terça-feira, 2 de agosto de 2022

'Viramos conservadores, Sem ter muito o que conservar', diz Armínio Fraga

Para o economista, o que existe hoje no sistema político do País é um sistema que, ao mesmo tempo que impede desastres maiores, também impede o progresso.

© Reuters

O economista e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga afirmou, durante participação no lançamento da "Agenda Inadiável", do grupo Derrubando Muros, que há muito espaço para o Brasil crescer economicamente, mas que um dos empecilhos está dentro do cenário político nacional. "Nós viramos conservadores, sem ter muito que conservar", disse.

Para o economista, o que existe hoje no sistema político do País é um sistema que, ao mesmo tempo que impede desastres maiores, também impede o progresso. "Cada deputado tem direito a veto, aí as coisas não andam. Mas quando as coisas pioram muito, se ativa um instinto de sobrevivência e nós vamos empurrando com a barriga esse modelo", criticou Fraga.

Para o ex-presidente do BC, com um sistema político "bastante disfuncional", é preciso repensar a economia e a política ao mesmo tempo. "É trocar a turbina de avião voando, com isso nós temos", disse. Fraga disse esperar não ser necessário outra crise econômica no País para que se tente "movimentos heroicos. Eles tendem a não dar certo", afirmou.

O Derrubando Muros é um grupo apartidário formado por, entre outros, ativistas, cientistas, comunicadores, acadêmicos e empresários. O documento "Agenda Inadiável", elaborado pelo movimento, reúne propostas para 11 áreas temáticas, entre elas a economia verde, inovação, energia, saúde, educação, entre outras áreas.

No documento, o grupo chama atenção para o distanciamento do poder Executivo, nos últimos anos, da elaboração de políticas públicas que alinhem o Brasil com o crescimento e desenvolvimento do mundo, e sugerem soluções da sociedade civil para a economia nacional.

Segundo a "Agenda Inadiável", o País tinha a "ilusão" de que, devido a seu clima, território, diversidade cultural, entre outros pontos, se "alinharia quase que por gravidade", ou seja, teria um cenário econômicos próspero. No entanto, pondera, "o atual governo federal, distópico e antidemocrático" pôs um fim a essa esperança de que o País "pegaria no tranco".

"Fundado há 3 anos em reação a essa desesperança, o Derrubando Muros foi dando-se conta de que o País que almejamos há muito vem sendo gestado pela sociedade civil", pontua o documento.

Segundo os idealizadores, não fosse a atuação da sociedade civil e sua "pressão contínua para gerar atenção", o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), por exemplo "não teria saído do papel". Dessa forma, integrantes do grupo articularam ideias para 11 áreas temáticas, entre elas a economia verde, inovação, energia, saúde, educação, entre outras áreas.

Classificando a administração do presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, como "distópica e antidemocrática", o grupo afirma que se acreditava que a economia do País cresceria, naturalmente, "quase que por gravidade" por causa de seus pontos fortes - o clima, o vasto território, a diversidade cultural, a Amazônia, a paz com os vizinhos.

No entanto, o Brasil viu a "ilusão" de crescimento ser derrubada "por líderes que insistimos em eleger e comportaram-se como atores diversionistas e populistas", criticou.

O grupo reúne especialistas como Ana Toni, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade; Fersen Lambranho, empreendedor; Horácio Lafer Piva, economista e empresário; Joana Monteiro, doutora em economia, coordenadora do Centro de Ciência Aplicada à Segurança da FGV; Luíz Barroso, engenheiro especializado em energia, diretor-presidente da PSR Consultoria; Pedro Hallal, epidemiologista e ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas, entre outros.

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