terça-feira, 8 de junho de 2021

'Não venham', diz Kamala em visita à Guatemala para discutir migração

 

Ao lado do presidente guatemalteco, Alejandro Giammattei, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (7), Kamala fez uma declaração firme àqueles que pretendem trilhar o perigoso caminho rumo ao norte

© Getty Images


ÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em sua primeira viagem internacional como vice-presidente dos EUA, Kamala Harris foi à Guatemala tratar de um dos assuntos sensíveis à Casa Branca sob sua responsabilidade, a crise migratória.

Ao lado do presidente guatemalteco, Alejandro Giammattei, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (7), Kamala fez uma declaração firme àqueles que pretendem trilhar o perigoso caminho rumo ao norte: "Não venham. Os EUA irão continuar a aplicar nossas leis e proteger nossas fronteiras. Se você vier, será enviado de volta".

Ela mesma filha de migrantes, a vice-presidente americana disse ter tido uma conversa "robusta, franca e completa" com Giammattei sobre a necessidade de combater a corrupção e impedir a migração de pessoas sem documentos da América Central para os Estados Unidos.

"A maioria das pessoas não quer deixar sua casa, não quer deixar o lugar onde a língua que conhecem é falada." Kamala disse que aqueles que migram ou "estão fugindo de alguns perigos ou simplesmente não podem atender às suas necessidades básicas ficando em casa".

Por isso, reiterou, é importante que os governantes deem às pessoas "um sentido de esperança, de que a ajuda está a caminho", numa região duramente atingida pela Covid-19, pela violência e pela pobreza, situação que se agravou em 2020 pela passagem de dois furacões.

"A esperança não existe por si só", acrescentou Kamala.

"Deve ser acompanhada de relações de confiança, resultados tangíveis em termos do que fazemos como líderes para convencer as pessoas de que há um motivo para ter esperança quanto ao seu futuro."

Para lidar com o problema, o presidente guatemalteco anunciou um novo centro de processamento para migrantes enviados de volta pelo México e pelos EUA e disse que o foco desses dois países deveria ser criar prosperidade.

Giammattei afirmou ainda que os problemas do seu país são produto de muitos anos de atraso. "Precisamos criar na mente dos guatemaltecos essa possibilidade de gerar esperança de que é aqui que eles devem lutar para construir o país e não lutar para arriscar suas vidas para ir a outros países como os Estados Unidos."

A vice-presidente também respondeu a perguntas sobre críticas de republicanos de que ela não teria feito o suficiente para conter a migração no curto prazo, dizendo que estava trabalhando localmente com a Guatemala. "Estou focada nesse tipo de trabalho, em vez de grandes gestos."

Ainda nessa frente, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou nesta segunda uma força-tarefa para combater o tráfico de pessoas na no México, em Honduras, na Guatemala e em el Salvador.

O secretário de Justiça, Merrick Garland, disse em comunicado que a Força-Tarefa Conjunta Alpha irá unir recursos do seu departamento e da pasta de Segurança Nacional contra os maiores e mais perigosos grupos na região.

No anúncio, o departamento também disse que irá trabalhar para auxiliar esses países para fazer cumprir leis antitráfico em suas próprias cortes, além de fortalecer a investigação e o procedimento legal desses grupos.

Os EUA enfrentam uma forte crise nas fronteiras, com o maior fluxo de migrantes chegando ao país em 20 anos.

Durante a campanha, Biden prometeu dar tratamento mais humanitário aos estrangeiros que tentam entrar nos EUA sem documento e facilitar o acesso à cidadania americana a 11 milhões de imigrantes, mas o descontrole nas fronteiras eclipsou medidas já colocadas em prática, como a que pretende reunir as famílias de separadas na divisa no governo Trump.

Biden tem sido duramente atacado, inclusive por aliados, por ter restringido o acesso à imprensa para acompanhar o trabalho das patrulhas na divisa com o México e pelo alto volume de crianças desacompanhadas que ficam em centros de detenção mais do que as 72 horas permitidas por lei.

Mas a pressão de Washington para combater as causas profundas da migração em El Salvador, na Guatemala e em Honduras, foi prejudicada por uma reação contra organismos anticorrupção, considerados independentes pelos EUA, mas que as elites locais dizem ser tendenciosos.

O assunto foi também abordado na reunião de três horas entre Kamala e Giammattei. Na preparação da visita da vice-presidente, surgiram diferenças de opinião sobre o combate à corrupção, com críticas de Giammattei direcionadas a quem atua nessa frente. Washington criticou a remoção de um juiz de um tribunal superior da Guatemala, no que o presidente do país centro-americano disse ter sido um processo legítimo.

"O presidente e eu discutimos a importância da anticorrupção e de um judiciário independente", afirmou Kamala, que deu mais detalhes de uma força-tarefa conjunta entre os dois países. Segundo a vice-presidente americana, o trabalho contará com os departamentos de Justiça, Estado e Tesouro para atuar ao lado de procuradores locais.

Giammattei, por sua vez, defendeu seu próprio histórico, dizendo não ter sido acusado de irregularidades e que a corrupção não é o único problema enfrentado por políticos. O combate ao tráfico de drogas precisava ser parte da luta contra a corrupção, disse o presidente.

Os dois discutiram ainda o compartilhamento de vacinas contra Covid-19 com a Guatemala. A vice-presidente confirmou que os EUA irão fornecer 500 mil doses, além de uma ajuda de US$ 26 milhões para o combate à pandemia.

Kamala irá se encontrar ainda com líderes da sociedade civil e empreendedores do país. Segundo a Casa Branca, as prioridades dessas reuniões incluem desenvolvimento econômico, clima e problemas ligados à insegurança alimentar e às mulheres.

Depois, a vice-presidente segue para o México, em visita que foi criticada por ocorrer logo após as eleições de meio de mandato no país –que foram marcadas por violência.

VIA...NOTÍCIAS AO MINUTO

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