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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Colégio católico do Rio censura livro sobre a ditadura militar

Lançado em 1981, a obra faz parte da conhecida série Vaga-Lume, dedicada ao público infanto-juvenil

© pixabay
Toma e lê. As palavras foram essenciais para que Santo Agostinho concluísse sua conversão, como conta na obra Confissões. Indeciso sobre dedicar sua vida à fé cristã, Agostinho narra ter escutado cânticos de criança que diziam "toma e lê". Voltou-se à Bíblia, que tinha nas mãos, e leu uma passagem das Cartas de Paulo: "Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne". Entendeu como um sinal.


Toma e lê também foram as palavras encontradas por um grupo de ex-alunos do Colégio Santo Agostinho para nortear uma carta em repúdio à censura do livro Meninos Sem Pátria, de Luiz Puntel. Conforme informou a revista Veja, a direção da escola suspendeu a leitura da obra, que constava na lista do material escolar. A decisão foi tomada após a coordenação ter sido pressionada por pais de alunos descontentes com o conteúdo do livro, considerado por eles de esquerda.
Lançado em 1981, a obra faz parte da conhecida série Vaga-Lume, dedicada ao público infanto-juvenil. Puntel conta a história de um jornalista do interior de São Paulo, que, perseguido pela ditadura militar que se instaurou em 1964, foi obrigado a fugir do país.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o autor rechaça as acusações de que o livro faria apologia a ideias de esquerda. "Um certo número de pais pressionaram a escola, dizendo que este livro estava fazendo doutrinação comunista. Nada disso, gente. Ele é um livro que fala do tempo da ditadura militar. Mas é algo histórico, que aconteceu. Ou a ditadura militar não aconteceu?"
A notícia da censura viralizou rapidamente na internet, gerando reações de pais, alunos e ex-alunos. A página do colégio no Facebook, que não dedicou qualquer publicação para explicar o caso, tem recebido diversos comentários em protesto à suspensão do livro.
Até o momento, foram escritas duas cartas de repúdio em forma de abaixo-assinado e convocada uma manifestação para a tarde desta sexta-feira (5), em frente à escola, no Leblon, zona sul do Rio.
"Agostinho já dizia: 'há homens que se agarram à sua opinião, não por ser verdadeira, mas simplesmente por ser sua'. Não podemos cair nesse erro, principalmente em um momento tão delicado de nossa sociedade, em que os educadores não podem ceder ao culto à ignorância", diz um dos textos.
"Acreditamos que o Colégio, como instituição, deve manter-se de fora desse clima de disputa política e de surpreendente revisionismo histórico", defende o outro.
Mais de mil pessoas demonstraram interesse no evento da manifestação nas redes sociais. "A escola é um lugar de liberdade de pensamento, formação cidadã e de divulgação dos valores de Amor e Ciência. Portanto, convidamos você para mostrar que temos voz e essa voz vem da formação e do pensamento crítico", diz a página.
Em 2016, alunos já haviam realizado um protesto em apoio ao direito dos professores de se expressarem livremente, em resposta ao projeto Escola Sem Partido.
"A gente quer uma democracia consolidada. Esse projeto de lei infringe claramente todos os preceitos democráticos. A gente não vai se calar", discursou um aluno à época.
Procurada, a secretaria do colégio afirmou que todos os coordenadores e diretores estavam em reunião e que não poderiam atender a reportagem. Com informações da Folhapress.

VIA...NOTÍCIAS AO MINUTO

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