segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

'Não sei nem por onde recomeçar', diz agricultor afetado por enchente na Bahia

A soma entre as fortes chuvas que caem desde a última terça-feira (7), o rompimento de pequenas barragens construídas por agricultores e a geografia da região levou ao cenário que culminou com quase 70 mil pessoas afetadas pela chuva

© Instagram - Rui Costa

PORTO SEGURO, BA (FOLHAPRESS) - Arcelino José Soares, 56, foi um dos agricultores de Jucuruçu que perderam toda a lavoura com a enchente que atingiu municípios do sul da Bahia.

"Desde menino, sempre trabalhei duro para poder dar estudo para os meus filhos, para que não tivessem que passar por tudo o que passei. Deus sempre foi muito bom para mim e me deu mais do que eu precisava. Agora vem a chuva e leva tudo. E não sei nem por onde recomeçar, mas tenho certeza de que não ficarei desamparado, pois o Deus que me guarda não dorme", disse ele.

A soma entre as fortes chuvas que caem desde a última terça-feira (7), o rompimento de pequenas barragens construídas por agricultores e a geografia da região levou ao cenário que culminou com quase 70 mil pessoas afetadas pela chuva. Houve 5 mortes e 175 feridos.

Jucuruçu, cidade com vocação para a agricultura e pecuária onde vive Arcelino, teve suas lavouras devastadas pelas chuvas. As estradas vicinais do município ficaram intransitáveis, dificultando, inclusive, a ajuda que chega à cidade proveniente de outros municípios.

Itamaraju, onde o presidente Jair Bolsonaro desfilou neste domingo (12) em uma picape, é uma das mais atingidas. Segundo a Defesa Civil, cerca de 600 famílias estão desabrigadas e três óbitos foram confirmados.

A cidade tem características geográficas que favorecem as inundações, pois é dividida em "cidade alta" e "baixa". O transbordamento do rio Jucuruçu e o volume de água que desce da parte alta deixaram o outro trecho da cidade submerso.

Segundo a Defesa Civil, em alguns lugares, o nível da água passou seis metros acima do normal, alagando os bairros Várzea Alegre, São Bernardo, Vale do Jucuruçu, Centro Baixo, Jaqueira e Liberdade.

A correnteza foi tão forte que a cabeceira da ponte que liga os bairros Várzea Alegre e São Bernardo foi levada pela água.

O engenheiro Rodrigo Souza, morador do centro onde não houve problemas com enchentes, está trabalhando como voluntário no bairro Beira Rio, ajudando os moradores que tiveram suas residências tomadas pela água a limpá-las para tentar recomeçar a vida.

"Foi tanta chuva que hoje, na minha folga, fiz questão de vir até as áreas atingidas para saber como poderia ajudar. Sei que na parte financeira tem muita gente se mobilizando, então pensei que poderia doar meu tempo, meus braços. E aqui estou, ajudando a faxinar as casas de quem não tem perspectiva de recomeço", disse.

Em Medeiros Neto, mais de 2.000 pessoas estão desabrigadas, segundo a Defesa Civil. Em três dias, choveu cerca de 300 mm na cidade, quando a média para o mês de dezembro é de menos de 40 mm.

Os rios Água Fria e Itanhém transbordaram, agravando ainda mais a situação. No centro da cidade, o nível da água chegou a cerca de 1,5 metro no interior de algumas lojas. Casas desabaram, carros foram levados pela enxurrada e a ponte que liga o centro ao bairro São Bernardo ficou mais de um metro submersa.

Antes das enchentes, a prefeitura pediu aos moradores de áreas de riscos que deixassem as suas residências e os conduziram a abrigos em escolas e prédios públicos.

A prefeitura confirmou que o rompimento de pequenas represas construídas por produtores rurais contribuíram para a cheia dos rios Itanhém e Alcobaça.
"Nunca chegamos a um nível de água tão alto. Também registramos alguns deslizamentos, causados pela força das correntezas, mas não há registro de feridos", disse Edson Araújo, assessor de comunicação da Prefeitura de Medeiros Neto.

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