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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ex-procurador do MA é suspeito de receber US$ 570 mil da Odebrecht

Ulisses César Martins de Souza teria negociado acordo para pagamento de cerca de R$ 43 milhões à Odebrecht; na sequência, se encarregou de tratar da sua própria remuneração

© DR
O ex-executivo da Odebrecht João Pacífico delatou ao Ministério Público (MP) o pagamento de mais de 570 mil dólares para o ex-procurador-geral do Maranhão, Ulisses César Martins de Souza. O procurador assinou em 2006, em nome do estado, um acordo para pagamento de cerca de R$ 43 milhões à Odebrecht. Os repasses são relacionadas à Transmaranhão, obra realizada em 1999.

O Departamento de Estradas e Rodagens do Maranhão (DER-MA) tinha atrasado repasses à Odebrecht, que foram pagos em cinco parcelas no final de 2006, segundo divulgado pelo G1.
O delator contou que Ulisses tinha um relacionamento pessoal com o governador do Maranhão na época, José Reinaldo Tavares (PSB), e interviu para que o acordo com a empreiteira fosse firmado.
"Não surgiu assim do nada, já tínhamos uma relação institucional com ele [Ulisses], uma relação comercial com ele. [...] Nesse contato com o doutor Ulisses, ele demonstrou que tinha condições de interceder, de interferir, junto ao próprio governador, para que fosse encontrada uma solução para equacionar esses recebíveis crônicos, que a gente chama, recebíveis antigos junto ao estado", delatou João Pacífico.
Em setembro de 2006, as negociações entre o governo do estado do Maranhão e a Odebrecht foram concluídas.
Foi então negociado um desconto de 20% no valor a ser pago. Totalizou então cerca de R$ 43,44 milhões, que foram divididos em cinco parcelas iguais e sucessivas, de R$ 8 milhões e pouco, e foram pagas entre novembro de 2006 e dezembro de 2006, ou seja, ainda dentro do primeiro mandato do governador José Reinaldo."
Assim que o acordo foi firmado, Ulisses se encarregou de tratar da sua própria remuneração como intermediador.
Naquela ocasião ele forneceu ao Raimundo [Santos, diretor da Odebrecht] uma conta no exterior, não me recordo se Nova York, quando foram feitos depósitos em duas etapas, em 5 de janeiro de 2007, no valor de US$ 385.491 mil, e o segundo, no dia 10, ou seja, cinco dias depois, no valor de R$ 192,940, conforme comprovante de transação que estão anexos no dado de colaboração, o que totalizou o valor de US$ 578,432 mil."
O delator apresentou comprovantes de transação ao MP. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, autorizou na semana passada a abertura de inquérito para investigar Ulisses e José Reinaldo, que hoje é deputado federal e tem foro privilegiado.
O advogado de Ulisses foi procurado pelo G1, mas ainda não se manifestou.
Via...Notícias ao Minuto

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