domingo, 12 de junho de 2022

Bolsonaro volta a atacar Barroso e Moraes e se compara a ex-presidente da Bolívia presa

Antes de dar as declarações, Bolsonaro fez uma motociata com apoiadores em Orlando, que reuniu mais de 300 motos na cidade da Flórida, e inaugurou um vice-consulado brasileiro na cidade.

© Getty


(FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) fez novos ataques a ministros do STF e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado (11), durante viagem aos Estados Unidos.

Ele também voltou a criticar o sistema eleitoral brasileiro e comparou a investigação dos casos de fake news pelo Supremo ao processo judicial que levou a ex-presidente boliviana Jeanine Añez à prisão.

Em entrevista a jornalistas em Orlando, na saída de uma churrascaria onde foi ovacionado por um grupo de apoiadores, ele chamou o ministro Luís Roberto Barroso de "mau-caráter" e "mentiroso", por dizer que ele teria divulgado dados de um inquérito sigiloso que, para o presidente, não tinha esta restrição.

Já o ministro Alexandre de Moraes foi atacado pela atuação no inquérito sobre fake news, aberto pelo próprio Supremo, e por sua atuação no processo contra o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado por incitar violência contra o STF e que recebeu indulto de Bolsonaro.

"Eu dei um indulto para este parlamentar e ele [Moraes] continua perseguindo, multando ele, agora bloqueando o celular da esposa dele, que é a advogada que o defende. O TSE lá do senhor Alexandre de Moraes desmonetiza páginas, derruba páginas. Isso não é democracia, É censura.", acusou.

"Isso nunca ocorreu no Brasil. Uma pessoa apenas decide. Ele faz um inquérito, onde não tem a participação do Ministério Público, e investiga por fake news."

"Eu não quero baixar o nível na entrevista, mas o que esse cara tem na cabeça? O que é que ele está ganhando com isso? Quais são seus interesses? Ele está ligado a quem? Ou é um psicopata? Ele tem um problema."

Bolsonaro comparou as acões de Moraes com a prisão de Jeanine Añez, ex-presidente da Bolívia condenada por tramar um golpe de Estado, em 2019.

"A turma dela perdeu [as eleições], voltou a turma do Evo Morales. O que aconteceu um ano atrás? Ela foi presa preventivamente. E agora foi confirmado dez anos de cadeia para ela."

"Qual a acusação? Atos antidemocráticos. Alguém faz alguma correlação com Alexandre de Moraes e os inquéritos por atos antidemocráticos? Ou seja, é uma ameaça para mim quando deixar o governo?".

O presidente também atacou Lula, a quem acusou de ser corrupto. Ele questionou as pesquisas eleitorais que mostram o petista à frente na disputa e voltou a falar em risco de fraudes caso os militares não possam participar de modo mais ativo da apuração das votos.

Também atacou o TSE por ter rejeitado ofício enviado pelo Ministério da Defesa com questionamentos ao sistema eleitoral.

Bolsonaro voltou a questionar a eficácia do envio de agentes internacionais para acompanhar as eleições brasileiras.

"O que esses observadores vão fazer lá? Observar? Olha, a não ser que ele tenha um olhar de super-homem que possa observar programas, microchips. Qual a qualificação desses observadores?", questionou, em tom irritado.

"Ah, a OEA [Organização dos Estados Americanos]. Ah, pelo amor de Deus, você achar que alguém colocar um crachá da OEA tá resolvido o assunto? Convidaram pra dar ares de legalidade. Sabe o que eu faria no lugar do Barroso, do [ministro Edson] Fachin e do Alexandre de Moraes? Diria: 'Presidente, vamos conversar'. Mas eles não querem conversar".

Na sexta, Kristina Rosales, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse em conversa com a Folha que o governo americano considera o envio de observadores como uma ferramenta importante para garantir a transparência de eleições.

Bolsonaro disse que Lula "saqueou o Brasil" e buscou culpá-lo pela alta nos preços de combustíveis.

"[Ele] começou a fazer três refinarias, não comprou nenhuma, comprou uma aqui, uma sucata aqui em Pasadena, comprou uma no Japão. Poderíamos estar vivendo sem um problema de gasolina e diesel. Agora, nós somos autossuficientes, mas não somos para destilar combustível", reclamou.

As declaracões de Bolsonaro vieram dois dias depois de seu primeiro encontro com o presidente Joe Biden. Em Los Angeles, ele disse que pretende terminar seu governo de modo democrático e pediu eleições limpas, confiáveis e auditáveis.

"Cheguei [ao poder] pela democracia e tenho certeza de que quando deixar o governo também será de forma democrática", disse, ao lado do líder americano.

Antes de dar as declarações, Bolsonaro fez uma motociata com apoiadores em Orlando, que reuniu mais de 300 motos na cidade da Flórida, e inaugurou um vice-consulado brasileiro na cidade. O presidente embarcou de volta ao Brasil na tarde deste sábado.

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