idade, começou a frequentar a quadra da escola Unidos do Porto da Pedra, pela qual hoje desfila todos os anos.
Ela conta que ensaia até 3 vezes por semana para se preparar para os desfiles, fora eventos e apresentações extras. Apesar do esforço e da determinação, Viviane conta que decidir ser passista é enfrentar preconceitos e situações de machismo.
"A imagem da mulher no Carnaval é bem complicada. Não só dentro do Carnaval, mas para quem está de fora também. A gente é visto como um objeto mesmo. Por termos a questão da sensualidade, a questão do corpo, o que é inerente à passista, faz parte, não é uma coisa ruim. Só que é aquele momento ali dentro da quadra, a gente está representando um pavilhão. E as pessoas não conseguem separar isso", afirmou.
A passista lembra que essa imagem criada sobre as mulheres traz muitas confusões, dentro e fora das escolas. Viviane conta que já recebeu propostas para se prostituir, tanto de aliciadores quanto propostas pessoais. Além disso, já foi perseguida por um homem em um carro que queria força-la a ir junto com ele. Na ocasião, ela teve que correr para se proteger em um ponto de ônibus, onde encontrou mais pessoas e afugentou a assediador.
Quase todo o Brasil culmina no Carnaval. O sambódromo que se enche de sobrevivência, cobre-se de sorrisos no ritmo das contradições do país.
De repente, papeis se invertem. Mulheres nuas surgem em horário nobre na televisão, negros e pobres viram protagonistas em uma ópera luxuosa a céu aberto, as ruas se preenchem de pessoas prontas para a alegria, e o trabalho alienante parece cessar.
Mas o país da crise permanente, violento dos pés à cabeça, não abandona a História pela fantasia quando decide sambar.
O samba é resistência, sabe-se bem. Assim concordam intelectuais e sambistas, que sabem que há uma civilização imersa na imagem criada pelos jornais. E as imagens do estereótipo, do sexo acessível e da vulgaridade são atribuídas primeiro às mulheres. O que aumenta ainda mais quando são negras. Para elas, o Brasil é um país especialmente violento.
Rayane da Silva Ferreira, jovem de 22 anos, passista da Acadêmicos do Salgueiro, confirma a visão de Viviane. A bailarina profissional conta que participa de diversos eventos dentro e fora da escola, com músicos de Funk e Hip Hop, além de já ter sido passista também em outra escola de samba, a Acadêmicos da Grande Rio.
Assim como Viviane, ela acredita que a imagem transmitida da passista costuma ser problemática. "A imagem da passista é hiperssexualizada", conta, e acrescenta que é assediada com frequência: "Assédio tem a todo o momento em qualquer lugar".
Fernanda Florentino, de 20 anos, desfila no Salgueiro, na Império da Tijuca, Paraíso do Tuiuti e na Lins Imperial, em que é rainha de bateria.
"Eu sofro assédio todo dia, fora o Carnaval. No Carnaval eu acho que eles até respeitam mais. […] Acho que tem mais respeito no Carnaval do que fora", conta.
Via...Notícias ao Minuto

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