quarta-feira, 6 de julho de 2022

Ministros da Saúde e Finanças britânicos renunciam em ruptura com Johnson

A decisão de ambos é uma reação a uma série de escândalos no governo de Boris Johnson, como o que levou a um pedido de desculpas horas antes da debandada.

© Reuters

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os ministros britânicos da Saúde, Sajid Javid, e das Finanças, Rishi Sunak, anunciaram a renúncia dos cargos nesta terça-feira (5). A decisão de ambos é uma reação a uma série de escândalos no governo de Boris Johnson, como o que levou a um pedido de desculpas horas antes da debandada.

Mais cedo, o primeiro-ministro se desculpou por ter nomeado para um cargo importante o líder conservador Chris Pincher, sobre o qual surgiram seis novas denúncias de comportamento inadequado.

Javid alegou ter perdido a "confiança" na capacidade de o primeiro-ministro conservador governar de acordo com o interesse nacional. O ministro da Saúde disse que foi "um enorme privilégio servir nesta função", mas que não é mais possível continuar.

"Está claro para mim que esta situação não mudará sob sua liderança e, por isso, perdi minha confiança", afirmou Javid em sua carta de demissão.

O titular das Finanças disse reconhecer que este pode ser seu "último cargo ministerial", mas afirmou acreditar que "vale a pena lutar por esses padrões". Sunak também lamentou deixar o cargo em meio às "consequências econômicas da pandemia, a guerra na Ucrânia e outros desafios sérios".

"O público, com razão, espera que o governo seja conduzido de forma adequada, competente e séria", disse Sunak na carta de demissão publicada no Twitter.

Além dos ministros, outros parlamentares do Partido Conservador deixaram seus cargos também em protesto contra a liderança do primeiro-ministro. Os secretários particulares parlamentares, que auxiliam ministros de Estado em suas funções, Saqib Bhatti e Jonathan Gullis postaram suas cartas de renúncia nas redes sociais.

"O Partido Conservador sempre foi o partido da integridade e da honra, mas eventos recentes minaram a confiança e os padrões na vida pública. É por esta razão que, infelizmente, devo renunciar", escreveu Saqib Bhatti no Twitter.

Jonathan Gullis disse que sempre acreditou que o partido representa "oportunidades para todos", e que por isso entrou para a política. Mas, segundo ele, o grupo está "há tempo demais concentrado em lidar com danos à reputação" ao invés de entregar o que a população precisa.

O deputado conservador Andrew Murrison renunciou ao cargo de enviado comercial do Governo ao Marrocos. Na carta, compartilhada por ele nas redes sociais, ele ainda "recomenda fortemente" que Boris Johson "se demita" porque seu cargo tornou-se "irrecuperável".

BORIS JOHNSON ANUNCIA NOVOS NOMES PARA MINISTÉRIOS

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, nomeou novos ministros para os cargos vagos. Na Saúde, o novo chefe será Steve Barclay, que era responsável pela coordenação governamental.

Na pasta das Finanças, assumirá Nadhim Zahawi, que até então era titular da Educação. A nomeação foi aprovada pela rainha Elizabeth II.

Zahawi, que tem 55 anos, é cofundador da empresa de pesquisas YouGov, e participou ativamente na política local conservadora de Londres, antes de se tornar deputado em 2010. Ele ficou conhecido no país pela gestão da vacinação no país durante a pandemia de covid-19.

PARLAMENTAR CONSERVADOR DO REINO UNIDO É ACUSADO DE APALPAR HOMENS

Horas antes da debandada, o primeiro-ministro pediu desculpas por ter nomeado para um cargo importante o líder conservador Chris Pincher, sobre o qual surgiram seis novas denúncias de comportamento inadequado. As histórias vieram à tona dias após ele ter sido suspenso do Partido Conservador em meio a acusações de que ele apalpou dois homens.

Inicialmente, Pincher negou as acusações à imprensa britânica. Mas, na semana passada, renunciou depois de admitir ter apalpado dois homens enquanto estava embriagado, sendo um deles um deputado.

Inicialmente, o governo afirmou que o primeiro-ministro não estava ciente de comportamentos semelhantes de Pincher em ocasiões anteriores. Nesta terça-feira (5), porém, um ex-colaborador de Johnson revelou que ele foi informado em 2019, quando era ministro das Relações Exteriores, de que o líder em questão já havia se envolvido em incidente do tipo.

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