Gleison foi indiciado por suspeita de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem chances de defesa para a vítima. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que decidirá se aceita as provas colhidas pela polícia e apresenta a denúncia à Justiça, se pede mais investigações ou se arquiva o caso.
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Gleison foi indiciado por suspeita de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem chances de defesa para a vítima. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que decidirá se aceita as provas colhidas pela polícia e apresenta a denúncia à Justiça, se pede mais investigações ou se arquiva o caso.
Empresário já respondia por ocultação de cadáver após o corpo da jovem ser encontrado enterrado em seu sítio em 27 de agosto de 2024. Na época, ele chegou a ser preso pelo crime de ocultação, mas foi liberado mediante pagamento de fiança.
Na semana passada, Gleison voltou a ser preso temporariamente. A polícia encontrou evidências de que ele seria um dos responsáveis pela morte de Giovana, não apenas pela ocultação do cadáver. Além do empresário, também foram presos na semana passada o caseiro do sítio, Cleber Danilo Partezani, e um outro funcionário da empresa dele que não teve a identidade revelada. Os dois empregados de Gleison ainda não foram indiciados, segundo a Polícia Civil.
O UOL não conseguiu localizar a defesa de Gilson para pedir posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.
Relembre o caso
Giovana Pereira foi vista com vida pela última vez em dezembro de 2023. A família dela procurou a polícia para registrar o desaparecimento. O corpo da jovem só foi encontrado oito meses depois, em agosto de 2024, enterrado em um sítio que pertence a Gilson em Nova Granada.
Na época, Gleison disse à polícia que conheceu a adolescente 15 meses antes de ela ser morta por meio de um aplicativo de relacionamento. Ele afirmou que foi até o apartamento onde ela morava com uma amiga. De lá, foram até um motel no município de Mirassol, no interior de São Paulo. Segundo o empresário, os dois tiveram relação sexual, mas não houve consumo de drogas.
O empresário disse à polícia que não sabia que ela tinha 16 anos. Ele afirmou que, no dia em que se conheceram, ela mostrou uma cédula de identidade com a data de nascimento adulterada, para provar que tinha mais de 18 anos. Após o encontro, ele confirmou que transferiu uma quantia em dinheiro para ela, mas não revelou o valor.
Na versão dele, os dois só voltaram a manter contato sete meses após o primeiro encontro, quando a jovem lhe pediu um emprego. Ele explicou que aceitou analisar o currículo dela e pediu que ela fosse até sua empresa, em São José do Rio Preto.
Gleison contou que ele e outro funcionário teriam trocado beijos com a adolescente dentro da empresa. Ele relatou que Giovana estava no local, no dia 21 de dezembro de 2023, que ele consumiu cocaína naquele dia e disse a Giovana que não a contrataria. Conforme o depoimento, em determinado momento, o empresário saiu da sala onde estavam para pegar uma cerveja e deixou um frasco contendo cocaína no local.
Segundo o suspeito, a adolescente usou o entorpecente sem sua permissão e passou mal. Um outro funcionário o alertou que a menina não estava bem e ele, ao perceber que Giovana havia morrido, entrou em "pânico completo".
Ele revelou que dois funcionários presenciaram tudo. Com o auxílio de um deles, colocou o corpo da jovem em sua caminhonete e saiu "dirigindo desnorteado". Inicialmente, pensou em jogar o corpo da adolescente em um rio, mas mudou de ideia com medo do corpo ser descoberto, e dirigiu até o sítio para enterrá-lo.
O caseiro do sítio confessou à PM que ajudou a abrir cova para enterrar a adolescente. Cleber Danilo Partezani afirmou que no dia 21 de dezembro de 2023, o patrão apareceu no sítio e pediu que ele abrisse um buraco em determinado local da propriedade, mas sem revelar detalhes de quem seria enterrado.
Empresário pediu segredo e admitiu que iria enterrar um corpo humano, segundo versão do caseiro. O patrão, porém, não informou se seria uma mulher ou homem, e retornou à propriedade em outros momentos para praticar tiro.
Mãe flagrou troca de mensagens
Troca de mensagens ocorreu em 2023. Patrícia Alessandra Pereira contou ao UOL que mexeu no celular da filha e viu o conteúdo da conversa com Gleison. Segundo a mãe, na ocasião, Giovana admitiu que havia se relacionado com o empresário.
Mãe lembra que advertiu a filha sobre a diferença de idade. "Ela disse que se relacionava com ele, que os dois tiveram uma relação e que ele ofereceu ajuda financeira para ela. Falei que ela não precisava disso. Ela me disse que não teria mais encontrado com ele", explicou Patrícia.
Último contato de Giovana com a mãe foi no dia 20 de dezembro de 2023, um dia antes de desaparecer. Patrícia detalhou que procurou a polícia no dia 23 de dezembro.
Corpo de Giovana só foi enterrado em 15 de fevereiro deste ano. O sepultamento foi realizado em Votuporanga.
Na época em que o corpo de Giovana foi encontrado, a defesa do empresário e do caseiro negou que eles tenham assassinado a jovem. O advogado Carlos Sereno afirmou que a vítima morreu em decorrência do consumo exagerado de drogas durante uma "festa de confraternização" da empresa de Gleison.
Carlos Sereno informou que o "laudo necroscópico irá confirmar se ela morreu de overdose". "Infelizmente, na hora do desespero, acabaram fazendo essa besteira", detalhou o advogado sobre a ocultação do cadáver.
Sobre o suposto relacionamento de Gleison com a adolescente, o advogado informou que eles teriam se conhecido pelo Tinder. Segundo o advogado, eles tiveram apenas um encontro. Giovana teria recebido um valor, não informado, via Pix.
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