quarta-feira, 24 de março de 2021

Partido de Netanyahu lidera, mas não garante maioria em Israel

 

Na quarta eleição em dois anos no país, o premiê tenta garantir seu sexto mandato

© Reuters

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os resultados de boca de urna sobre as eleições desta terça-feira (23) em Israel mostram o Likud, partido do atual premiê, Binyamin Netanyahu, conquistando entre 31 e 33 dos 120 assentos do Knesset, o Parlamento israelense, o que leva o bloco a seu favor a somar de 53 a 54 vagas.


Já o Há Futuro, principal partido do grupo anti-Netanyahu, deve garantir entre 16 e 18 assentos, com o bloco opositor totalizando 59 eleitos.
Para governar, é preciso conseguir 61 cadeiras. Os dois lados, portanto, precisam formar alianças –e o partido Yemina, que deve ter de 7 a 8 assentos, ganha relevância.

Após as primeiras projeções, o seu líder, Naftali Bennett, se pronunciou por meio de um porta-voz, afirmando que irá fazer "apenas o que é bom para o Estado de Israel".

Ex-chefe de gabinete de Netanyahu, Bennett fundou seu próprio partido de direita em 2011 e, desde então, atuou como ministro em várias coalizões lideradas pelo premiê. Ele se opõe à criação de um Estado palestino e apoia a anexação de áreas ocupadas.

Durante a campanha, no entanto, Bennett evitou dizer se daria seu voto a uma nova coalizão liderada por Netanyahu.

Após a divulgação dos resultados iniciais, mesmo sem maioria, o atual primeiro-ministro reivindicou uma "enorme vitória" nas redes sociais.

Na quarta eleição em dois anos no país, o premiê tenta garantir seu sexto mandato. Para isso, precisa costurar apoios e conseguir maioria na Casa. Os resultados finais, porém, são esperados apenas para o fim da semana.

Mais do que escolher os parlamentares, a eleição é um referendo pessoal sobre o primeiro-ministro, que, há 12 anos no poder, é o mais longevo no cargo desde a criação do Estado de Israel, em 1948. Bibi, como é conhecido, enfrenta ainda na Justiça três acusações de corrupção.

Pesa a seu favor seu envolvimento direto na compra antecipada de vacinas –o país já aplicou as duas doses do imunizante em 52% de sua população. Assim, Netanyahu é considerado o responsável pelo êxito, mesmo que, para alguns, ele tenha feito vista grossa para aliados políticos, como os ultraortodoxos, que demoraram para atender às instruções sanitárias.

Ele também exibe como trunfo a assinatura dos chamados Acordos de Abraão de normalização diplomática com Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão e Marrocos, na prática uma aliança regional anti-Irã que contou com mediação do ex-presidente americano Donald Trump.

Se ir às urnas parece ter se tornado algo mais frequente do que o habitual, os eleitores encontraram um cenário um pouco diferente da última vez que participaram do pleito, em março do ano passado.

Ainda no início da pandemia de coronavírus, Hadas Vinograd-Haber, 27, contou à agência de notícias AFP ter depositado seu voto cercada pelo que chamou de extraterrestres em trajes especiais, em um circuito eleitoral especial para os primeiros israelenses colocados em quarentena. Ela havia acabado de voltar da Itália, então o epicentro europeu da pandemia, e as autoridades israelenses negaram que ela pudesse sair por 14 dias.

A única coisa que foi autorizada a fazer fora de casa foi votar. "As pessoas se comportavam como doidas, a metros de distância das demais", relembra. "Como se fosse o fim do mundo, como se fosse inútil votar de qualquer maneira, já que não haveria amanhã."

Um ano depois, a jovem advogada votou como uma cidadã comum e vacinada. Dirigiu-se a seu colégio eleitoral habitual, uma escola no centro de Jerusalém, onde mora, e apenas sua máscara azul clara em seu rosto revela a persistência da pandemia.

Neste ano, cerca de 700 sessões eleitorais especiais foram instaladas em todo o país para receber pessoas em quarentena, que estiveram possivelmente em contato com infectados, que tenham voltado recentemente do exterior e para os próprios infectados.

A polícia esteve nesses locais para garantir que as medidas de prevenção fossem respeitadas, inclusive no aeroporto Ben Gurion, destinado a eleitores em quarentena.

O dia da votação também foi marcado pelo lançamento de um foguete da Faixa de Gaza em direção a Israel, anunciou o Exército israelense. À AFP, um porta-voz militar informou que o projétil caiu em um terreno baldio no sul do país.

Pouco antes do disparo, não reivindicado até a noite de terça, Netanyahu estava na cidade de Bersheeva, a cerca de 50 km da Faixa de Gaza, no deserto de Neguev, para pedir o voto da população local.

O premiê viajou para a região fronteiriça com Gaza para tentar mobilizar a população beduína de Neguev, depois de falar com Mansur Abas, chefe de um partido árabe local.

A aproximação de Netanyahu com essas lideranças foi uma surpresa. Por anos, ele havia assegurado que nunca faria alianças com essa minoria do país (21%). Durante a campanha, ele visitou aldeias árabes para pedir votos diretos para o Likud ou para a Lista Árabe Unida, partido que rachou após apoiar a agenda conservadora de Netanyahu.

Qualquer governo que seja formado com os resultados desta eleição vai enfrentar desafios enormes, incluindo uma economia atingida pela pandemia, o aumento de crimes nas comunidades árabes e ameaças potenciais do Irã.

Na política externa, Israel tenta evitar uma reedição do acordo nuclear de 2015, entre americanos, iranianos e outras potências mundiais.

Mais urgente, o governo precisa aprovar um novo orçamento nacional para 2021 –o que ainda não conseguiu ser realizado pela atual gestão.

VIA...NOTÍCIAS AO MINUTO

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